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Polícia

Caso Henry: Jairinho se cala e Monique narra agressões e ameaças

O ex-vereador Jairo dos Santos Júnior, o Dr. Jairinho, se calou na audiência de interrogatório sobre a morte do menino Henry Borel, realizada nesta ...

Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do menino Henry Borel, deixa a delegacia após prestar depoimento sobre a morte do menino de 4 anos.

Última atualização

O
ex-vereador Jairo dos Santos Júnior, o Dr. Jairinho, se calou na
audiência de interrogatório sobre a morte do menino Henry Borel,
realizada nesta quarta-feira (9). Na mesma sessão, Monique Medeiros, mãe
do garoto, depôs por mais de 10 horas e relatou agressões físicas do
ex-namorado e ameaças de morte que estaria sofrendo na cadeia.

 













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Os interrogatórios foram realizados pela
juíza Elizabeth Machado Louro, da 2ª Vara Criminal da Capital. A
audiência começou por volta de 11h com o interrogatório de Jairinho, que
optou por permanecer em silêncio, direito previsto constitucionalmente.

Ele afirmou não se sentir preparado para
falar e disse que aguarda o acesso a documentos, como exames, imagens do
hospital e do Instituto Médico Legal (IML) e folhas de prontuário, para
que venha a se manifestar posteriormente. A defesa de Jairinho
solicitou que não fossem feitas imagens do réu durante seu depoimento.

Em seguida, Monique fez uma retrospectiva da
sua vida, contando fatos, de modo cronológico, da sua criação em Bangu,
suas atividades profissionais até seu relacionamento com Jairinho,
passando pelo seu casamento com Leniel Borel, pai do menino, e pela
crise vivida pelo ex-casal após o nascimento de Henry.

Em seu interrogatório, Monique relatou
agressões cometidas contra ela por Jairinho, citando episódios de
violência física, verbal e psicológica. Segundo ela, Jairinho chegou a
lhe enforcar em determinada ocasião, por um episódio de ciúmes. Da mesma
forma, quando ambos tinham relacionamento sexual, também havia atos de
enforcamento por parte dele.

Monique relatou também que Jairinho por
vezes colocava, de forma furtiva, comprimidos em sua bebida, para que
ela dormisse. “Teve um episódio que eu vi o Jairinho macerando um
comprimido na minha taça de vinho. Perguntei para ele por quê. Ele disse
que era para eu poder dormir com ele, quando também ele tomava
comprimidos.” Segundo Monique, na noite em que Henry morreu, na
madrugada de 8 de março de 2021, ela estava dormindo e foi acordada por
Jairinho, dizendo que havia escutado um barulho no quarto onde o menino
dormia.

“Ele me acordou, disse que ouviu um barulho,
que o Henry caiu no chão. Ele estava descoberto, imóvel, com os olhos
olhando para o nada e a boca aberta. As mãos e os pés do Henry estavam
geladas. O Jairinho disse que tinha que levar ele para o hospital. Na
minha cabeça, o meu filho estava vivo o tempo todo.”

Ameaças

Ela relatou à juíza que está sendo ameaçada
de morte na cadeia por outras presas. Da mesma forma, disse que uma
agente penitenciária a pressionou, dizendo que ela devia respeitar o pai
de Jairinho, deputado estadual Coronel Jairo, que tem forte influência
na zona oeste do Rio. Também, segundo Monique, uma advogada a procurou
na cadeia e pediu que ela combinasse prestar um depoimento semelhante ao
de Jairinho, sob ameaça de que “sua cabeça estaria a prêmio.”

A sessão se encerrou às 22h, com perguntas
feitas pela defesa de Jairinho, mas que não foram respondidas por
Monique, por orientação de sua defesa. Após os interrogatórios, a juíza
decidirá se Monique e Jairinho irão a júri popular.

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