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VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO

“O irmão chama por ela até hoje”, diz mãe de jovem morta em acidente

Amanda Marques, de 20 anos, foi morta ao ter a moto em que estava atingida por um veículo em Vila Velha

Renata Aparecida Marques pede justiça em nome da filha Amanda

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A palavra “saudade” nunca fez tanto sentido na vida da dona de casa Renata Aparecida Marques, de 41 anos. Há praticamente um ano, ela chora a partida prematura da filha, a balconista Amanda Marques, de 20 anos, morta ao ter a moto em que estava atingida por um veículo na avenida Darly Santos, em Vila Velha.

Na época do acidente, o condutor do carro, Wagner Nunes Paulo, foi autuado em flagrante por homicídio culposo na direção de veículo automotor e levado para o Centro de Detenção Provisória de Viana II, onde permanece aguardando o julgamento. 

Além de dor, a morte da jovem provocou muitas mudanças na vida de seus familiares, principalmente em relação à saúde. 

“Hoje eu faço uso de remédios. Desenvolvi depressão. O irmãozinho dela de 4 anos sente muita falta e sempre chama por ela. Mexeu com todos”, revelou a mãe de Amanda, que contou mais detalhes de como está a vida depois da perda da filha.

A Tribuna –  Como está toda a família?

Renata Marques –  Eu vivo através de remédios para tudo, minha vida mudou completamente. Esse cara acabou com três famílias: com a minha família, a do pai dela e a dela, porque ela iria se casar. Ele (motorista) tirou os planos e os sonhos dela.

E os irmãos dela, como estão?

Meu filho de 4 anos sofre muito. Ele chama pela irmã e fala: “Cadê a irmã?” Como vou explicar que a irmã dele não está mais aqui? Eu falo que ela virou estrelinha.

Como era sua filha?

Ela tinha acabado de fazer 20 anos. Era linda, educada, trabalhava como balconista… ia fazer faculdade em julho do ano passado. Tinha o sonho de cursar Fisioterapia. Ia se casar em setembro (choro).

Quando a senhora fala dela, quais são os seus sentimentos?

Saudade, dor, tristeza. É uma dor que nunca vai passar. Sei que as lembranças vão ficar… passei Natal, Ano Novo, sem minha filha. Daqui a pouco vem o aniversário dela e como que a gente faz? A gente não pode ver. Só tenho as fotos, os objetos dela, e isso me dói.

O que a família deseja daqui para frente?

O que a gente quer é que ele (motorista) não saia da cadeia. Queremos a condenação dele.

Que pena ele merece pegar?

Queremos a pena máxima para ele. Mas, mesmo que pegue 60, 70, 80 anos, um dia ele vai sair da cadeia, mas minha filha nunca mais volta. A nossa dor nunca vai passar. A dor da perda de uma mãe é única, só a gente sabe.

A senhora viu o réu durante a audiência?

Sim. Ele é muito debochado, frio. Não demonstrou arrependimento em hora nenhuma. Ele fala que não estava em alta velocidade. Se não estivesse em alta velocidade, o airbag do carro não tinha acionado. A moto que minha filha estava deu perda total. Testemunhas nos contaram que ele, em frente ao corpo da minha filha, disse que aquilo “não ia dar em nada para ele”.

Se a senhora pudesse falar algo para ele, o que falaria?

Eu faria uma pergunta: “O que passou pela sua cabeça em dirigir um carro bêbado e tirar a vida da minha filha? Você não tem coração, não se arrepende?”

E para as pessoas que cometem infrações no trânsito?

Para se colocarem em nosso lugar, mesmo que só por um minuto. Porque a gente sofre o resto da vida. E se acontecer com seu filho ou alguém que você ama? Já pensou sentir saudade dessa pessoa e só poder matar essa saudade com foto, objetos? Não é fácil.

Como você resume a vida da sua família hoje?

Hoje a gente não vive. A gente vegeta. Gerei uma filha por nove meses, fiz de tudo por ela, para chegar alguém e me tomá-la assim.

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