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VIOLÊNCIA

Mulheres denunciam assédio em 200 lugares

Dados se referem a locais públicos em Vitória. Por meio de aplicativo, também é possível denunciar violência física e verbal

Geisa da Silva, 31 anos, fixa cartazes em praças, ruas e postes de bairros onde mulheres foram vítimas de abusos

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Engana-se quem pensa que a violência contra a mulher acontece só dentro de casa. Casos de assédio, violência verbal, sexual e até física têm acontecido com frequência em locais públicos. Só em Vitória, as vítimas de assédio, por exemplo, já denunciaram mais de 200 pontos onde é cometido esse tipo de crime.

O número é ainda maior quando se refere à Grande Vitória: são 476 locais onde os delitos acontecem.  

As denúncias foram feitas por meio do aplicativo “Não me Calo!”, criado pela artista plástica Geisa da Silva, 31 anos.

“Os registros de violência são feitos pelas próprias vítimas, que pontuam os locais em um mapa. Com isso, é possível identificar os lugares considerados inseguros”, detalhou a artista plástica.  

Geisa explicou que o aplicativo foi contemplado em edital da Secretaria de Cultura do Estado e que foi desenvolvido em 2019, após um caso de violência doméstica, sofrido por ela. Após terminar a relação com o ex-companheiro, ela decidiu ajudar outras vítimas. 

“Entrevistei cerca de 100 mulheres, que me relataram suas histórias de agressão e, a partir dessas histórias, fiz um projeto de intervenção urbana onde fixava cartazes com os dizeres desses relatos em lugares onde eles haviam ocorrido”, relembra.

Depois de fixar os cartazes em praças, ruas e postes de bairros da Grande Vitória, Geisa decidiu ir além. 

“Comecei a perceber como nós, mulheres, encaramos o espaço urbano e isso me instigou a criar um novo formato, em que a própria mulher fizesse de seu relato uma sinalização”, explicou.

Desde a sua criação, o aplicativo, que está disponível para Android, de forma gratuita, vem alertando muitas mulheres por meio das experiências vividas por algumas vítimas. 

“Hoje, eu tenho no mapa 476 pontos com relatos de vítimas em toda a Grande Vitória. São situações que ocorreram em locais públicos”, relatou. 

Entre as violências citadas pelas vítimas estão casos de assédio sexual, estupros e violência física. Boa parte deles foi registrada na capital, nos bairros Jardim da Penha e Centro. 

Em Vila Velha, os registros foram no Centro e em São Torquato. Já em Cariacica, foram em Campo Grande e Jardim América.

Uma mulher é estuprada no País a cada 10 minutos

A cada 10 minutos no País, uma mulher é vítima de estupro. O número é do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que contabilizou 56,1 mil casos, incluindo estupro de vulnerável, com pessoas do gênero feminino como vítimas em 2021.

Os dados, coletados por meio de um levantamento feito com as polícias civis de todos os estados brasileiros, considerou apenas os casos que chegaram ao conhecimento das autoridades.

De acordo com o órgão, os números do ano passado representam o início do aumento dos casos de estupro no País, depois de uma diminuição ocorrida durante o isolamento provocado pela pandemia de covid-19.

Entre os anos de 2019 e 2020, houve queda de 12,1% nos registros de estupros de mulheres no Brasil, enquanto entre 2020 e 2021 ocorreu aumento de 3,7%. 

O número total de vítimas do gênero feminino foi de 61.500 em 2019; de 54.100, em 2020, e de  56.100, no ano passado.


SAIBA MAIS


Aplicativo 

  • Para ajudar mulheres contra possíveis violências em locais públicos, foi criado o aplicativo “Não me Calo!”.

Surgimento 

  • Criado pela artista plástica Geisa da Silva, em 2019, o aplicativo funciona como uma espécie de “mapa do crime”, apontando os locais com maior incidência de crimes contra mulheres.

Funcionamento

  • Também é possível ter acesso aos registros de violência, feitos pelas vítimas. São mais de 400 pontos mapeados na Grande Vitória.
  • Para ter acesso, basta fazer o download no Play Store, gratuitamente. Só está disponível para Android.

Crimes

  • Entre os crimes registrados estão: assédio sexual, estupros, e violência física e verbal. 

Cidades 

Vitória 

  • Na Grande Vitória, a maioria dos registros são na capital, nos bairros Centro (Praça Costa Pereira, Rua Sete e Cidade Alta) e Jardim da Penha (Rua da Lama e região da Ufes).

Vila Velha 

  • No município, os registros foram feitos em São Torquato e no Centro. 

Cariacica 

  • As denúncias foram feitas em Campo Grande e Jardim América. 

Fonte: Geisa da Silva, criadora do aplicativo.

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