A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) volta às aulas presenciais nesta segunda-feira (18), após praticamente dois anos de ensino remoto. Estudantes e servidores dos campus de Goiabeiras e de Maruípe, no entanto, reclamam de problemas de infraestrutura.
O jornal A Tribuna recebeu denúncias de goteiras, infiltração, reformas inacabadas e problemas de acessibilidade. Uma equipe de reportagem enviada à Ufes, em Goiabeiras, atestou os problemas, principalmente no Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE).
Nos prédios ED VI e ED VII, foram encontradas marcas de infiltração e baldes para conter goteiras, problemas de acabamento em salas de aula, dezenas de cadeiras amontoadas em corredores e itens de obras espalhados.
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Uma funcionária do campus de Goiabeiras, que preferiu não se identificar, contou que os problemas são em prédios novos e lamenta por, após dois anos, o retorno presencial das aulas acontecer com condições de infraestrutura precárias.
“Já são dois anos de pandemia e o CCJE permanece com problemas. Com o retorno presencial, a universidade corre contra o tempo para adequar os espaços. Os problemas já são crônicos em alguns prédios. São prédios novos e com problemas”.
Um estudante de Enfermagem, que também preferiu não se identificar, conta que o campus de Maruípe também enfrenta problemas de infraestrutura.
Em um documento de 27 de agosto de 2021, representantes de centros acadêmicos dos cursos de Maruípe demandam ao reitor da Ufes, Paulo Vargas, e ao diretor do Centro de Ciências da Saúde, Helder Mauad, melhorias em diversos âmbitos.
Na infraestrutura, os estudantes destacam as necessidades de drenagem pluvial nas áreas mais baixas do campus, de ampliação dos espaços de vivência e de refeição, de criação de uma quadra poliesportiva, além da construção de rampas, do conserto de escadas e da colocação de corrimões para melhorar a acessibilidade dos espaços, dentre outras demandas.
“Algumas das reformas foram feitas na pandemia, mas ainda há problemas de acessibilidade nas calçadas e locais sem rampa. Não dá para acessar o prédio da clínica escola do CCS quando chove por causa da lama”, afirma o estudante.
Recurso limitado, diz universidade
A Ufes alega limitação de recursos e informa que, apesar disso, realizou diversas obras de manutenção nos espaços externos e internos durante a pandemia, de acordo com uma priorização de necessidades.
Alguns dos espaços reformados foram a Biblioteca Central e outras bibliotecas setoriais, passarelas e calçadas, telhados, espaços de convivência dos Centros de Ensino, o Restaurante Universitário e espaços administrativos, de acordo com o superintendente de infraestrutura, Alessandro Mattedi.
“A Ufes é gigante e, com certeza, irão encontrar problemas. Temos diretrizes para manutenção, com intervenções em problemas em banheiros, janelas e pintura. Alguns prédios têm mais de 50 anos e, somente agora, estão sendo reformados”, observou.
O superintendente conta, ainda, que há um processo de reestruturação da infraestrutura em andamento e que, ainda com recursos limitados, a universidade realizou adaptações para o retorno às aulas presenciais.
“Temos limitação de recursos e economizamos na pandemia para fazer as manutenções. Foi um período em que pudemos realizar algumas intervenções. Não temos equipe e recursos para fazer tudo (as reformas) de uma vez, mas os projetos estão sendo implementados”.
A partir de segunda-feira, com o início das aulas do semestre letivo de 2022/1, mais de 20 mil estudantes voltam a frequentar os espaços físicos nos campus da Ufes.
Alessandro Mattedi reconhece que há “problemas (de infraestrutura) crônicos, de 5 a 10 anos” na universidade e reitera que há manutenções em andamento nos prédios dos campus.