O mercado de veículos usados bateu recorde de vendas em 2021, com 15,1 milhões de unidades vendidas. O crescimento foi de 17,8% no ano, de acordo com dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto).
Trata-se do maior crescimento da história do setor que, em média, registra expansão de 3% a 4% ao ano, segundo a entidade.
Considerando somente automóveis, em 2021 foi registrado crescimento de 17,4% na venda de usados. Já os comerciais leves tiveram expansão de 21,9%.
Segundo a Fenauto, entre os motivos para o crescimento do setor está a falta de estoque de veículos zero quilômetro, causada pela paralisação de vários setores de produção em 2020.
A falta de componentes, como chips, fez a indústria brasileira deixar de produzir ao menos 300 mil veículos novos em 2021.
A escassez no mercado de carros novos provocou uma valorização de cerca de 15% no preço dos usados. Já os veículos zero quilômetro subiram cerca de 8%.
“Carros novos estavam com até 120 dias de espera, e o consumidor se viu obrigado a pegar um carro com seis meses ou um ano de uso”, disse o diretor do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado (Sincodives), Romeu Monaldi Marroquio.
Entretanto, segundo ele, a expectativa é de que o cenário se normalize neste ano. “Em um primeiro momento, isso foi bom para o setor, mas a principal fonte de compra de seminovos é quando se troca por um zero. Sem isso, o mercado acaba não girando”.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado (Sincodives), José Francisco Costa, a normalização dos estoques de carros zero quilômetro tem previsão de acontecer somente a partir do segundo semestre.
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Expectativa
O empresário Felício Pezente contou que as vendas em sua loja de seminovos tiveram bons resultados em 2020, e os usados se tornaram mais disputados. “Esperamos a volta dos zero para estabilizar o mercado, para podermos ter mais carros no estoque e, com mais carros, aumentar o percentual de vendas”, disse.
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Vantagem ao pagar IPVA à vista
Com a valorização dos usados, o IPVA dos veículos também deve ficar mais caro em 2022. Segundo analistas, o imposto deve subir em torno de 23% neste ano, acompanhando a valorização dos carros usados na tabela Fipe.
No Espírito Santo, a Secretaria da Fazenda (Sefaz) definiu que os motoristas que fizerem o pagamento do imposto em cota única terão desconto de 15%.
Segundo o órgão, o percentual é três vezes maior do que geralmente era aplicado e busca abrandar o aumento da base de cálculo.
Para o economista Eduardo Araújo, o desconto maior neste ano torna o pagamento à vista a melhor opção para os proprietários de veículos, quando possível.
“Esse desconto de 15% é uma alternativa que o consumidor não encontraria no mercado em uma aplicação financeira. Se, por exemplo, optasse por parcelar e deixar o dinheiro aplicado, o rendimento seria bem inferior”, disse.
Ele destacou ainda que o percentual de desconto definido pelo governo do Estado para pagamento à vista está acima da expectativa de inflação para 2022, que é de cerca de 5%.
A cota única ou a primeira parcela do IPVA de veículos leves vai vencer em abril. O parcelamento pode ser feito em quatro vezes. No caso de veículos pesados, a divisão é em duas parcelas.
Valorização dos seminovos pesa no Imposto de Renda
Com a valorização registrada pelos carros usados em 2020 e 2021, quem vendeu o carro usado durante a pandemia pode ter que pagar imposto sobre a transação.
Isso ocorre porque, com a valorização acumulada ao longo dos últimos dois anos, há chance de o veículo ter sido vendido por um preço maior do que foi adquirido, situação que se tornou comum nas revendas e transações feitas entre particulares.
Segundo a tabela Fipe, que monitora os preços dos veículos, o valor dos usados subiu mais de 31,8% em 12 meses.
De acordo com a legislação tributária, quem vende um carro (ou outro bem de grande valor) por um preço maior do que o custo de aquisição tem a obrigação de recolher Imposto de Renda sobre a diferença.
A regra vale para bens com valor a partir de R$ 35 mil, sobre os quais incidirá o imposto sobre o ganho de capital. A alíquota é de 15% sobre o ganho, para bens de até R$ 5 milhões.
Para pagar o imposto sobre ganho de capital, o contribuinte precisará baixar o programa GCAP, disponível no site da Receita Federal, que vai apurar o montante devido de imposto e gerar a respectiva guia Darf para pagamento.
Caso a Receita Federal identifique que o valor não foi pago, além do imposto devido, o contribuinte terá que pagar juros de 1% mais a taxa Selic acumulada no período de atraso, além de multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% do imposto devido.
No caso de veículo financiado, o vendedor deve considerar para o cálculo do valor de compra somente as parcelas já pagas até o momento da venda.
Em um exemplo, um Chevrolet Onix LTZ 2015 com câmbio automático foi adquirido com um ano de uso, em 2016, por R$ 40 mil. Hoje, pela tabela Fipe, o carro vale R$ 50 mil.
Se o veículo for vendido pelo valor de mercado, o proprietário receberá uma quantia R$ 10 mil superior ao valor nominal pago, caracterizando ganho de capital.
Ou seja, ele precisará pagar imposto de 15% sobre o ganho, a título de ganho de capital, para acertar as contas com a Receita.
OS MAIS VENDIDOS
Volkswagen Gol mantém liderança
Ranking
- Até novembro de 2021, últimos dados disponíveis da Fenabrave, o Volkswagen Gol manteve a liderança como carro usado mais procurado no ano. Foram 64.548 unidades vendidas somente em novembro.
- Em seguida figuraram Fiat Palio (38.827), Fiat Uno (37.061), Fiat Strada (23.963), Chevrolet Celta (23.055), Chevrolet Onix (21.956), Volkswagen Fox (20.549), Toyota Corolla (20.100), Ford Ka (18.597) e Ford Fiesta (17.991).
Números do setor
- A venda de veículos usados e seminovos cresceu 17,8% ano passado, quando foram comercializadas 15,1 milhões de unidades.
- O crescimento foi considerado o maior da história do setor.
- Neste número estão incluídos veículos como ônibus, caminhões e motos. Considerando apenas automóveis, o crescimento foi de 17,4%.
- Já as vendas de veículos novos, incluindo automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões, cresceram 3% no ano passado, com 2,1 milhões de unidades.
- Os carros zero subiram 8,29% de preço, enquanto os usados subiram 15,07%.
Fonte: Fenauto e Fenabrave