“Servir é um sentimento de completude”. A frase, do universitário Pedro Henrique Vassoller Sarkis, 23, resume o sentimento de jovens que buscam as igrejas cada vez mais cedo. E não é só para participar dos cultos e missas aos domingos. Eles se envolvem nas atividades diárias e fazem o bem.
Esse movimento tem sido percebido por líderes religiosos, como o pastor Enoque de Castro Pereira, presidente da Associação de Pastores Evangélicos da Grande Vitória. “Os jovens estão procurando mais as igrejas e cada vez mais cedo. O exemplo dos pais tem papel muito importante nisso, mas também vemos que as igrejas estão mais preparadas para receber os jovens”.
Nas comunidades religiosas, além de aprenderem mais sobre o evangelho, eles cuidam de crianças, organizam as celebrações, cantam e participam de projetos sociais que ajudam pessoas carentes e usuários de drogas.
O engajamento dessa nova geração que serve à igreja – jovens que, apesar de conectados, dispensam a solidão do celular e do computador – ajuda a manter a saúde mental em dia. Quem faz esse tipo de atividade garante que se sentir útil promove um bem-estar instantâneo.
A psicóloga Sarah Rosado lembrou que dividir com o outro o tempo e a religiosidade alimenta a alma socialmente, psicologicamente e espiritualmente. “Nosso organismo reage bem a tudo que produz felicidade para nós e para os outros”.
Já a psicóloga Beatriz Silva Marques Rocha destacou que esse tipo de trabalho ajuda os jovens a desenvolverem empatia e gratidão. “Muitos jovens que convivem somente com pessoas da sua própria classe social ficam alienados. Ter contato com alguém que vive uma realidade oposta possibilita quebra de paradigmas e preconceitos.”
Para o psicólogo e professor do Unesc Luiz Romero, a fé abre portas para a redução do sofrimento e promove satisfação pessoal.
“Investir na ideia do bem comum é uma via eficaz para a redução de seus conflitos. A possibilidade de encontrar uma atividade através da qual se dá vazão ao sofrimento causado por conflitos internos é de grande valia para a manutenção do equilíbrio psíquico.”
Ana Catarina Azevedo Xavier, 21, e Pedro Henrique Vassoller Sarkis, 23, são voluntários na Igreja São Francisco de Assis, em Jardim da Penha. Ana Catarina é coordenadora do projeto Pequeninos do Senhor, que consiste em explicar o tema da celebração do dia às crianças de uma forma lúdica e didática. Já Pedro Henrique é cerimoniário e coordenador de comunicação. “Avisamos sobre os encontros e missas pelas redes sociais e isso incentiva mais pessoas a participarem”.
Controle da ansiedade e depressão
Especialistas garantem: pertencer a um grupo no qual você se sente acolhido e representado ajuda a reduzir a ansiedade e mantém a depressão bem longe.
A psicoterapeuta e hipnoterapeuta Débora Monteiro Coelho lembrou que a sensação de ser cuidado por Deus e de se sentir seguro evita várias doenças psicossomáticas.
“Quando você ajuda alguém que necessita, os dois saem ganhando: o outro recebe o carinho e aquele que dá se sente bem, gratificado por estar fazendo o bem”, disse.
As atividades junto à igreja trabalham nos jovens sentimentos nobres como a misericórdia, a compaixão e a solidariedade.
Na opinião da psicóloga clínica Monique Cristina Barbosa Nogueira, esses grupos aumentam a autoestima dos jovens.
“Esse trabalho é extremamente importante para a reafirmação do ego do ser humano. Esses grupos também ajudam a desenvolver as habilidades interpessoais”, salientou Monique.

“Quaisquer atividades que envolvam empatia e altruísmo fazem muito bem à nossa saúde mental. Há relatos de pessoas envolvidas nessas atividades que durante esse exercício de colocar-se no lugar do outro saíram mais ajudadas do que as pessoas as quais foram ajudar.
“Todas as atividades que envolvem solidariedade potencializam nosso aspecto humano, pois faz a gente se reconhecer em nosso semelhante”, ressaltou.
Ajudar o próximo e nutrir sentimentos e atitudes como gratidão, perdão, tolerância e otimismo, além de afastar a ansiedade e o pânico, também têm o poder de reduzir a incidência do câncer e de doenças cardíacas, prevenindo o adoecimento e adiando a data da morte.
O cardiologista Mário Borba contou que a espiritualidade e a religiosidade são diferentes, mas ambas trazem inúmeros benefícios para a saúde.
“As duas fazem bem. Mesmo que a pessoa não seja religiosa, mas mantém valores e busca a espiritualidade, ela se beneficia disso. Não é um credo específico, mas um conjunto de atitudes”, disse Mário Borba.

A Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, que acontece anualmente em Roma, na Itália, refletiu em 2018 sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.
Na oportunidade, o papa Francisco destacou a importância de incentivar os jovens a se tornarem discípulos missionários apaixonados por Jesus.
O líder da Igreja Católica lembrou que o público jovem mundial é de um bilhão e oitocentas milhões de pessoas. E que o trabalho missionário feito por quem decidiu frequentar e se envolver diretamente nas ações da igreja é feito com alegria e entusiasmo contagiantes.
O papa ponderou que todos, sem exceção, são chamados à missão, mas é preciso dar espaço e confiar mais nos jovens.
“Eles, com a facilidade que têm para se situar no mundo digital e usar as redes sociais, certamente poderão, de forma mais eficaz, cruzar fronteiras, cancelar distâncias e testemunhar com o entusiasmo que lhes é próprio a alegria do Evangelho”, destacou o papa.
Geração Z é mais aberta a Deus, aponta pesquisa
Uma pesquisa realizada este ano no Reino Unido apontou que a geração Z, que é composta por pessoas nascidas entre os anos de 1990 e 2010, é mais aberta a Deus do que gerações mais velhas.
Mais da metade das pessoas na faixa etária entre 18 e 24 anos que responderam à pesquisa afirmam ter tido uma experiência positiva com o cristianismo: 62%, inclusive, se sentem à vontade para discutir suas crenças religiosas com as pessoas no trabalho e 33% frequentam cultos na igreja de sua preferência.
A pesquisa constatou que apenas 10% dos jovens acham que a religião tem uma influência negativa na sociedade. Já 44% dos participantes tiveram uma experiência positiva com os cristãos e o cristianismo.
O público adulto também foi avaliado nessa pesquisa. Metade desses participantes, 51%, discorda que os cristãos são uma força negativa na sociedade. O estudo ainda apontou que pessoas entre 25 e 34 anos são as mais propensas a dizer que frequentam igrejas (11%).




