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As dificuldades não as impediram de sonhar. Mesmo em meio aos desafios – por serem mulheres, por questões financeiras ou por terem de dar conta da casa, dos filhos e do trabalho – elas correram atrás dos objetivos, e hoje têm a carreira dos sonhos.
Esse foi o caso da auxiliar de disciplina no Centro Educacional Primeiro Mundo, Lucinete Cândida Pereira, 45, que está no último ano da faculdade de Pedagogia.
Ela começou a trabalhar no colégio como auxiliar de serviços gerais, há três anos, e foi naquela época que se encorajou a ser professora. Hoje, atua dentro de sala de aula na mesma unidade em que, até 2021, cuidava da limpeza.
“Tinha dias em que eu falava: ‘Não vou aguentar’. Moro em Jacaraípe, na Serra, e eu tinha de sair de casa às 3h30 da manhã. Eu não dormia”, contou Lucinete.
Mas, como a situação estava difícil para ela, a coordenadora da escola fez uma mudança no horário de Lucinete, que deixou de trabalhar pela manhã e foi para o período da tarde. Foi o que a motivou a seguir em frente.
“A Pedagogia era a minha válvula de escape”, disse. “É meu sonho ser professora, sempre foi, desde a época da escola. É um sonho realizado. Professor não é um dom, é amor, é trabalhoso”, completou.
Para o próximo ano, Lucinete já planeja cursar a pós-graduação, que deverá ser na área de Letras.
Já o sonho de ser médica, cirurgiã, militar e professora foi alcançado pela ginecologista e obstetra Luara Rodrigues, 32. Mas, as conquistas vieram repletas de desafios. Nascida em família humilde e com tios adotivos borracheiros, ela estudou a vida inteira em escola pública.
Até que, em 2007, conseguiu uma bolsa de estudos em uma escola particular de Vitória. Luara nasceu na cidade de Itambacuri, em Minas Gerais, e se mudou para a capital capixaba para fazer o 3º ano do ensino médio.
Logo depois, foi aprovada em Medicina pela Emescam, onde ingressou pelo Programa Universidade Para Todos (Prouni). Hoje, já são oito anos de atuação como médica.
“Tudo o que falaram que eu não podia fazer, porque era mulher ou de origem humilde, eu consegui fazer. Hoje, trabalho com estética íntima, que é um tabu”, disse.
“Para uma mulher, acredito que representa bastante luta, empoderamento. As mulheres podem se tornar o sonho que elas têm”, completou.
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Sobre quatro rodas
Mesmo sendo um ramo com poucos profissionais no Estado, a educadora física Aline Dantas, 39, resolveu se arriscar e seguir o próprio sonho: ser professora de skate. Aline, que anda sobre as quatro rodinhas há 24 anos e foi pioneira como professora do esporte no Estado, contou que o início na profissão não foi fácil.
“O maior desafio foi aceitar que eu poderia viver de um esporte que nasceu da contracultura e que foi muito tempo marginalizado. Depois que aceitei isso, coloquei nas minhas aulas o que eu acredito no skate”, relatou.