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NOVO AUMENTO DE PREÇOS

“Não há dinheiro que dê, não sobra nada”, desabafa aposentado

Carlos Ivan, de 72 anos, viu no empréstimo uma chance de poder respirar mais aliviado

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Se vendo diante do que chama de uma bola de neve, o mecânico aposentado Carlos Ivan Calazans de Souza, de 72 anos, viu no empréstimo uma chance de poder respirar mais aliviado.

Na manhã desta quarta-feira, 30, Carlos procurou uma instituição financeira para pegar um empréstimo de R$ 2.500. Parte do dinheiro é para pagar remédios.

À reportagem, ele disse que o dinheiro deve sair nesta sexta-feira, 1°, ou, no mais tardar, na segunda-feira, 4.

A Tribuna – O senhor gasta quanto por mês com remédios?

Carlos Ivan Calazans de Souza – Sou hipertenso e tenho diabetes, eu e a minha esposa. Por mês, em média, a gente gasta R$ 700 com remédios que somos obrigados a comprar, pois nem sempre tem no SUS (Sistema Único de Saúde). 

Mas as despesas não são somente de remédios. Moro de aluguel e, além disso, tem as contas de luz, água, gás, supermercados. Não há dinheiro que dê, não sobra nada. É muito triste falar isso, mas é a dura realidade, que acaba sendo compartilhada com muitos aposentados.

Quanto que pegou de empréstimo? 

Peguei R$ 2.500. Ainda não consegui pegar o dinheiro, mas disseram que  a liberação do dinheiro deve acontecer na sexta-feira ou então na segunda-feira.

Dessa quantia, quanto pretende usar para comprar remédios? 

Pouco mais de R$ 500. O restante é para pagar luz e aluguel, além de fazer as compras de supermercado. Está tudo muito caro, assustador. 

Foi o primeiro empréstimo? 

Infelizmente, não. Esse é o nono. Estou endividado. Tenho uma dívida com empréstimos que se aproxima de R$ 40 mil, mas que estou pagando de forma parcelada. Agora, com esses R$ 2.500 vou pagar 84 vezes (sete anos) de R$ 67. Dá um total de quase R$ 6 mil, mas é uma parcela que cabe no bolso.

No final do mês, a conta não fecha?

Não fecha. Por mês, eu recebo cerca de R$ 2.000 de aposentadoria e minha esposa, que também é aposentada, R$ 1.700. Não dá para pagar as despesas. Ainda bem que temos os filhos, que nos ajudam nas despesas. Se não fosse isso, estaria muito pior.

Não consegue remédios de graça? 

Conseguimos alguns, mas o governo precisa oferecer mais opções para o cidadão, mais medicamentos de graça. Já pagamos tantos impostos e temos o direito à saúde. Além disso, peço que o governo gere mais emprego para que as pessoas possam ter o direito de pagar as suas contas, de comprar alimentos, de sustentar a família.

O senhor já passou por situações semelhantes?

Antes, quando eu ainda estava trabalhando, as coisas eram difíceis, mas depois que veio a pandemia da covid, tudo ficou muito pior. Vivo uma bola de neve.

Isso tira a sua paz?

Quando vou dormir, sempre penso no dia seguinte. Mas, apesar da preocupação, sou um homem de fé e creio que Deus vai nos ajudar a atravessar essa fase, a virar essa página.

Hoje fui na lotérica e fiz uma única aposta na Mega-Sena, que vai sortear um prêmio estimado em R$ 110 milhões. Não nos custa sonhar. 

Por falar em sonhos, quais são os seus?

Quero quitar as dívidas e viajar para Dubai, com a minha mulher (risos). Se Deus quiser, um dia ainda iremos realizar esses sonhos. Enquanto isso, temos de agradecer pela vida e por nunca desistir de lutar.

Falta de medicamentos no SUS

Na tentativa de se livrar dos gastos com medicamentos, pacientes têm recorrido à distribuição de remédios fornecidos pela rede pública. Só que nem sempre o direito à saúde é assegurado. 

