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Na última semana, um incêndio na central nuclear ucraniana de Zaporizhzhia, durante combates entre forças ucranianas e russas, elevou os níveis de alerta para o risco de um acidente nuclear.
Na guerra, que já dura mais de uma semana, já foram registrados outros conflitos próximos a instalações nucleares.
Para o cientista político Joe Cirincione, especialista em não proliferação nuclear, há muitos riscos de acidente nuclear. “O primeiro e mais imediato é que os russos danifiquem as estruturas de contenção ao redor dos reatores, ou a eletricidade que os alimenta ou o encanamento que os resfria”.
Se a eletricidade for cortada, não será mais possível bombear a água para o reator para resfriar as barras de combustível. “As barras de combustível, então, superaqueceriam e ocorre um colapso do corpo nuclear como em Fukushima, o cenário mais provável do que poderia dar errado com esses reatores”, diz o especialista.
Há também os danos estruturais. Por algum motivo, funcionários do Departamento de Energia dos EUA estão minimizando os riscos. O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi disse estar extremamente preocupado com o grave risco do que chamou de um incidente catastrófico nessas usinas ucranianas – Zaporizhzhia e Chernobyl.
“Apesar de décadas de hostilidades entre árabes e israelenses, ninguém jamais atacou o reator de pesquisa em Dimona, em Israel. Apesar de décadas de tensões em torno do Irã, ninguém jamais atacou o reator nuclear de Bushehr, no Irã. Então isso é apenas o começo dos riscos”.
E é por isso que existe uma convenção internacional, de Genebra, contra o ataque a usinas nucleares. “A Rússia assinou isso”.
Usinas na Ucrânia
- A maior da Europa foi tomada pela Rússia
- No total, são quatro plantas ativas, com 15 reatores
- 4 em Rivne
- 2 em Khmeltniski (outros dois estavam em construção)
- 3 na Sul da Ucrânia
- 6 em Zaporizhia
- Em seu território, também estão os restos da usina soviética de Chernobyl, com seus quatro reatores, hoje desativados.