Em sua evolução acelerada, a tecnologia oferece para a medicina tratamentos cada vez mais modernos. Os especialistas acreditam que o próximo avanço na área da saúde serão os órgãos impressos em 3D, o que vai diminuir as filas de transplantes no mundo inteiro.
“Um avanço importante é a impressão de órgãos 3D. Há também a utilização de próteses, tanto para substituir parte de órgãos quanto para melhorar o funcionamento de alguns sistemas do corpo. Tudo isso a tecnologia vem nos favorecendo”, ressalta o cardiologista e médico do esporte Carlos Portela.
A impressora 3D já é usada no Estado para produção de talas ortopédicas, no lugar do gesso ou de talas tradicionais, por exemplo, no Hospital Santa Rita.
Em alguns lugares, a impressora 3D já desenvolve algumas próteses, e a expectativa é de que em alguns anos ela já produza órgãos.
Este avanço está relacionado com a saúde 4.0, como ressalta a presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Zeliete Zambon. “A impressão em 3D poderá levar a transplantes de órgãos artificiais e fazer a fila de transplantes andar mais rápido e salvar mais vidas”.
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Já o urologista Marcelo Lamy destaca que, depois da chegada do robô Davi, a aquisição do robô Da Vinci Xi possibilitou aos pacientes a melhor tecnologia no mundo para diversos tumores, como de próstata e rins, entre outros.
“Ele faz cirurgias com movimentos precisos e com imagem 3D e full HD. O paciente tem mais chance de não ficar com disfunção erétil, por exemplo, no caso da cirurgia de próstata”.
O médico destaca que quando seu pai, o também urologista Márcio Lamy, começou a realizar operações de próstata, não havia nem o exame do PSA, que pode indicar câncer. “Então, naquela época, ele operava, muitas vezes, o tumor avançado. Hoje, evoluímos porque já temos a colaboração do robô”.
Segundo o coordenador científico da Hospitalar Hub, Guilherme Hummel, a internet 5G, que chega ao Brasil este ano, também é uma das responsáveis pela evolução dessa tecnologia.
“A alta velocidade da 5G, com o crescimento da consulta médica virtual, e as roupas dotadas de sensores integrados à inteligência artificial vão ajudar no diagnóstico à distância, possibilitando aos pacientes sentirem o toque médico a quilômetros”.
Estudos genéticos são esperança
O sequenciamento do genoma humano, descoberto nos anos 1990, tem ganhado novas tecnologias e esforços mundiais em pesquisas. Isso trouxe espaço para diagnósticos mais específicos e tratamentos personalizados que envolvem tecnologias e se tornam esperança para combater várias doenças.
Entre as inovações estão as técnicas de edição gênica, desenvolvimento de drogas terapêuticas alvo-específicas, vacinas de RNA, como os imunizantes contra a covid-19, entre outros. É o que afirma a coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Fleury Maria Carolina Tostes Pintão.
“O diagnóstico baseado em informações genômicas já é uma realidade e tende a se tornar cada vez mais preciso e informativo”.
Na era da medicina personalizada, a análise do perfil genético tumoral, por exemplo, se torna cada dia mais crucial para o direcionamento do tratamento do câncer, com as chamadas terapias-alvo, conforme explica o oncologista da Rede Meridional, Fernando Zamprogno.
“Com o diagnóstico genético, o médico pode adotar medidas mais adequadas para o paciente, implementando, quando possível, medidas que previnem o câncer ou que favorecem o diagnóstico mais precoce”, afirma o médico.
Com a identificação do gene específico fica mais fácil entender o problema que originou a patologia. “O conhecimento que está sendo adquirido com o tempo, quem sabe no futuro poderemos tratar essas variações precocemente”, observa o diretor médico do Cremasco Medicina Diagnóstica Enrico Miguel Stucchi.