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PLANOS DE SAÚDE

Idosos vão sofrer mais com reajuste de até 18% em planos de saúde

Especialistas estimam que o reajuste deste ano deve bater recorde de aumento

Última atualização

Prepare o bolso: os planos de saúde individuais devem ter um reajuste de até 18% ainda neste ano, configurando o maior aumento da história. Na linha de frente dos mais castigados estão os idosos.

Projeções de especialistas e analistas do setor mostram que o reajuste deste ano deve ficar entre 15% e 18,2%, superando o recorde de 13,57% de 2016. 

Se for confirmado, será o maior aumento já determinado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), desde que passou a regular o setor em 2000.

No ano passado, os planos individuais tiveram uma redução de 8,2%, devido à diminuição no uso dos serviços médicos em 2020, como efeito da pandemia da covid-19. O aumento começa a valer no mês que vem e é aplicado no aniversário de contrato do cliente.

O Instituto de Estudos da Saúde Suplementar, que considera a variação dos custos médico-hospitalares para um conjunto de 704,9 mil beneficiários de planos individuais, calcula um reajuste de 18,2%. A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) prevê um reajuste de 16,3%. Já o banco BTG Pactual, em relatório, estimou em 15% a correção. 

Janio Araújo, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos no Estado, diz que, se já não bastassem as dificuldades do dia a dia enfrentadas pelos idosos, agora vem esse reajuste nas mensalidades dos planos de saúde. “Se tivéssemos uma saúde pública de qualidade, boa parte desse problema estaria resolvido”.

Só que, segundo ele, o que se vê na prática, com os aumentos, são idosos abandonando os planos, comprometendo ainda mais a saúde.

“Muitos optam por clínicas populares para consultas e por prontos-socorros públicos para atendimento emergencial, mas sabemos que apesar da boa vontade dos profissionais que lá trabalham, o serviço prestado deixa a desejar”.

O analista do programa de Saúde do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Matheus Falcão, enfatizou que o tema tem sido acompanhado com  apreensão pela entidade. Para ele, os idosos são mais vulneráveis a reajustes. 

“Quando ele contrata um plano de saúde, todo ano o serviço passa por aumentos maiores que a inflação e que as correções salariais. Isso se acumula. Este ano, já tivemos reajustes altos nos medicamentos, que afeta em cheio esse grupo”.

Ajuda dos filhos para conseguir pagar

 













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Na próxima terça-feira, 12, a pensionista Maria de Lourdes Simões irá completar 89 anos e não abre mão do seu plano de saúde. 

Mas, assim como muitos idosos, ela sente que os gastos com despesas básicas estão pesando no bolso. Sem abrir mão dessa assistência, quatro filhos decidiram dividir os gastos e pagar o plano para a mãe.

Uma das filhas, a professora de educação infantil Márcia Simões Mercier, de 52 anos, contou que por mês eles pagam cerca de R$ 800.

Com os remédios, como vitamina, colírio e medicamento contra hipertensão, o valor sobe para aproximadamente R$ 1,2 mil.

Márcia levou um susto ao saber que o reajuste do plano pode chegar a 18%. “Vou avisar à minha família”.

Modelo de cálculo vai passar por revisão

Com a expectativa dos planos de saúde individuais terem os reajustes divulgados até maio, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) já estuda para o próximo ano rever o modelo de cálculo destes contratos. 

A ideia é tornar o segmento novamente atraente para as operadoras, já que muitas nem oferecem esse tipo de plano mais. 

No País, os planos individuais representam 20% do mercado, enquanto no Espírito Santo dados apontam que apenas 11% dos usuários tenham esses contratos.

As operadoras afirmam que rever a metodologia de cálculo do reajuste é fundamental para voltar a oferecer o produto. A reclamação das empresas é que o percentual autorizado pela ANS não reflete a variação real de custos do segmento. 

Para especialistas em defesa do consumidor, o risco é que os reajustes fiquem ainda mais altos, encarecendo  as mensalidades.

O presidente da ANS, Paulo Roberto Rebello Filho, pretende colocar o tema como prioritário na agenda regulatória da agência para o próximo ano.  

As discussões ainda estão no estágio inicial, mas, segundo fontes, até agora já surgiram três propostas. Uma delas é a revisão técnica do contrato. Neste caso, de tempos em tempos, a operadora faria reajustes adicionais caso fique comprovado que o percentual aplicado não foi suficiente para garantir o equilíbrio econômico-financeiro.

Outra hipótese seria adotar aumentos regionais, de acordo com as características da localidade. 

Se discute, ainda, a possibilidade de definir uma banda de reajuste, que funcionaria como uma margem. Qualquer reajuste acima exigiria prestação de contas à ANS.


FIQUE POR DENTRO


Planos de saúde individuais

  • Os planos individuais ou familiares, contratados por pessoas físicas após 1º de janeiro de 1999 ou adaptados à legislação, têm o percentual máximo de reajuste determinado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
  • Em geral, o reajuste anual é divulgado entre abril e maio e pode ser aplicado pelas operadoras na data de aniversário do contrato. 
  • Portanto, o consumidor deve verificar o mês em que o contrato foi assinado e conferir se o reajuste está sendo aplicado a partir deste mês.

Números no Estado

  • 1.202.003 pessoas têm planos de saúde 
  • 130.446 são beneficiários de planos individuais

Reajuste de 2022

  • A expectativa para o reajuste deste ano, segundo projeções de especialistas, analistas do setor e das próprias operadoras, varia entre 15% e 18,2%, superando o recorde de 13,57% de 2016. 
  • A ANS, no entanto, ainda não divulgou o valor máximo a ser aplicado. 
  • No ano passado, os planos individuais tiveram uma redução de 8,2%, devido à diminuição no uso dos serviços médicos em 2020, como efeito da pandemia.

Cálculo

  • O cálculo de reajuste é baseado na variação das despesas médicas apuradas nas demonstrações contábeis das operadoras e no índice de inflação.
  • As despesas médicas, chamadas de Índice de Valor das Despesas Assistenciais, têm peso de 80% na conta, e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem peso de 20%.

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