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As investigações da Polícia Federal apontam que boa parte do dinheiro que o servidor público teria recebido de propina foi usada para obras em uma casa em Praia Formosa, Aracruz, no Norte do Estado.
Construção de muro, piscina e outras reformas teriam sido feitas na propriedade, formada por 10 lotes, que o suspeito chama de chácara.
Agora, a Polícia Federal está tentando descobrir onde mais o servidor aplicou o dinheiro ilícito, segundo o delegado regional da Delegacia de Combate ao Crime Organizado da PF, Ivo Silva.
“Também vamos tentar identificar outras pessoas que possam estar envolvidas nisso, e também eventuais outros esquemas de corrupção que esse grupo investigado possa estar coordenando aqui no Estado”, reforçou o delegado.
Além da casa de praia e do apartamento do servidor público, na Enseada do Suá, os policiais realizaram buscas na casa do intermediário do esquema, na Mata da Praia, em Vitória, e na Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), onde o servidor trabalhava.
“Foram cumpridos os mandados de busca exatamente com o objetivo de reunir materiais como documentos, celulares e computadores, que nos permitam, a partir da análise desse material, iniciar uma nova fase da investigação buscando rastrear o que foi feito com o recurso adquirido a título de propina, e também eventuais outros envolvidos nesse esquema de corrupção”, pontuou o delegado.
Até o momento, a polícia ainda não tem informações de envolvimento de outros servidores públicos no esquema. Mas o delegado afirmou que as investigações continuam. O servidor deverá ser ouvido nos próximos dias.
ANÁLISE
“Se houve culpados, que sejam punidos com o rigor da lei”
Rodrigo Rossoni, secretário geral da Transparência Capixaba
“O que a gente acredita é que esse tipo de situação, de suspeita de desvio de recursos públicos, sempre pode ser evitada. Se chegou ao ponto de a Polícia Federal cumprir mandado de busca e apreensão é porque, de alguma forma, essa rede de prevenção ficou vulnerável, especialmente diante de um cenário de emergência, como ocorreu na pandemia de covid-19.
É fato que foram realizados levantamentos pelo Tribunal de Contas do Estado e pela Controladoria-Geral da União, que identificaram supostas irregularidades. Em nome da saúde coletiva, essas auditorias, inclusive internas, pelo governo do Estado, são fundamentais para evitar esquemas fraudulentos.
Sobre esse caso em especial, que envolve fraude de licitações para compra de álcool em gel, esperamos que, ao final, as investigações apontem se houve culpados, de fato. Caso isso se confirme, que sejam punidos de acordo com o rigor da lei.
Lamentavelmente, cada centavo desviado dos cofres públicos, sobretudo da saúde, em um momento tão desafiador, faz muita falta.”