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LUTO

“Sonho dela era ser policial militar”, diz mãe de jovem que passou mal em festa rave

Maria Rosemary falou dos sonhos da filha, a estudante Adrielly Duarte de Oliveira, de 16 anos

Maria Rosemary e a foto da filha

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Horas após ser obrigada pelo destino de participar do que descreve como a pior missão de sua vida, sepultar o corpo da filha caçula, a cozinheira Maria Rosemary Duarte Bonomo, de 44 anos,  recebeu a reportagem na casa da sua família, no Estado.

Emocionada em alguns momentos, Maria Rosemary falou dos sonhos da filha, a estudante Adrielly Duarte de Oliveira, de 16 anos. O principal: ser policial militar.

A Tribuna – De que forma recebeu a notícia que a sua filha caçula tinha morrido?

Maria Rosemary Duarte Bonomo – Eu estava em casa, em Minas Gerais, e fiquei desesperada ao ser comunicada, não queria acreditar que aquela notícia era verdadeira. 

Eu caí no chão, dava soco e dizia que era mentira. Eu perdi a minha mãe há oito meses, estou em depressão por causa disso, e agora a minha filha. Tomo remédios por causa dessa depressão.

Corri, peguei as minhas coisas, paguei R$ 1 mil para vir de carro até o Espírito Santo, onde infelizmente descobri que, de fato, a minha filha estava morta e que eu não poderia fazer mais nada para ela voltar. Era tarde demais.

Quem era a Adrielly para a senhora? 

Ela era uma filha fantástica, com gênio um pouco forte, como eu. Ela dava uma resposta e eu outra, mas a gente conversava e ficava tudo bem.

Ela era carinhosa, mexia no meu cabelo, adorava lixar os dedos dos meus pés, pois estava aprendendo a fazer unhas. Paguei o curso e ela aprendeu a fazer unhas de gel.

Adrielly sempre foi uma menina sonhadora. Ela queria terminar o ensino médio, fazer supletivo, para realizar os seus sonhos.

Quais sonhos?

O sonho da minha filha era ser policial militar, mas, infelizmente, ela não poderá realizar. Foi impedida de realizar.

Sua filha bebia, usava drogas?

A minha filha não fumava cigarro, acho que colocaram alguma coisa na bebida dela, pelo amor de Deus. Não dá para acreditar que isso aconteceu. 

Quero Justiça! Hoje somos nós que estamos chorando, mas amanhã pode ser qualquer um se nada for feito para evitar que essas festas aconteçam. Sei que nada vai adiantar, que a minha filha não vai voltar, mas quero que os responsáveis paguem.

Não quero que a morte da minha filha fique impune. Minha filha foi dopada, devem ter colocado droga na bebida dela. 

Eles fazem as festas, ganham o dinheiro deles e nós ganhamos luto. Hoje (terça-feira, 26) eu desmaiei dentro de um cemitério ao me despedir da minha filha. Quantas pessoas vão precisar morrer para ter mais controle nesse tipo de festa, mais fiscalização?

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