Pacientes têm reclamado que estão com dificuldades de conseguir alguns tipos de medicamentos nas Farmácias Cidadãs, entre as quais a que fica no Centro Regional de Especialidades (CRE) Metropolitano, em Cariacica.

Na unidade, segundo a listagem publicada na última terça-feira, 29, 17 medicamentos não estavam disponíveis, representando 8% dos itens.

Na Farmácia Cidadã de Vitória, o índice de cobertura chegou a 90%, ou seja, 10% dos remédios não estavam disponíveis.

No último sábado, 26, o drama de pacientes que não estão conseguindo remédios na Farmácia Cidadã Estadual foi tema de reportagem de A Tribuna. 

A dona de casa Maiza Oliveira Brito, de 54 anos, é um exemplo. Ela é mãe de Leysla Brito de Oliveira, 18, que aos cinco meses foi diagnosticada com meningite.

Devido a sequelas, Leysla vive acamada e necessita do uso contínuo de medicamentos para controlar as crises compulsivas, mas há três meses o remédio está em falta. 

 













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“Comprei cinco caixas, paguei R$ 241, e parcelei cinco vezes. Estou contando com a ajuda de amigos para não faltar o medicamento. Na sexta (1°) vou pedir ao avô da Leysla para ver se o medicamento chegou na Farmácia Cidadã”.

Na quarta-feira, 30, além da falta de medicamentos, uma servidora pública aposentada, de 73 anos, contou que um dos problemas é a burocracia enfrentada para a liberação. 

“Fiquei a manhã inteira na fila da Farmácia Cidadã para tentar insulina para minha irmã, que tem diabetes tipo 2. Juntamos os laudos, mas o pedido foi indeferido”. 

Além disso, pacientes da rede pública revelaram que têm enfrentado filas com espera de até três anos para conseguir cirurgias no Espírito Santo, conforme reportagem publicada no sábado.

Na terça, 29, a reportagem também mostrou que a inflação tem forçado consumidores a mudarem de hábitos de alimentação e consumo.

Pacientes devem voltar ao médico, afirma governo

Para quem não tem conseguido medicamentos de uso contínuo nas Farmácias Cidadãs, o subsecretário de Estado de Atenção à Saúde, José Maria Justo, orientou que os pacientes busquem o atendimento médico para que o profissional faça uma substituição, caso necessário, por aquele período por outra substância.

José Maria explicou que a taxa de abastecimento dos medicamentos está entre 95% e 98%, o que é considerado muito bom e um dos melhores índices de cobertura de todo País.

“Esse nível não encontramos nem em farmácias privadas. Em qualquer período, teremos sempre uma margem de medicamentos em falta, por uma razão ou outra. Não é por não comprar, mas por alguma dificuldade do mercado em fornecer naquele momento”.

Ele destacou que, na maioria dos casos, o fornecimento é regularizado rapidamente. 

“Entre as razões que geralmente provocam essa falta está a dificuldade de produção de um insumo ou princípio ativo. Durante a pandemia, tivemos locais com problemas devido a restrições, por exemplo”, justificou.

Outro motivo citado pelo subsecretário é que muitas vezes o fornecedor está sem o medicamento de pronta-entrega, precisando de alguns dias a mais para entregar um item. “Até alguns dias, por exemplo, estávamos com dificuldade em encontrar o  Metilfenidato, usado para hiperatividade com déficit de atenção. Na última semana, foi possível comprar”.

José Maria Justo salientou que o Estado tem buscado formas de desburocratizar o acesso, mas em alguns casos os pedidos são indeferidos, pois a prescrição é voltada para tratar condições em que o tratamento não é indicado pelos protocolos definidos. 

O acompanhamento da disponibilidade dos medicamentos pode ser feito no site https://farmaciacidada.es.gov.br/medicamentos-indisponiveis.

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