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As humilhações e ofensas entre crianças no ambiente escolar causam danos psicológicos profundos. Com o retorno presencial das aulas, as práticas de bullying cresceram, e crianças vítimas dessas agressões chegam a ter de fazer tratamentos para superar traumas, apontam especialistas.
A psicanalista e psicopedagoga Rosiane Barcellos conta que os efeitos do bullying se refletem para toda a vida e, por isso, essas crianças precisam de intervenção de profissionais da saúde mental.
“É importante cuidar das crianças vítimas das ofensas. Elas são mais propensas a desenvolver problemas psicológicos, como a ansiedade, depressão e, até mesmo, o transtorno do pânico”.
Quando adultos, pontua Rosiane, essas crianças são mais vulneráveis a regredir a traumas causados pelas humilhações na escola.
Cada trauma por bullying escolar tem um histórico específico e o tempo de tratamento costuma variar. Em cerca de seis meses de psicoterapia, aponta o psicólogo Cláudio Miranda, a criança já consegue se fortalecer emocionalmente.
Em outros casos, no entanto, o tratamento psicoterapêutico pode ser mais longo. O psicólogo Gerson Abarca reitera que as intervenções anti-bullying das escolas são fundamentais para o suporte à vítima, e que os pais devem participar da vida escolar dos filhos.
“Em situações intensas, de longo tempo de bullying, o processo terapêutico irá demorar, pois será preciso construir a autoestima da criança. Uma média moderada é de um a dois anos, duas vezes por semana, e poucas famílias têm condições arcar com esse custo”.
A principal causa para o crescimento dessas violências entre crianças na escola, de acordo com a neuropsicopedagoga Geovana Mascarenhas, é a discrepância de aprendizagem causada pela pandemia.
Casos de humilhações e ofensas por dificuldades de aprendizagem estão mais frequentes no atendimento clínico da especialista, com o retorno presencial das aulas.
“Essa ridicularização das crianças com a maior defasagem escolar está sendo praticada pelos próprios colegas. Algumas crianças dizem que são até excluídas de atividades entre amigos, se isolam e sofrem nas relações no ambiente escolar”.
Escolas criam programas para melhorar convivência
A intervenção escolar em casos de bullying é essencial para garantir o bom convívio entre as crianças, segundo os especialistas. Escolas do Estado criaram ações para conscientizar, prevenir e combater esse tipo de violência.
O Colégio Adventista de Vitória desenvolve uma ação semestral em que os alunos fazem cartões de elogios aos colegas e os entregam junto a uma semente de manjericão. A ideia é simbolizar o plantio de bons hábitos nas relações, conta a coordenadora pedagógica Sueila Goese.
Profissionais da escola, como a professora do 4º ano do ensino fundamental, Dayse Vieira, costumam abordar a importância do respeito às diferenças com os alunos nas salas de aula. “Os alunos devem entender desde cedo que tratar pessoas de forma diferente é realçar as desigualdades”, afirmou Dayse.
Já o Colégio Marista tem uma cartilha online com formas de combater o bullying, além de campanhas de prevenção permanentes durante o ano letivo e de ações específicas em datas de conscientização.
O Centro Educacional Praia da Costa promove oficinas de debates sobre valores éticos, respeito, bullying e cyberbullying (ofensas online), além de abordar os temas nas aulas e disponibilizar um psicólogo para diálogo com os alunos.
DICAS PARA AS FAMÍLIAS
Sinais e comportamentos
- É possível observar alguns sinais que indicam a possibilidade de uma criança ser vítima de ofensas, humilhações, ataques e outras formas de bullying escolar.
- Todos devem ser analisados em um contexto comportamental da criança, ou seja, se é algo que ela não costumava apresentar.
- A resistência e o medo de ir à escola é um dos principais sinais de alerta.
- Esse sinal, geralmente, pode ser acompanhado por outros, como pesadelos, tristeza, queda no rendimento escolar e baixa autoestima.
- Em casos extremos, podem aparecer machucados e hematomas. Nesses casos, é importante observar se não ocorrem violências físicas.
- A criança pode se apresentar mais irritadiça, impaciente e até agressiva, fora do seu comportamento normal.
Diálogo
- A melhor estratégia é o acolhimento e a disponibilidade em ajudar.
- Ao perceber o problema no filho, os pais devem se mostrar acolhedores e pacientes com o relato.
- Não se deve depreciar, nem minimizar a dor da criança.
- Não se deve também dizer de que forma a criança deve reagir.
- É preciso criar um ambiente de conforto para a criança falar sobre suas angústias.
- Os pais devem procurar a escola, expor os fatos e pedir que uma providência seja tomada, impedindo ações do agressor.
- Quando os pais são chamados e comunicados de que o filho é o agressor, devem procurar ajuda terapêutica especializada.
- Entender a origem do problema e levantar formas de ajudar o filho agressor deve ser o foco do tratamento.
- A criança que pratica o bullying pode estar querendo sinalizar algo.
- Assim como no caso das vítimas, o diálogo é uma ferramenta essencial para se definir estratégias e intervenções quando o filho agressor é escola.
Fonte: Especialistas consultados.