O trabalho remoto traz uma série de oportunidades, inclusive para brasileiros trabalharem para empresas de outros países. Neste contexto, alguns profissionais vêm realizando o sonho de muita gente, pois estão trabalhando a mais de sete mil quilômetros de seus gestores.
Geralmente, são colaboradores de áreas como Tecnologia da Informação, Comunicação, Design e Marketing Digital. Trabalhando com programação, Gabriel Miranda Lyra, de 29 anos, é um deles.
Mesmo morando em Vitória, ele já trabalhou para uma empresa na Flórida, nos EUA; depois, para uma de Portugal, prestando serviço para o Reino Unido. E, hoje, trabalha remotamente para outra empresa de Portugal.
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“Lá fora não tem essa mesma hierarquia. Tem o CEO, que define quais são as prioridades para a empresa. O próprio time decide o que vai fazer. Os gestores são mais gestores de pessoas que de trabalho. Entram em contato para saber como você está e no que a empresa pode melhorar”, contou.
Um dos aspectos bons de trabalhar dessa forma, para ele, é sentir que a empresa confia no seu trabalho, pela produção e entrega.
Mas, por outro lado, lembrou que esse contato distante com os gestores dificulta conversas informais para saber, por exemplo, sobre os planos para o futuro da empresa.
Experiente na modalidade, ele já trabalhou em uma empresa que promovia um encontro semestral entre os empregados de diferentes países, enviando passagens e cobrindo as despesas. “São trocas muito ricas”.
Moeda
Para o consultor de carreiras e diretor da Acroy, Elias Gomes, entre as vantagens desse tipo de trabalho está a remuneração, que muitas vezes é em dólar ou euro, sendo um valor maior do que o profissional receberia no Brasil.
Já entre as desvantagens, ele apontou o fuso horário e menos chance de promoção do que quem está presencialmente. “É mais difícil para o líder avaliar as habilidades comportamentais”.
No caminho inverso, há profissionais saindo do Estado para fazer intercâmbio, mas continuam trabalhando para a empresa daqui, conforme o especialista em educação internacional, Victor Ferreira.
Da Serra para o Canadá
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O programador Bruno Bortolotti, de 32 anos, trabalha a mais de 11 mil km de distância do seu gestor. Ele mora em Valparaíso, na Serra, e trabalha remotamente para uma empresa da área de vinhos, em Vancouver, no Canadá.
Bruno não sente falta de um líder por perto, por causa do seu próprio perfil: “Sempre fui um profissional que tem noção daquilo que precisa ser feito. Até prefiro trabalhar em home office. Existem ganhos perceptíveis, como poder passar mais tempo com a família”, contou. Mas reconhece que o contato pessoal também é importante.
Sobre a questão do fuso horário, ele frisou que a empresa já tem uma rotina preparada para isso. “Existe uma faixa de horário durante o dia na qual a maioria dos programadores está online para fazer reuniões ou atividades que envolvam colaboração”.
Ele apontou que, embora o contato presencial seja importante, as empresas de TI perceberam que vão ter que continuar com modelo de home office. “Há uma disputa por profissionais da área e se a empresa pressionar para o colaborador voltar para o trabalho presencial, ele pede demissão”.
SAIBA MAIS
Trabalho remoto
- Com o trabalho remoto, profissionais conseguem trabalhar para empresas de outros países, sem sair de casa. Esse tipo de trabalho tem vantagens e desvantagens.
Vantagens
- Para quem mora no Brasil e presta serviço para outros países, recebendo em dólar ou euro, o salário é maior. Além disso, é possível ficar perto da família.
- Estar longe do líder direto permite trabalhar autonomia, autogestão, entre tantas outras habilidades necessárias para cumprir as entregas.
- Além disso, esse tipo de trabalho cria oportunidades para que profissionais possam trabalhar em grandes corporações reconhecidas mundialmente. Oportunidades que talvez não teriam se não fosse nessas condições.
- Trabalhando dessa forma, o profissional tem contato com pessoas de outros países e de outras culturas, o que permite ampliar sua visão de mundo.
Desvantagens
- Entre as principais desvantagens está a questão do fuso horário. Isso porque, trabalhando com profissionais de outros países, para reuniões e tarefas que envolvem colaboração, é preciso encontrar um horário em que todo o time possa se reunir.
- Outro ponto é que, quando o colaborador se relaciona a distância com o líder, este acaba não conhecendo mais de perto as habilidades comportamentais do profissional, que tem suas chances de promoção reduzidas.
- Também fica mais difícil para o colaborador visitar a empresa e manter conversas informais com líderes e colegas, o que dificulta na hora de saber sobre os planos da organização.
Fonte: Elias Gomes, Bruno Bortolotti, Victor Ferreira.