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VAGAS PELO SISU

Estudante tem cota negada pela Ufes, mas reverte decisão na Justiça

Universitária foi considerada parda em uma graduação e branca na 2ª. Após entrar na Justiça, ela conseguiu a vaga

Última atualização

Aprovada em Direito na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) pelo sistema de cota racial, uma estudante foi impedida, em um primeiro momento, de ocupar a vaga após análise étnico-racial e só conseguiu a matrícula com um recurso contra a decisão, apesar de já ter sido selecionada como parda em outro curso anterior da universidade. 

A universitária, de 25 anos, diz que falta transparência na avaliação e prefere não se identificar, por medo de represálias. Ela ingressou em Direito em 2018, mas já havia cursado uma graduação anterior, quando foi aprovada pela Comissão de Verificação de Autodeclaração Étnico-Racial.

Apesar de ter informado sobre a avaliação da outra matrícula, a moradora de Vitória teve seu pedido indeferido.

Ela buscou direcionamento jurídico com a Defensoria Pública e com a Justiça Federal e foi orientada a reiterar sua história no recurso contra a decisão da comissão. 

Após essa etapa, houve uma revisão que permitiu que ela assumisse a vaga em Direito. “Fui considerada parda no primeiro curso e branca no segundo. Entrei com recurso e provei que já havia sido matriculada pela cota racial antes e, só assim, consegui a matrícula”.

Procurada pela reportagem, a Ufes não respondeu aos questionamentos, como, por exemplo, como funciona a análise étnico-racial e quais questões são consideradas pela comissão. A assessoria de imprensa enviou uma reportagem do site da universidade em que explica a verificação para a política de reserva de vagas para pretos, pardos e indígenas (PPI).


“Negação da identidade”


A Tribuna – Como você avalia os critérios de análise étnico-racial da Ufes?

Estudante – Subjetivos. Na hora da entrevista, é diferente do que é dito pela universidade. É uma análise que parte do pessoal de quem avalia. Não tem respaldo.

Como a negação da sua identidade racial te afetou?

Fiquei extremamente mal. Chorei bastante por não ser aceita por quem realmente sou. Senti que era algo pessoal contra mim. Sempre me identifiquei como parda, venho de uma família multirracial e não faz sentido julgar a minha origem.    

Como foi o processo para conseguir a matrícula?

Precisei entrar com recurso para conseguir a vaga. Foi um processo desgastante emocionalmente. Busquei um advogado, a Defensoria Pública e a Justiça Federal. Ninguém sabia como resolver.

O que sentiu após a análise?

Sou parda e já sofri racismo. Foi um processo em que a outra pessoa se sentiu no direito de negar a minha identidade.

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