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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Mulheres mudam até de estado para fugir de ameaças e agressões

Vítimas buscam ajuda em abrigos e até trocam de endereço

Última atualização

Com medo de serem agredidas novamente e até mesmo para resguardar suas vidas, muitas mulheres, vítimas de violência doméstica, mudam totalmente sua rotina.

Para escapar das garras de seus agressores, muitas delas chegam a mudar de cidades e até Estado.

A maioria dessas vítimas vive relacionamentos abusivos e já sofreu algum tipo de agressão dentro de casa. Algumas delas, inclusive, mesmo com a Medida Protetiva de Urgência — que proíbe seus agressores de chegarem próximo delas — foram ameaçadas de morte.

No Estado, as vítimas de violência doméstica que não têm para onde ir em uma situação de ameaça de morte são acolhidas na “Casa Abrigo” — local que recebe e faz a proteção dessas mulheres.

De lá, boa parte das vítimas vai para outras cidades e até Estados para reconstruir suas vidas. 

“Quando o agressor percebe a fragilidade da mulher, mesmo com a medida protetiva, continua a perseguir a vítima. Por isso, muitas preferem ir para o abrigo e, de lá, vão embora até para fora do Estado. É  algo comum”, disse a gerente de Proteção à Mulher da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), delegada Michelle Meira.

 













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A delegada chamou a atenção para os casos não só de agressões físicas em que as vítimas conseguiram se recuperar posteriormente, mas principalmente para as situações em que o resultado final foi morte.

Dados da Sesp revelam que, somente no ano passado, 108 mulheres foram mortas simplesmente por serem mulheres. 

“Quase 100% desses crimes são cometidos por companheiros, maridos, namorados, ex-companheiros, ex-maridos  e ex-namorados pelos motivos mais banais possíveis”, disse. 

Muitas mulheres que não conseguiram mudar de cidade procuram encontrar formas para não se tornarem vítimas nas mãos de seus agressores. Com medo de ameaças, muitas chegam a mudar a rotina. É o caso de uma jovem de 27 anos, que, após se separar do marido, foi perseguida e ameaçada durante um tempo. 

“Hoje, tenho medida protetiva, mas, mesmo assim, sinto medo. Por isso, mudei toda a minha rotina e os meus horários. E não saio mais sozinha”, disse a jovem, que pediu para não ser identificada. 

2.307 pedidos de proteção

Para fugir de seus agressores e tentar impedir que se aproximem,  2.307 mulheres solicitaram Medidas Protetivas de Urgência — que proíbem os acusados de chegarem próximo delas — após algum episódio de agressão ou de ameaças no Estado. 

O número é do Tribunal de Justiça e considerou as solicitações feitas em janeiro e fevereiro deste ano. 

Desse número, 1.581 foram deferidas e obrigam os homens, acusados de bater ou ameaçar suas companheiras e ex-companheiras a não chegarem perto delas. Caso eles descumpram a medida, podem até ser presos.

Para o criminalista e especialista em criminologia Flávio Fabiano, as Medidas Protetivas de Urgência são efetivas, na maioria dos casos, uma vez que, quando descumprida pelo agressor,  haverá a prisão em flagrante delito.

“O que resta é que as mulheres denunciem esses homens agressivos e não desistam dessas medidas, das ações penais para que o agressor seja punido”, disse o advogado.

Reação violenta e agressiva ao fim de relacionamentos

A maioria dos casos de violência doméstica contra mulheres está relacionada ao ciúme possessivo de muitos agressores. Por não aceitarem o fim dos relacionamentos, esses criminosos acabam até matando as companheiras e ex-companheiras.

Um caso que retrata isso foi a morte da auxiliar de serviços gerais Daniela  Oliveira Leão, de 34 anos, no último dia 19. Segundo a polícia, ela foi estrangulada dentro da própria casa, em Padre Gabriel, Cariacica, após discussão com o ex-marido, que não aceitava o fim do relacionamento.  

Familiares da vítima alegaram que a mulher vivia um relacionamento abusivo com o ex-marido e  teria decidido colocar um fim na situação. Por não aceitar o término, ele cometeu o crime. 

Machismo

A maioria das vítimas é assassinada simplesmente por serem mulheres e pelas mãos de seus próprios maridos e ex-maridos. 

“São homens que não aceitam o fim do relacionamento, por uma cultura machista, de entender a mulher como objetivo deles. O ciúme é o grande motivador para que eles cometem os delitos”, explica a gerente de Proteção à Mulher da Secretaria de Estado da Segurança Pública, delegada Michelle Meira.


ALGUNS CRIMES


Mordida pelo ex

Uma mulher, que não teve a identidade revelada pela polícia, foi perseguida e agredida pelo ex-marido dela, um pedreiro de 30 anos, em Canaã, Viana. 

A vítima, que havia se separado do agressor há pouco tempo, seguia para o trabalho a pé, quando foi obrigada a entrar no carro do acusado que a mordeu no rosto. Ela foi salva por uma viatura da Guarda Municipal que passava pelo local.

Orelha arrancada

Ao se separar, uma dona de casa, de 27 anos, foi espancada pelo ex-namorado e teve um pedaço da orelha arrancada por ele. O caso aconteceu em São Torquato, Vila Velha, no mês passado.

Ela registrou o caso na delegacia e contou que teve relacionamento de dois anos com o acusado, mas, devido ao comportamento agressivo dele, decidiu se separar. Por não aceitar o término, ele começou a ameaçar a mulher, chegando a agredi-la no meio da rua. 

Atropelada e morta

A doméstica Carla Valadares da Silva Souza foi atropelada e morta após ser perseguida em uma rodovia de Guaçuí, na região do Caparaó. O acusado do crime é o ex-marido dela, Adilon Roberto de Souza, de 36 anos.

Segundo a família da vítima, o casal estava junto há 20 anos e, na época do crime, em novembro do ano passado, eles estavam separados. Ele foi preso e disse à polícia que tentou frear, mas que não conseguiu evitar atropelamento.


SAIBA MAIS


Agressões e ameaças

  • Após passarem por várias situações que envolvem agressões físicas, psicológicas e financeiras, muitas mulheres decidem procurar a polícia para pedir a “Medida Protetiva de Urgência”, que proíbe seus agressores de chegarem próximo delas.
  • O problema é que, mesmo assim, os agressores continuam importunando as vítimas e, além de persegui-las, chegam a ameaçá-las. 
  • A maioria desses agressores são companheiros, maridos, namorados, ex-companheiros, ex-maridos e ex-namorados dessas mulheres
  • Com medo de serem mortas, acabam se mudando de cidades e até Estado. 

Casa Abrigo

  • Um local que oferece apoio para essas vítimas e também aos filhos delas, dando a proteção de que precisam, é a “Casa Abrigo”, que, por questões de seguranças, não terá seu endereço revelado.
  • Somente este ano, o local recebeu 14 mulheres e 12 crianças.

Feminicídio

  • Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) revelam que, somente no ano passado, 108 mulheres foram mortas por maridos, namorados ou ex-companheiros.

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