Uma jovem, de 25 anos, foi sequestrada após ter a casa da família invadida na manhã deste domingo, 27, em Guarapari.
A filha da comerciante Lelena Lorenzoni, de 57 anos, foi resgatada duas horas depois, e o criminoso chegou a fugir, mas acabou preso ao ser encontrado dentro do galinheiro de uma fazenda em Cachoeiro do Itapemirim.
A comerciante contou para A Tribuna que o criminoso entrou na residência enquanto o portão eletrônico fechava, após a irmã sair com o carro.
“Minha irmã saiu com o carro dela, e eu acionei o portão para fechar. Estava terminando de fechar, quando ele entrou abaixado. Ele veio na minha direção e disse que era um assalto. Eu cheguei a pensar que aquilo pudesse ser mentira. Ele colocou a faca na minha cintura, e mandou que subíssemos as escadas abraçados, para não levantar suspeita”, lembra Lelena.
A filha dela estava dormindo e foi acordada com um soco que a mãe deu na porta do quarto. O criminoso chegou a dar um tapa no rosto da jovem, rasgou uma toalha para amarrar a mãe dela e com a ajuda da garota foi procurar dinheiro pela casa.
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O criminoso tirou tudo do guarda-roupas, e encontrou joias e bijuterias, que colocou em uma sacola. E na busca, encontrou a quantia que a comerciante tinha guardado em casa, R$8 mil.
Foi depois de conseguir o dinheiro que ele sequestrou a jovem para dirigir. Após conseguir desatar os nós, Lelena disse que conseguiu pedir ajuda à família e acionar a polícia.
Polícias Militar, Civil e Rodoviária Federal foram acionadas. O Inspetor S. Costa da PRF destacou que todas as viaturas de Guarapari e de Safra, foram mobilizadas.
“A instituição mobilizou todos os seus recursos no sentido de rastrear o veículo que estava a vítima. Equipes de Guarapari e de Safra, se deslocaram para o Sul do Estado, tendo abordado o veículo no trecho da BR-101, em Cachoeiro de Itapemirim. Assim que o veículo foi abordado, o autor se evadiu para o mato e a vítima foi resgatada”.
Cerca de 4 horas depois, o criminoso foi encontrado por militares, escondido dentro do galinheiro em uma propriedade particular. E o Inspetor comemorou a prisão.
“Foi uma satisfação retirar da rua esse indivíduo de alta periculosidade, e devolver a jovem ilesa para sua família”, completou.
“Ele dizia que só queria dinheiro, até PIX”
A comerciante Lelena Lorenzoni, de 57 anos, teve a casa invadida por um criminoso, foi amarrada com uma toalha, teve dinheiro, joias e carro roubado. Ela conta como o ladrão ainda sequestrou a sua filha, de 25 anos, que foi resgata quase duas horas depois..
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A Tribuna – Como ele entrou na casa?
Lelena Lorenzoni – O portão é eletrônico e estava terminando de fechar, quando ele entrou e anunciou o assalto. No começo, eu não acreditei e até ri. Ele me apontou a faca e disse que nós íamos subir as escadas. Ele subiu comigo abraçado, e quando eu passei na porta da minha filha, que ainda estava dormindo, eu dei um soco na porta, ela acordou desesperada.
Como ele agia?
Ele ficou com a faca na minha cintura. Ele me colocou deitada no chão do quarto, cortou a toalha e amarrou meus pés e minhas mãos. Nós pedíamos calma e ele dizia que só queria dinheiro, pix. Pegou todo meu dinheiro, e eu pedia por favor para não levar minha aliança, porque é a única coisa que eu tinha do meu marido já falecido.
Em que momento ele anunciou que levaria sua filha?
Ele me disse que só ia dar uma volta de carro com minha filha. Eu pedia, por favor, deixa ela, só leva o carro. Mas ele não sabia dirigir e disse que ela tinha que ir com ele. Ele pediu o carro que tivesse mais gasolina, e eu disse que era o meu. E ele me disse: calma, eu não sou estuprador, sou só ladrão.
Como conseguiu pedir ajuda?
Ele me deixou amarrada. Eu rezei muito, muito. Até que consegui desamarrar. Fui ligando para meu outro filho, meus irmãos, filho da minha amiga que é policial. E fomos acionando todo mundo. Primeiro procuramos eles no banco, porque eu achei que ele pudesse ir tentar sacar dinheiro com os cartões.
Quando sua filha foi encontrada?
Ela me ligou depois de duas horas que saíram daqui de casa, por volta do meio-dia. Ela disse que ele a tratou bem, mas ficava ameaçando o tempo inteiro para que fizesse tudo que estava mandando. Comprou marmita para os dois comerem. Não sei como foi isso, porque ainda não nos encontramos. Ela ficou em Cachoeiro com meu irmão, resolvendo as coisas na polícia.
A polícia abordou o carro?
Na BR, a polícia fez um cerco para abordar o carro, mas ele não deixou ela parar. Teve uma perseguição, e eles atiraram contra o carro até acertarem o pneu. Eles pararam e ele fugiu pelo mato. No carro ele disse que queria ir para Belo Horizonte, mas pegaram a estrada para o Rio de Janeiro.
E qual a sensação que fica?
De muita revolta. Uma pessoa entrar dentro da sua casa, ficar gritando com você, é muito triste. Uma sensação de impotência. Só estava eu e ela (a filha). Ele pediu para trocar de roupa para trocar de visual. Colocou um moletom da minha filha. No caminho ela disse que ele tentava acalmar ela para ela dirigir bem. Fica o trauma e o medo também.