Uma loja do Grupo Zema, da família do governador de Minas Gerais, Romeu
Zema (Novo), em Brumadinho, foi notificada pela prefeitura por colocar à
venda roupas e sapatos sujos de lama. A vigilância sanitária do
município afirmou que os produtos poderiam provocar infecção e doenças.
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Brumadinho é a cidade onde, em 25 de janeiro de 2019, 272 pessoas
morreram depois do rompimento de uma barragem de rejeito de minério de
ferro da Vale.
A notificação aconteceu na manhã desta quinta-feira (10) depois de
denúncia feita à prefeitura. Já na noite desta quarta-feira, no entanto,
imagens das roupas dentro da loja já circulavam pelas redes sociais.
A vigilância sanitária municipal informou ter recolhido 179 peças de
roupas e 42 pares de sapatos. Ainda segundo a prefeitura, os produtos
foram levados para aterro e descartados “de maneira segura” por
apresentarem risco de infecção e doenças.
O Grupo Zema afirma que a filial de Brumadinho assim como outras em
Minas Gerais e na Bahia foram atingidas por enchentes em janeiro e
fevereiro, o que ocasionou perda de produtos em estoque.
O grupo negou que os produtos estivessem à venda.
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“Na filial de Brumadinho, os produtos já tinham sido baixados no
estoque, e estavam sendo organizados para serem enviados para Matriz em
Araxá, para avaliação, separação e definição do destino”, diz nota do
grupo.
O texto acrescenta que “devido a dificuldade de espaço do imóvel e
quantidade de produtos danificados pela enchente, alguns estavam
alocados no salão de vendas, mas não estavam com preço ou disponível
para comercialização”.
Ainda conforme a nota, “em todos os casos de produtos danificados
parcialmente, é procedimento da empresa realizar a baixa do estoque para
que não seja mais colocado à venda, e quando possível e permitido,
realizamos a doação desses produtos, e quando os mesmos não estão em
estado de utilização é feito a inutilização”.
Segundo a prefeitura, as roupas estavam disponíveis para venda. A
notificação feita à loja afirma que, em caso de reincidência, o
estabelecimento será multado e poderá ser interditado.
As enchentes na cidade ocorrem em caso de elevação do nível de água do
rio Paraopeba, que corta o município. O curso d’água é o que foi poluído
pela lama de rejeito de minério de ferro que desceu da barragem quando a
estrutura se rompeu em 2019.
Os impactos ambientais foram registrados ao longo de aproximadamente 250
quilômetros, entre Brumadinho e Pompéu, onde o rio se encontra com o
lago da barragem da represa de Três Marias, região central de Minas
Gerais.
“Essa lama que sujou as roupas é proveniente do rompimento da barragem. O
rio Paraopeba cuspiu a lama. É essa lama que tirou a vida de 272
pessoas. E ainda querem lucrar com isso”, afirma o dirigente do MAB
(Movimento dos Atingidos por Barragens) Santiago Matos. O prefeito da cidade é Avimar de Melo Barcelos (PV), que não figura entre aliados do governador.
Grupo Zema O mergulho da família Zema, que tem raízes em Araxá (MG), no
Alto Paranaíba, teve início em 1923 quando o bisavó do governador Romeu
Zema, Domingos Zema, abriu uma loja de peças para carros. O pai do
governador, Ricardo Zema, assumiu o comando da loja em 1961.
Em 1976, a família entrou também na área de varejo de eletrodomésticos,
hoje o maior do grupo. Hoje o conglomerado vende outros produtos como
roupas, celulares e equipamentos de informática. O grupo atuou ainda no
setor de combustíveis. O governador Zema deixou posto de comando no
conglomerado em 2016.
A assessoria do governador Romeu Zema ainda não respondeu ao contato feito pela reportagem.