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“Ela queria ser advogada para defender as mulheres”, diz mãe de estudante morta

A estudante de Direito Júlia Glaucia foi vítima de bala perdida na noite do último sábado (19)

A diarista Maria das Graças Ribeiro segura o celular com foto da filha Júlia: “Arrancaram um pedaço de mim”

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Alegre, carinhosa, guerreira, mulher forte e de bom coração são alguns dos adjetivos usados pela mãe da universitária Júlia Glaucia Ribeiro Pereira, 31 anos, vítima de bala perdida, na noite do último sábado (19), na praça do bairro Ibes, em Vila Velha, para descrever a filha. 

Depois de ter passado por uma situação de violência doméstica, a estudante de Direito carregava consigo um grande sonho: ser advogada para defender as mulheres.

O plano de se tornar advogada foi compartilhado muitas vezes com a mãe dela, a diarista Maria das Graças Ribeiro, de 63 anos, quando a universitária dava ainda os primeiros passos no ramo do Direito. 

“Era o maior sonho dela. Já foi vítima de violência doméstica, quando um rapaz com quem ela se envolveu judiou dela e a agrediu. Daí, ela sempre dizia: ‘Mãe, eu quero terminar a faculdade para ajudar essas pessoas’. Ela era muito generosa”.

Júlia Glaucia morava em Ibatiba, na Região do Caparaó, no Estado. Há dois anos, ela decidiu abandonar a vida pacata em sua cidade natal e veio para a Grande Vitória, onde daria início ao seu sonho. Há cerca de um ano, ela passou a morar no Ibes, onde acabou perdendo a vida.

“Minha filha era uma menina alegre, guerreira. Quem fez isso com ela, destruiu uma família inteira. Arrancaram um pedaço de mim. Essa insegurança precisa acabar. Hoje sou eu quem choro, mas amanhã pode ser outra mãe. Quero justiça”, implorou a mãe da estudante.

Mesmo em um momento de dor, a diarista encontrou forças para falar sobre a atitude dos assassinos e do tamanho da destruição que o tráfico de drogas causa na vida das famílias. 

“Não tenho raiva dessas pessoas que fizeram isso com minha filha. Claro que eu quero justiça, e eles vão pagar por isso, mas peço a Deus para que saiam do mundo do crime”.

Segundo a polícia e moradores, a região vem sendo palco de constantes tiroteios, promovidos por traficantes rivais dos bairros Santa Mônica e Ibes, que disputam pontos de drogas.

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Júlia Glaucia Ribeiro Pereira

  • Tinha 31 anos. 
  • Cursava o 4º período de Direito. 
  • Tinha dois filhos, de 9 e 12 anos. 
  • Era natural de Ibatiba, na Região do Caparaó. 
  • Veio para a Grande Vitória há dois anos, com o sonho de estudar e trabalhar.
  • Desejava advogar para mulheres vítimas de violência doméstica. 
  • Estava solteira e iria começar a trabalhar em uma empresa na próxima semana, como atendente.

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