Em meio a tantas perdas para a covid-19, desde 2020 até este ano, e o aumento significativo de novos casos da doença, pela variante Ômicron, um “sopro de paz” pode ser ouvido todos os domingos, às 19 horas, em um prédio no bairro Itapuã, em Vila Velha.
Professor de música, militar da reserva do Exército e criador do projeto “Música na Varanda”, Sérgio Luiz Corbellari, de 60 anos, encantou a internet após um vídeo seu, em que aparece tocando no saxofone o louvor “Noites Traiçoeiras”, do compositor José Carlos Papae, viralizar no Instagram Capixaba da Gema.
“Um morador de um dos prédios próximos gravou um trecho da música “Noites Traiçoeiras” e eu nem vi que ele estava filmando. Ele postou e depois enviou para o perfil Capixaba da Gema e o vídeo está bombando, já tinha mais de 122 mil visualizações! Estou muito entusiasmado com isso que está acontecendo!”, contou Sérgio.
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De acordo com ele, o projeto começou após um pedido de um dos moradores de seu prédio, no início da pandemia, em 2020, quando todos precisaram ficar em isolamento dentro de suas casas.
“Comecei tocando todos os dias, mas, depois de um ano, falei que pararia porque voltaria a trabalhar, dar aulas. São oito prédios aqui no entorno e o pessoal começou a mandar mensagem e ligar pedindo para que eu não parasse. Então, prometi que continuaria, mas que seria todo domingo às 19 horas”, explicou.
Apesar de ter sido “descoberto”, o militar da reserva garante que não deu início ao projeto pela fama e sempre quis manter o anonimato. “Faço de coração, é uma coisa filantrópica, toco músicas evangélicas e católicas também, as mais pedidas são as religiosas até pelo momento que a gente está vivendo”.
“Toco duas músicas e ‘Parabéns Para Você’ para os aniversariantes da semana. Eles mandam mensagens, pedem música, e eu também transmito ao vivo nas redes sociais. São 10 minutinhos, duas músicas só. Às vezes eles até pedem para tocar no trompete, mas é um instrumento muito alto e eu prefiro o saxofone, porque é um som mais suave. Eu penso nas crianças e nos idosos, nos acamados, não quero incomodar ninguém”, contou o saxofonista.
Sérgio explicou que, quando era aluno, aprendeu com um professor que a música é mais do que arte, é um alimento para a alma. Por isso, e por acreditar que as pessoas estão precisando desse estímulo, ele afirmou que vai continuar com o projeto.
“Eu recebo muito carinho, recebi muitos cartões de Natal nesse fim ano. Muita gente agradecendo, pedindo para eu não parar. Tem pessoas que falam que o pai ou a mãe faleceram de covid e gostavam de me ouvir, até levantavam da cama. Depois que comecei esse trabalho parece que a minha vida melhorou 90%, isso tem força e essa força vem de Deus. Eu acredito nisso”, disse o professor de música.
Além de dar aulas de trompete e sax em uma escola particular, o professor realiza trabalhos voluntários com crianças em situação de alta vulnerabilidade social. “Trabalho com crianças em situação de alta vulnerabilidade social em Terra Vermelha, como monitor no projeto do Programa Nacional das Escolas Cívico Militares (PECIM)”.