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SAÚDE

Alimentação inadequada causa até 20% dos casos de câncer

Levantamento do Inca aponta que consumo de alimentos gordurosos e muito calóricos aumenta a chance de ter tumores

Batata frita e hambúrguer: consumo em excesso eleva riscos de doença

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Os alimentos ultraprocessados, como os embutidos e biscoitos recheados, estão no dia a dia dos brasileiros e são associados a diversos problemas de saúde. Estudos apontam que cerca de 20% dos casos de câncer no Brasil são decorrentes de uma alimentação inadequada.

Os dados são do Instituto Nacional do Câncer (Inca). É possível identificar, segundo a instituição, ao menos 13 tipos de câncer relacionados à má alimentação e ao excesso de peso, como de esôfago, de estômago e de pâncreas.

A oncologista clínica da Medquimheo Carolina Conopca explica que o consumo frequente desses tipos de alimentos, aliado à falta de frutas, verduras, grãos e legumes na alimentação diária, é uma associação perigosa a longo prazo.  

“Além de muitos calóricos, eles causam sobrepeso e até a obesidade, que aumentam as chances de desenvolvimento de vários tipos de câncer. Essa exposição constante provoca agressões no organismo e, a longo prazo, e é perigosa”.

Com o Dia Nacional da Saúde e da Nutrição nesta quinta-feira, 31, a nutricionista Giselle Guzzo reitera a importância de alimentos orgânicos e explica como os ultraprocessados afetam o corpo.  

“Os ultraprocessados inflamam o corpo e isso causa uma maior propensão a evoluir para um câncer. Nos alimentos com agrotóxicos, encontramos xenobióticos, que também são associados à doença”.

A oncologista clínica Kítia Perciano aponta que, mesmo os produtos “diet”, como alguns refrigerantes e sucos industrializados, podem engordar. A médica explica que a propensão de desenvolver os cânceres está diretamente ligada ao sedentarismo e ao sobrepeso.

“Com a popularização de ultraprocessados e o sedentarismo, há muito mais riscos e, inclusive, cada vez mais cedo. O maior problema é quando essa combinação se torna um hábito”.

A oncologista clínica Carolina Conopca lamenta, ainda, que esses alimentos são mais baratos do que uma dieta equilibrada com legumes, verduras, carnes e frutas.  

“Eles são feitos em larga escala, são mais baratos e, infelizmente, isso se reflete na população. Às vezes, há pessoas com sobrepeso, mas desnutridas porque não consomem os nutrientes necessários para uma alimentação adequada”.

Mais risco com adoçante artificial

Se você é do tipo de pessoa que consome adoçantes artificiais com frequência, cuidado! Um novo estudo, realizado com mais de 100 mil pessoas, revelou que o alto consumo pode aumentar o risco de câncer. 

Publicada pela revista científica Plos Medicine, o estudo concluiu que pessoas que ingerem quantidades acima da média de aditivos alimentares de baixa caloria são 13% mais propensos a desenvolver tumores malignos.

A nutricionista Polyana Romana Oliosa explicou que essas substâncias estão presentes não só em refrigerantes e demais bebidas, mas principalmente em alimentos que são classificados como diet (pouca adição de açúcar).

 













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“Principalmente alimentos industrializados, pois quando pensamos em adoçante, nós temos que pensar também naqueles alimentos que são diet e o grande consumo deles. O refrigerante, por exemplo, a pessoa acha que está consumindo coisa melhor e não está”, revelou.

A nutricionista lembrou também que uma forma de prevenir a doença é a ingestão de alimentos naturais.

“O máximo possível que a gente conseguir de uma alimentação natural, frutas, verduras, legumes, compostos oxidantes, tempero natural, vamos ter uma saúde melhor”, apontou.

Kítia Perciano, médica oncologista, lembrou que, por possuírem muitos conservantes, alguns adoçantes acabam alterando o DNA das células.

“O ideal é usar os mais naturais ou nem usar. O uso de açúcar também deve ser moderado”, orientou a especialista. 

Refrigerantes 

Ao longo do estudo, publicado pela Plos Medicine, os participantes enviaram para os cientistas registros de tudo que estavam consumindo e os refrigerantes representaram 50% dos adoçantes ingeridos.

Já os iogurtes e queijos representaram 8%; e sachês de adoçantes, 29%. 

Com o resultado da pesquisa, foi concluído que as pessoas que ingeriram as maiores quantidades de adoçante possuíam chances de 13% maiores de apresentar algum tipo de câncer do que as pessoas que não ingeriram a substância. No total, participaram da pesquisa 102.865 pessoas.


SAIBA MAIS


Pesquisa 

  • Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) indicam que cerca de 20% dos casos de câncer no Brasil são desenvolvidos a partir de uma alimentação inadequada, sendo classificada como o segundo fator modificável para prevenção da doença.
  • Ao incluir o tabagismo, sedentarismo e obesidade na equação, o percentual de cânceres potencialmente evitáveis pode chegar até 40% em algumas populações.

Tipos de câncer

  • Além disso, é possível identificar ao menos 13 tipos de câncer diferentes que estão relacionados à má alimentação e ao excesso de peso, como, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, intestino, rins, mama, vesícula biliar, ovário, endométrio, meningioma, tireoide e mieloma múltiplo.

Alimentação 

  • Cerca de 60% da nossa população não consome a quantidade adequada de frutas e vegetais.
  • Evite alimentos gordurosos e muito calóricos, bebidas alcoólicas, a ingestão excessiva de carnes vermelhas, fast foods e alimentos ultraprocessados e embutidos. É recomendável aumentar a quantidade de alimentos in natura presentes na dieta, especialmente frutas, vegetais e grãos integrais.
  • Os embutidos, como a salsicha e  a linguiça, a carne ultraprocessada e os industrializados, como os biscoitos, refrigerantes, lanches de micro-ondas, além da mortadela, o presunto e o peito de peru, são alguns alimentos prejudiciais e que, com o consumo excessivo e a longo prazo, aumentam a propensão do desenvolvimento de vários tipos de câncer.

Fonte: Instituto Nacional de Câncer (Inca) e especialistas consultadas.

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