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“Vivo a alegria de salvar vidas voando”, diz única mulher comandante do Notaer

A piloto Elizabeth Pereira Bergamin comanda missões aeromédicas e coleciona histórias de salvamentos no Estado

Elizabeth Pereira Bergamin é comandante do Notaer desde 2017

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Salvar vidas é parte da rotina da capitã e única mulher comandante de aeronave do Núcleo de Operações e Transportes Aéreos (Notaer), Elizabeth Pereira Bergamin, de 40 anos.

A piloto comanda missões aeromédicas e coleciona histórias de salvamentos em todo o Estado. “Tenho a alegria de salvar vidas enquanto trabalho”, conta.

Neta, filha e irmã de militares, a missão de servir à pátria é uma vocação, afirma, mas ela surpreendeu a todos quando afirmou que seguiria para a aviação, algo completamente novo para a família.

Entre as histórias cotidianas da capitã, a mais marcante é a de um resgate de uma família em uma enchente em Cariacica, entre o fim de 2019 e o início 2020.

“Fizemos o resgate de uma família de oito pessoas, que estava presa em uma enchente, todos na laje e com um bebê. No desespero, a família queria jogar o bebê na cesta de resgate e, por fim, conseguimos salvar a todos”.

Os resgates no mar, conta, também são momentos que emocionam e sensibilizam a piloto, como o salvamento de um rapaz na Praia de Itaparica, em Vila Velha.

“Quando chegamos com o helicóptero, o salva-vidas já estava fazendo sinal e quase desistindo. Conseguimos levar os dois para a areia em poucos minutos. No fim, toda a tripulação estava eufórica com a missão”.    

Integrante da Polícia Militar (PM) há 21 anos, a militar trabalha no Notaer desde 2011,  já foi copiloto e, em 2017, se tornou comandante. 

Nos treze anos de aviação, no entanto, há momentos de sensação de impotência diante de algumas situações e, segundo a comandante, aprender a lidar com as perdas foi um processo.

“Acontece, de vez em quando, de darmos o nosso máximo e, ainda assim, não ser o suficiente. Sou mãe e quando vejo que um bebê não resiste ao transporte aéreo, por exemplo, sofro muito. Hoje, entendo que o trabalho depende de diversas circunstâncias”.

Quando entra em uma aeronave, Elizabeth conta que, às vezes, nem pensa no quão nobre é seu trabalho, devido ao foco em cada missão e à rotina na aviação.

“O foco é sempre na missão. Entro na aeronave e mantenho a atenção em salvar a pessoa, quando esta é a missão. É sempre um trabalho muito gratificante”.


“Vivenciar os resgates é a parte mais gratificante”


Seguir a aviação foi uma trajetória desafiante e inovadora, conta a capitã e comandante de aeronave Elizabeth Pereira Bergamin, 40. Quando se propôs a ingressar no Núcleo de Operações e Transportes Aéreos (Notaer), há 13 anos, a militar foi pioneira na representação feminina da instituição.

“Ver as mulheres conquistando mais espaços é o caminho natural”, afirma.

A Tribuna – O que te inspirou a seguir a aviação?

Elizabeth – Nunca foi um sonho de infância e nunca imaginei que seria piloto de helicóptero. Em 2007, fiz um curso na área de ensino em São Paulo. Conheci um tenente-piloto e a forma apaixonada como ele falava sobre a profissão me inspirou. A partir daquele momento, pensei em me tornar piloto também.

Como você encara o seu pioneirismo como comandante de aeronave?

Acabou se tornando tranquilo, não pensei muito sobre isso. Tive um pouco de receio em como seria me inserir na área. Tudo foi uma descoberta, inclusive para eles (colegas de trabalho). Foi algo novo para todos nós. Ver as mulheres conquistando mais espaços é o caminho natural.

E a liderança feminina é diferente?

Eu achava que não, mas é. Falando por mim, posso dizer que há mais sensibilidade nas relações. Me preocupo com a equipe, em saber se não há um problema familiar e acho que tenho essa maior atenção às relações sociais.

Como você concilia o trabalho com a família?

Tenho dois filhos, Gabriel, 16, e Guilherme, 8. É preciso muito jogo de cintura e não seria possível sem o apoio do meu marido. Tem que haver coordenação e cumplicidade em casa.

O que mudou na sua visão de vida desde que iniciou na aviação?

Fazemos muitos voos aeromédicos e vivenciar os resgates e salvamentos ali, tão perto, é a parte mais gratificante.

Duas mulheres a cada 10 aeronautas

 













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Entre os aeronautas ativos do Brasil, há mais de 7,3 mil mulheres, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Dois em cada dez aeronautas são mulheres.

Os dados de aeronautas ativos são de 2022 e, de acordo com o órgão, 20,78% da categoria são do gênero feminino. Homens são mais de 27,9 mil na profissão, o equivalente a 79,22%.

O cargo de aeronauta, no entanto, não se refere apenas à função de comandante. Segundo a regulamentação da profissão, o aeronauta é o profissional que exerce atividade a bordo de aeronave civil nacional.

Entre os cargos da profissão estão comandante, copiloto, mecânico de voo, navegador, radioperador de voo e comissário, por exemplo.  

O número de licenças expedidas a mulheres para a aviação civil, em 2022,  é de 71, apenas nos três primeiros meses do ano, de acordo com a Anac.

Os dados da instituição revelam ainda que, nos últimos cinco anos, foram, ao todo, 2.048 licenças expedidas para mulheres. O recorde anual  do intervalo de cinco anos foi em 2019, último ano pré-pandemia, quando essa marca atingiu 741 mulheres. 

Desde 2020, início da pandemia, houve redução no número de licenças expedidas para aeronautas no Brasil, tanto para homens quanto para mulheres.

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