- Vitória, ES 23°C

Vitória 23°C

Anúncio
ERRO MÉDICO

Mãe recebe R$ 20 mil de indenização por infecção após o parto

Mulher de 32 anos teve quadro grave de infecção, provocado por resíduos de placenta e fezes, depois de uma cesariana

Maternidade de Carapina

Última atualização

 













|













Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Estilo:



 

Uma mulher de 32 anos deverá receber uma indenização de R$ 20 mil por ter desenvolvido um quadro de infecção grave, provocado por resíduos de placenta e fezes, depois de um parto cesariano realizado na Maternidade de Carapina, na Serra.

Com a situação, a Justiça constatou negligência no procedimento. A Prefeitura da Serra irá responder pela falha na operação.

O caso, que aconteceu em agosto de 2015, passou pela 1ª e pela 2ª Instâncias e teve a sentença proferida pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) terça-feira, 26. 

Segundo o processo, quatro dias após receber alta da maternidade, a paciente procurou por outro hospital, onde foi constatada a infecção e precisou ficar internada por dois meses. Na época, a vítima sentiu tonteira, febre, dores pelo corpo, cansaço e desânimo.

Relator do processo, o desembargador Carlos Simões Fonseca entendeu que, independentemente se os profissionais agiram com dolo ou culpa (com ou sem intenção), a paciente deve ser indenizada pelo ato ilícito ocasionado.

A advogada civilista Kelly Andrade explicou que todo procedimento de saúde possui risco, mas que o caso trata-se de erro médico.

 













|













Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Estilo:



 

“O erro médico se configura quando, por negligência, imprudência ou até mesmo imperícia, o médico causa danos ao paciente”, ressaltou a especialista.

Kelly pontuou que casos de erro médico são comuns na Justiça, devido à ampliação do acesso à saúde pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou por planos de saúde, o que gera um número maior de ocorrências de procedimentos e mais riscos de ações danosas.

Segundo o advogado especialista em Direito Médico e da Saúde Décio Oliveira, nos últimos anos houve uma aumento relevante da judicialização de casos envolvendo o chamado erro médico.

O especialista explicou que, como o caso ocorreu na rede pública municipal, o município foi responsabilizado pela negligência. Segundo ele, o médico que realizou o parto também pode ser punido.

“Cada caso deve ser analisado individualmente, mas no mesmo processo. Nesses casos, depende se o representante da paciente pediu a responsabilização do médico, e ao final, se o juiz reconhecer a responsabilidade solidária, o município e o médico devem arcar com a indenização em conjunto”.

Febre, fraqueza e dor são sinais de problema

Entre os principais sinais de infecção pós-parto, considerando parto normal e cesariana, estão febre, fraqueza, diminuição do apetite e dor abdominal intensa, de acordo com médicos obstetras.

No caso do procedimento cesariano, as mulheres devem ficar atentas também à saída de secreção na ferida operatória, calor e vermelhidão no local do corte.

“Caso isso aconteça, deve-se retornar à maternidade em que o parto foi realizado”, alertou a ginecologista e obstetra Bianca Perez Serrão.

A médica explicou que o risco de qualquer infecção é a infecção generalizada. Por isso, destacou que é importante identificar o quanto antes qualquer infecção na puérpera (mulher com parto recente), para tratar antes que se agrave.

Apesar disso, o ginecologista e obstetra Lucas Donateli pontuou que casos de infecção pós-parto por fezes do bebê são incomuns.

Geralmente, os casos de infecção que acontecem são decorrentes do corte cesariano. Também são mais comuns infecções por restos de placenta e da bolsa amniótica.

Ele explicou que logo após o parto, tanto normal quanto cesáreo, a placenta precisa ser expulsa, espontaneamente ou pela cirurgia, no caso da cesariana.  

“Na maioria das vezes, a placenta sai inteira. Ocasionalmente, pode ficar algum resto. A placenta é algo muito ‘sensível’ e pode se desfazer um pouco, se fragmentar. É muito difícil isso acontecer, mas pode”, explicou.


SAIBA MAIS


Dois meses no hospital

  • Uma mulher desenvolveu um quadro de infecção grave, provocado por resíduos de placenta e fezes, depois de um parto cesariano realizado na Maternidade de Carapina, na Serra. O caso aconteceu em 2015.
  • Depois de quatro dias que recebeu alta da unidade, a paciente procurou outro hospital, onde foi diagnosticada a infecção. Ela contou que sentiu tonteira, febre, dores pelo corpo, cansaço e desânimo, e que a situação foi tão grave que precisou ficar internada por dois meses.
  • A paciente entrou com uma ação na Justiça e ganhou a causa, conforme sentença proferida pela Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). Com isso, deverá receber uma indenização de R$ 20 mil do município.
  • O caso foi considerado erro médico, e a Justiça constatou negligência no procedimento.

Infecção pós-parto

  • Os casos mais comuns de infecção pós-parto são decorrentes do corte no parto cesariano. Situações ocasionadas por restos de placenta e da bolsa amniótica também acontecem, mas com menos frequência.
  • Entre os sintomas principais, considerando parto normal e cesáreo, estão febre, fraqueza, diminuição do apetite e dor abdominal intensa. No caso do parto cesariano, também pode haver a saída de secreção na ferida operatória, calor e vermelhidão no local do corte.
  • O principal risco das infecções, inclusive as pós-parto, é a infecção generalizada. Por isso, diante de qualquer sinal de infecção, é importante procurar atendimento hospitalar.

Fonte: Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) e especialistas consultados.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.