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SAÚDE

Medicamentos biológicos dão qualidade de vida

As novas tecnologias e o avanço na ciência trazem melhora no controle das doenças e até possibilidade de cura de alergias

O alergista e imunologista José Carlos Perini conta que o mundo está entrando na era dos remédios vivos

Última atualização

As novas tecnologias  e  avanços nas pesquisas científicas  permitem melhora no controle da doença e garantem qualidade de vida aos pacientes,  mesmo em casos graves. Além disso, também  trazem possibilidade para chegar à cura das alergias, segundos os médicos. 

É o caso dos medicamentos biológicos ou remédios vivos,  derivados de materiais biológicos  como anticorpos e ácidos nucleicos, que são modificados pela biologia molecular e transformados em anticorpos monoclonais, proteínas de fusão e citocinas recombinantes com funções específicas no tratamento das alergias.

Segundo médicos, esses medicamentos são usados hoje para  casos graves e têm mostrado ótimos resultados. O  alergista e imunologista José Carlos Perini explica  que “estamos entrando na era  dos   não farmacológicos”, ou seja, de tratamentos sem uso de um químico. 

“São anticorpos modificados que conseguem mudar a resposta do corpo durante seu uso. Nos casos de asma grave,  é possível utilizar medicamentos que mudam a resposta da pessoa em relação aos fatores inflamatórios. Existem para asma, dermatite atópica, urticária e polipose nasal”. 

O médico conta que,  por ser de alto custo, esse tratamento hoje é acessível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com indicação de médico especialista e por processo administrativo.

“Eles abrem possibilidades  de inovações no tratamento e também     de cura a longo prazo. Evoluímos de forma geométrica. Um avanço gera vários outros.   Vamos chegar em coisas melhores a partir desses novos procedimentos”, explica.

Outro avanço, segundo a alergista e imunologista  Luisa Karla de Paula Arruda, são os antialérgicos de segunda geração, que não causam sonolência. “Eles controlam  a alergia, mas não causam esses efeitos no sistema nervoso central. Podemos usá-los com mais segurança”. 

 A imunoterapia cutânea, feita com adesivos com concentrações diferentes do alimento alergênico, por exemplo, também é uma novidade, segundo o médico intensivista do Cremasco Medicina Diagnóstica, Enrico Miguel Stucchi.

“São colocados na pele e têm períodos variáveis para tentar induzir uma tolerância. É algo recente e  não está disponível para prática rotineira. Ainda é uma metodologia em estudo”.

 













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Pandemia reduz internações

Estatísticas do DataSUS indicam que as medidas preventivas adotadas na pandemia da covid-19 reduziram o número de internações de pacientes com asma. Segundo   médicos, ela é  uma das principais alergias no Brasil atendidas pelo  SUS.

 Os dados mostram que, no ano de 2019, eram 77 mil pacientes com asma internados. Em 2020,  o número caiu para 45 mil.

“A máscara, o distanciamento social e as outras ações adotadas preveniram não só a covid-19, mas todas as infecções respiratórias, que são um dos principais desencadeantes das crises de asma”, explica  o alergista Pedro Giavina-Bianchi, coordenador do Departamento Científico de Asma da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).

A asma acomete cerca de 10% da população brasileira e é responsável por cerca de 2 mil mortes por ano só no Brasil. Segundo o médico, os principais sintomas da asma em decorrência da inflamação dos brônquios são falta de ar, chiado no peito, tosse, sensação de cansaço e dor no peito, manifestação clínica normalmente acentuada após esforço físico e até mesmo ao falar e rir.

A pediatra e alergista  Bruna Piassi Guaitolin, médica  do Hospital Maternidade São José (HMSJ),   aponta  que o  diagnóstico das alergias é basicamente clínico, com uma história e um exame físico detalhado.

 “Porém, podemos lançar mão de alguns exames, como o ‘prick test’ (teste cutâneo) e o teste de provocação oral. No caso de alergias ou suspeita, procure sempre um alergista para acompanhamento e orientação”.


Saiba mais


Medicamentos imunobiológicos

  • Os mecanismos de ação desses medicamentos são variados, bloqueiam a IgE, que é o anticorpo relacionado com as reações alérgicas, ou bloqueiam produtos de células como a interleucina-5 ou interleucina-4, que são substâncias que participam do processo inflamatório relacionado à doenças como asma, urticária crônica e dermatite atópica.
  • São medicamentos de alto custo e, por isso,  indicados apenas para os pacientes que preenchem critérios específicos de gravidade. O remédio é oferecido no SUS e também por alguns planos, mediante   processo administrativo.

Imunoterapia

  • Essa técnica é conhecida também como vacina para alergia, pois consiste na aplicação de doses leves e crescentes do alérgeno ao qual o paciente é sensível, durante um período determinado, acompanhando a evolução até que não haja mais reação ao alérgeno.
  • A imunoterapia é indicada para pessoas com sensibilidade ao pólen, ácaros, fungos, poeira doméstica e venenos de insetos, e não é indicada para casos de alergia por contato ou alimentar.
  • Além de vacinas injetáveis e orais, há estudos com a vacina de adesivo, que é colocada na pele e tem períodos variáveis para tentar induzir uma tolerância.   

Novos medicamentos

  • As pesquisas estão evoluindo e trazendo novos anti-histamínicos, que são medicamentos utilizados para alergias mais eficientes e com menos efeitos colaterais. Atualmente, há opções que não dão sono, apresentam uma ação mais rápida e uma posologia mais confortável.
  • Outros exemplos são as canetas de adrenalina, que podem ser utilizadas por pacientes com alergia alimentar. Eles podem levar na bolsa e, caso aconteça algum incidente, podem injetar a adrenalina e frear o avanço dos sintomas da alergia.

Fonte: Médicos consultados e pesquisa AT.

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