Afinal, existe filho favorito? Responder a esta pergunta geralmente é tabu em qualquer família. Enquanto os filhos costumam dizer que sim, que toda família tem o seu queridinho, os pais garantem que não, que o amor pelos filhos é sentido sempre na mesma proporção.
No entanto, um estudo da Universidade da Califórnia (EUA) acompanhou 384 famílias com irmãos adolescentes durante três anos e constatou que 70% dos pais e 74% das mães tratavam um dos filhos de forma preferencial.
Por aqui, os pais negam que exista preferência, mas admitem que, às vezes, existe um tratamento diferenciado sim, seja por uma identificação maior, seja porque um dos filhos exige mais atenção.
Este é o caso da digital influencer Luana Alves dos Santos, mãe de Erick, de 9 anos, Eliza, de 5, Estela, de 2, e de Eliel, de 4 meses.
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Contrariando o resultado da pesquisa, ela diz que não há como escolher o filho predileto, mas que as demandas diferentes podem aproximar pais e filhos em determinadas fases da vida. “Quando se tem um bebê em casa, por exemplo, a atenção e o tempo voltados a ele acabam sendo maiores do que com as crianças mais velhas”.
A psicóloga Camilla Viana ressalta que situações atípicas na família podem, sim, causar sensação de favoritismo. “Lidar com uma criança doente ou com um filho que exige mais atenção faz com que os pais o enxerguem como frágil e sejam mais protetores”.
Ela alerta, porém, que as comparações e a diferença no tratamento podem afetar a relação entre os irmãos até mesmo na fase adulta.
Psicóloga, Carolina Huguett Batista destaca que muitos pais se sentem culpados pelos sentimentos confusos a respeito da interação com cada filho.
“Mas vale a pena lembrar que cada indivíduo é único e, portanto, cada relação é diferente. É comum que as crianças se comparem com os irmãos e sintam que um deles está sendo favorecido”.
Para evitar possíveis conflitos, a psicóloga Monique Nogueira alerta que os pais precisam ficar atentos. “É necessário diálogo e um tempo de qualidade dedicado a cada um deles”.
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“Eles são diferentes, mas o amor é idêntico”
A nutricionista Deykla Lima teve o primeiro filho, Bernardo, em 2012, e o segundo, Enrico, em 2014. “Tive medo de não conseguir amá-los da mesma forma, mas hoje vejo que amor por eles é idêntico”.
Ela diz que muitas mães se sentem culpadas por nem sempre conseguirem dar a mesma atenção a todos os filhos. “Já ouvi que dou preferência a um ou outro, mas procuro demonstrar em atitudes e deixar claro que não existe favorito”.
SAIBA MAIS
Dicas para evitar conflitos
- Em muitas famílias, é comum a criança se comparar com os irmãos e, de forma real ou imaginária, sentir que um deles está sendo favorecido.
- Também é comum e até mesmo natural que um dos pais, de forma consciente ou não, acabe se relacionando melhor ou favorecendo um dos filhos.
- Mas, segundo especialistas, os tutores não devem se sentir culpados por isso. Afinal, afinidade não é o mesmo que amor.
- Ser responsável por educar e criar um outro ser humano é entrar em contato com a sua própria vulnerabilidade constantemente.
- Algumas dicas podem ajudar a amenizar a culpa e também essa competitividade entre as crianças.
- Destacam-se entre elas evitar comparações entre os filhos e não rotulá-los por suas características e diferenças.
- Validar os sentimentos das crianças e conversar a respeito de suas emoções, pensamentos e necessidades.
- É essencial também elogiar e encorajar os filhos, além de valorizar suas características individuais.
- Outra atitude importante é dialogar com as crianças para que elas percebam que a diferenciação de tratamento não se dá por gostar mais de um ou menos de outro, mas sim porque os filhos são pessoas diferentes que precisam de atenção de forma diferente.
- Essas dicas são importantes para que os filhos não levem as inseguranças para a fase adulta e cresçam com maturidade.