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ECONOMIA

Postos na Grande Vitória dizem que só têm gasolina até sexta-feira

Empresários dizem que demora na entrega por navios é uma forma de controlar a oferta de combustíveis e temem ficar com bombas secas

Última atualização

A crise no abastecimento em postos do Estado pode estar perto da escassez de combustíveis. É que a gasolina e o diesel descarregados no Porto de Vitória no último sábado, 16, devem durar só até sexta-feira, 22, podendo faltar a partir de sábado, 23.

De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindispostos-ES), no último sábado, 16, chegaram 15.500 toneladas de gasolina, e outras 9.300 toneladas de diesel.

O sindicato informa que a quantidade de gasolina é suficiente apenas para sete a 10 dias, o que implicaria na falta deste combustível a partir de, ao menos, sexta-feira, 22.

Já o diesel, que chegou no mesmo dia, dura entre três e cinco dias, segundo estimativa do Sindipostos.

Com tamanha dificuldade no abastecimento de postos de combustíveis, e pouca quantidade que chega ao Porto de Vitória, postos podem estar ficando sem gasolina e diesel por conta de racionamento.

Assim a distribuição para mais postos fica limitada, ainda que em menor quantidade, para pelo menos manter o abastecimento em mais municípios.

O outro ponto que contribui para que os postos sejam abastecidos mais rapidamente é a demanda no Porto de Vitória. A Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), informou que há as previsões de chegadas de navios com combustíveis, mas que o descarregamento ocorre em ordem de chegada.

Segundo a Codesa, a chegada do próximo navio com gasolina e diesel está prevista justamente para sexta – caso haja qualquer atraso, é quando o Estado pode ter que racionar combustível, uma vez que o que chega por terra não é suficiente, segundo donos de postos.

Em nota, a Codesa reforçou que não há atrasos no Porto, e que inclusive, desde o ano passado, a descarga tem acontecido com mais agilidade.

“Não há atraso. Há uma programação prévia sobre as embarcações que chegarão, mas prevalece a lógica: quem chega primeiro. Não temos atraso na operação. Pelo contrário, encerramos 2021 com ganhos de prancha (descarga mais rápida) e redução do tempo de operação”, informou.

Escassez já prejudica empresas de pequeno porte

A falta de combustíveis em alguns postos, e a possibilidade de ficar ainda pior nos próximos dias, já deixa os setores industrial e do comércio em alerta, principalmente as empresas de pequeno porte, que sofrem mais rapidamente os impactos. 

Ainda assim, representantes desses dois setores apostam somente na falta pontual de combustíveis. O diretor da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Fernando Otávio, disse que as pequenas empresas, por não terem contratos fixos iguais as grandes empresas, já estão sentindo o reflexo. 

“Temos a preocupação em relação aos combustíveis e se o abastecimento vai continuar fraco. As empresas menores precisam de abastecimento diariamente, para entregas, transporte de funcionários, abastecimento de insumos. Então pequenas empresas já estão sendo afetadas, tendo problemas no faturamento, entrega e produção”, revelou Fernando Otávio. 

Já o diretor da Fecomércio-ES, José Carlos Bergamin, disse que houve uma retração do consumo no último mês, e que o estoque está dentro do normal. “Nossos planos de contingência ainda não estão sendo usados”, afirmou Bergamin.

Sindicato culpa mau tempo

Com a garantia de que não há atrasos por parte do Porto de Vitória no descarregamento dos combustíveis quando chegam ao Estado, outro fator apontado, desta vez pelo Sindicato de Empresas de Transportes de Cargas Líquidas, Inflamáveis Gasosas, Corrosivas, Químicas e Petroquímicas (Sindliques-ES) é o mau tempo em alto mar. 

De acordo com o presidente, Joceny Scheidegger Callenzane, o mau tempo tem atrasado a chegada dos navios, o que por consequência atrasa o descarregamento e a distribuição, em efeito dominó. Além disso, o combustível que chega por terra não é suficiente.  

“O principal problema hoje se chama tempo. O navio não está atracando. O mar está muito agitado desde semana passada e está atrasando para atracar na hora de sair do alto mar para entrar no Porto. As transportadoras até estão fazendo transporte rodoviário, mas apenas isso não dá conta da demanda”, explicou o presidente do Sindliqes.

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