O uso das máscaras de proteção contra a covid-19 começa a ser flexibilizado e a sensação de incertezas dá lugar ao planejamento e à retomada de sonhos.
Nesse contexto, os jovens desejam liberdade de viajar e buscar conhecimentos, mas também voltam a sonhar com casa própria, bons empregos e estabilidade. É o que revelam os dados de uma pesquisa nacional e de um levantamento feito pela Empresa Júnior da UVV (Ejuvv) em parceria com o jornal A Tribuna.
A pesquisa nacional, realizada pelo Datafolha, aponta que a casa própria é um sonho de 87% da população. Entre os jovens de 21 a 24 anos, o percentual chega a 91%.
No Estado, o desejo pela casa própria aparece em 3º lugar, enquanto a estabilidade financeira e a conquista de uma carreira de sucesso são as principais prioridades.
“A pandemia fez muitas pessoas reverem conceitos, planos, desejos, inclusive os jovens. Eles, que sempre foram mais arrojados, inovadores e buscaram uma forma mais aventureira em seus sonhos, hoje recodificaram isso”, observa a psicóloga Gisélia Freitas, especialista em Carreiras.
Ela frisa que o sonho de viajar, ter seus planos e morar fora do País se mantém. “Mas a prioridade, hoje, para eles é ter algo seguro”.
Coordenador da pesquisa, o professor da UVV Fabrício Azevedo salienta que, por um tempo, a pandemia tirou a visão de futuro desses jovens. “Mas, pelo que vimos na pesquisa, eles voltam a se planejar, ansiosos por mais conhecimento, investir na carreira e pela estabilidade financeira”.
Para o especialista em Carreiras Glaucio Siqueira, coordenador da Câmara de Empreendedorismo do Conselho Regional de Administração do Espírito Santo (CRA-ES), é interessante pensar em como os novos formatos de trabalho podem influenciar nesse desejo da casa própria.
“Se pensamos em home office, o desejo de ter sua própria casa, com um espaço de escritório e mais conforto, integra essa nova forma de construir sonhos. Por um lado, o tempo de trabalho aumenta a sensação de confinamento. Cresce, na mesma proporção, a vontade de ampliar as experiências externas, através das viagens”.
Então, mesmo que os desejos sejam semelhantes aos de gerações anteriores, a prioridade e motivações são diferentes. “Hoje, os jovens querem a estabilidade, mas não aquela dos nossos pais e avós. Os jovens querem uma estabilidade que permita conhecer o mundo e, ao mesmo tempo, ter para onde voltar, quando quiserem”, analisa a psicóloga Rubia Passamai.
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“Estamos muito felizes”
Os noivos Marcielly Sperandio dos
Santos, de 22 anos, e João Victor Barbosa Silva, 26, concretizaram no
mês passado o sonho de comprar uma casa. Os dois fecharam o contrato e
adquiriram o primeiro apartamento na planta.
“Queríamos muito uma
casa nossa! Era tanto um sonho quanto nossa maior preocupação. Deus nos
surpreendeu e estamos muito felizes. Ele faz tudo no tempo certo!”,
conta a noiva.
“Estávamos pagando consórcio para uma casa, mas
vimos que o consórcio não acabaria em tempo ideal. Então, decidimos ver
outras opções. A gente não imaginava que conseguiria o financiamento
do apartamento, mas conseguiu e foi uma surpresa grande”, relata.