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Após meses de desvalorização do real frente ao dólar, a moeda brasileira dá indícios de valorização no primeiro bimestre do ano. Na última quarta-feira (16), a moeda chegou a ser cotada a R$ 5,129, menor valor desde de 29 julho do ano passado.
Apesar disto, especialistas indicam que o movimento de queda é transitório e o dólar não deve chegar a ser cotado abaixo dos R$ 5.
Uma das principais razões para isso, de acordo com o consultor do Tesouro Estadual e membro do Conselho Federal de Economia (Cofecon) Eduardo Araújo são as incertezas provocadas pelas eleições.
“Com o impacto da disputa eleitoral, a gente vai perceber uma alta volatilidade nas taxas de câmbio, que é fortemente influenciada pelas notícias. Durante as eleições, muitas coisas vêm à tona, e isso traz oscilações ao mercado”, destaca.
Entre os motivos da valorização do real neste início de ano, está o aumento na taxa básica de juros por parte do Banco Central. O reajuste foi realizado com intuito de conter a inflação e atrair investimento estrangeiro ao Brasil.
Sócio da Valor Investimentos, Romero Oliveira relata o impacto do aumento da Selic no setor.
“Quando a taxa de juros sobe, os títulos públicos brasileiros passam a ter uma remuneração mais atrativa aos investidores. Aí eles olham para a economia do Brasil e acabam investindo em títulos públicos”, explica.
Além disso, há também a expectativa do progressivo aumento do juros nos Estados Unidos, o enfraquecimento de pautas políticas que afetam a área fiscal e a alta em investimentos de commodities.
O economista Eduardo Araújo também destaca que as consequências da desvalorização da moeda americana são diversas.
“Pessoas que compraram fundos de investimento que acompanham o dólar passam a ter perdas devido a isso. Já quem precisa realizar pagamentos na moeda sai favorecido. Esses terão despesa menor. Vão fazer a conversão do real para o dólar numa situação mais vantajosa”, conta.
Seguindo o entendimento de volatilidade dos especialistas, a moeda norte-americana encerrou o dia na quinta (17) com uma alta de 0,76% em relação à quarta-feira (16), sendo cotado a R$ 5,167 na venda. Essa foi a primeira alta depois de três quedas seguidas.
Estoque impede queda imediata nos preços de produtos
Especialistas afirmam que para os consumidores sentirem o impacto da recente queda do dólar, a moeda precisa operar nesse movimento por um período maior de tempo.
O economista Ricardo Paixão explica que as variações de câmbio têm um tempo de reflexo diferente nos produtos.
“Quando o dólar sobe, os produtos também sobem. Quando ele diminui um pouco, o impacto lá na ponta demora um pouco para chegar”, afirma.
O economista também ressalta que as perdas econômicas provocadas pela pandemia afetam o reajuste positivo ao consumidor.
“A gente acumula perdas. Muitos produtores se recuperam daquelas que tiveram nesses tempos. Às vezes, eles preferem não repassar essa redução já prevendo algum futuro dano”, conta.
Além disso, as mercadorias não são influenciadas pela recente queda porque o varejo trabalha com o sistema de estoque, que atualiza preços conforme é renovado.
SAIBA MAIS
Dólar
- O Brasil é o país onde o dólar mais perdeu valor em 2022.
- A moeda norte-americana teve uma desvalorização de 7,5% no País, segundo a Refinitiv, uma fornecedora global de dados do mercado financeiro.
- No Chile, o dólar caiu 6%; já na África do Sul ficou com uma desvalorização de 5,8%.
- Por outro lado, na Europa, o dólar se valorizou 0,1%. No Reino Unido, 0,4%, e na Turquia, 2,3%.
Motivos
- Um dos motivos dessa desvalorização é a alta da taxa de juros básicos da economia no Brasil, a Selic.
- A Selic estava a 2% em janeiro de 2021. No último mês, foi elevada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para 10,75% ao ano.
- Outra razão é a expectativa de alta gradual do juros nos Estados Unidos.
- Pautas políticas com impactos fiscais perdem força e também afetam a desvalorização do dólar.
- Além disso, muitas commodities — matérias-primas das quais o brasil é exportador — estão em alta, o que favorece a entrada de moeda estrangeira no País.
Câmbio
- Os economistas enxergam na recente queda do dólar uma oportunidade para quem está precisando comprar a moeda, em virtude de uma viagem, por exemplo.
- Sócio da Valor Investimentos, Romero Oliveira recomenda aos interessados fazerem a compra da moeda de forma fracionada.
- Desta forma, é possível dar conta de um preço médio, conforme o fluxo que ela possa apresentar. E ainda não perde futuras quedas.
Fonte: Especialistas consultados e pesquisa AT