Apesar do ensino médio ser obrigatório em todo o País, ainda há cerca de 20% dos jovens brasileiros que não têm acesso a esse ensino, de acordo com uma pesquisa da Unesco.
No Estado, a estimativa representa 55,9 mil jovens, considerando que há 279.532 adolescentes de 14 a 18 anos no Espírito Santo, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para os especialistas, o número é alto e tem grandes impactos no desenvolvimento de habilidades dos jovens e no futuro dessa geração.
Um dos possíveis motivos para jovens não frequentarem a escola nessa faixa etária é que muitos sentem a necessidade de trabalhar, para obter o próprio sustento ou ajuda familiar, segundo a doutora em Educação Edna Tavares.
|
Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Estilo:
Ela destaca que esse é apenas um dos motivos. “A pandemia só agravou o que já era decorrente. Para além das questões socioeconômicas, esse jovem se depara quase sempre com uma ‘escola fria’, onde falta acolhimento e um programa que faça sentido na vida dele”.
“A escola, de modo amplo, necessita acolher, encantar e fazer o aluno se sentir protagonista. Os projetos devem ser constantes e contextualizados com os interesses dessa faixa etária. Os adolescentes e jovens estão sedentos de ações pedagógicas que os envolva e os motivem a estudar”, completou.
A doutora em Educação Cleonara Maria Schwartz também ressaltou que demandas externas influenciam no abandono escolar.
“Essa juventude que deveria estar na escola e não está precisa de cautela e políticas, que não são apenas no campo da educação, são políticas sociais e econômicas, de geração de emprego e renda para os responsáveis desses jovens. Muitos deles desistem da escola porque têm de trabalhar”, disse.
Já o especialista em Avaliação de Sistemas Educacionais Edebrande Cavalieri pontuou que a geração que não conseguiu concluir o ensino médio tem baixa qualificação educacional e está fadada, em muitos casos, ao desemprego.
“Por outro lado, isso também representa as dificuldades que as escolas enfrentaram, principalmente nos últimos anos, para garantir a permanência dos alunos. Uma escola que não atrai e não motiva tende a aumentar a evasão escolar”.
SAIBA MAIS
A pesquisa
- Uma pesquisa realizada pela Unesco mostrou que somente 80% dos jovens brasileiros chegam ao ensino médio. Dessa forma, 20% dos jovens não têm acesso ao ensino médio no País. O estudo está presente no relatório da instituição, chamado “Reimaginar nossos futuros juntos”, que será lançado nesta quinta-feira, 28.
- Quando o dado é regionalizado para o Espírito Santo, a estimativa é de que 55,9 mil jovens não tenham acesso ao ensino médio. Isso porque o Estado apresenta 279.532 adolescentes de 14 a 18 anos, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Monitoramentos
- A Secretaria de Estado da Educação (Sedu) informou que realiza o monitoramento das crianças e jovens potencialmente fora da escola ou em risco de abandono escolar.
- O procedimento é feito pela Busca Ativa Escolar, do Programa Todos na Escola. Na rede estadual, houve uma coleta de dados durante contato com as famílias, com foco na identificação dos motivos do não retorno à escola.
- Durante os cinco monitoramentos realizados na rede estadual, 17 mil alunos que estavam na escola e que poderiam desistir no ano letivo foram monitorados. Também foram monitorados 2.500 estudantes que estavam fora da escola. Os resultados estão em fase de análise.
Importância de concluir o ensino médio
- Além de ser obrigatória a conclusão do ensino médio no Brasil, por esse ensino ser a última etapa da educação básica, terminar o ensino médio traz diversos benefícios.
- Um deles é a facilidade de acesso à entrada no mercado de trabalho, já que a maioria das profissões tem esse pré-requisito. Atualmente, o desemprego é um problema recorrente, que se agrava sem o ensino básico.
- Ao concluir o ensino médio, também é possível ter acesso ao ensino superior e a uma universidade. Quem não o conclui fica alheio a um direito universal e automaticamente não pode fazer uma faculdade.
- Ele também permite o desenvolvimento de habilidades e capacidades específicas, como autonomia e pensamento crítico, trabalhadas em todas as etapas do ensino básico.
Fonte: Unesco, Secretaria de Estado da Educação (Sedu) e especialistas consultados.