|
Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Estilo:
Mesmo com o risco de dependência, os analgésicos mais potentes contra a dor não podem ser “demonizados”. Quem afirma é o médico psiquiatra Valber Dias Pinto.
Ele ressalta que os diferentes medicamentos possuem vantagens e desvantagens, e o ideal é fazer uso racional, tratando também a causa dos problemas.
Valber reconhece que, muitas vezes, as prescrições são exageradas, mas na maioria das vezes por manipulação do paciente, já que não há controle sobre o que ele já tomou. Neste caso, os dependentes das substâncias vão de médico em médico buscando novas receitas.
A Tribuna – De que forma esses medicamentos agem no cérebro?
Valber Dias Pinto – Através de um receptor que diminui a dor, fazendo o efeito analgésico. E também atua no sistema de recompensa, causando sentimento de prazer e bem-estar. Isso causa a ativação desse sistema, que induz o indivíduo a buscar novamente aquela substância, ou seja, a dependência.
Os riscos são grandes?
Os riscos são inerentes ao uso da substância, já que ela causa dependência. Ou seja, a pessoa deixa de utilizar apenas para o uso analgésico e usa para obter sentimento de bem-estar e, posteriormente, não ter sentimento de angústia.
É possível uma overdose?
Existe o risco. É mais comum com os injetáveis, mas também pode acontecer com outros, como a oxicodona. Temos relatos de morte por overdose, suicídio, por uso dessa substância na pandemia.
Como o paciente chega na dependência?
Muitas vezes, a pessoa não percebe que está dependente. Ela troca de profissional para que o médico não perceba que a quantidade que ela está consumindo é exagerada, e com isso vai postergando o diagnóstico.
É importante ressaltar que, para ser caracterizado dependente, é quando o paciente usa doses progressivamente maiores, tem síndrome de abstinência quando fica sem, e tem prejuízos causados em sua vida.
Como é o tratamento?
É preciso tratar a causa de base desse quadro. Ou seja, se ainda existe um quadro doloroso, é preciso tratar adequadamente com outros recursos. E tratar a dependência com medicamentos que atuem no sistema de recompensa para que ele entre no estado de equilíbrio.
São usadas doses progressivamente menores de substância opioides, às vezes com a própria substância, para que o paciente faça uma retirada natural. É preciso haver o compromisso da pessoa com o tratamento.
Está havendo uma indicação exagerada ou irresponsável desses medicamentos?
Há uma falta de controle de quem prescreve quando o médico não sabe que a pessoa que busca o profissional já tem uma receita ou já estava tomando a medicação. Muitas vezes, o profissional indica uma dose normal, mas não sabe que a pessoa já passou em outro médico e já tem uma receita.
No geral, é uma prescrição exagerada, mas não é por má-fé, e sim porque a pessoa em dependência manipula o médico para obter a substância.
O que fazer para melhorar essa situação?
Falta, por parte do governo, um cadastro único dos pacientes sobre as substâncias controladas. Com isso, o profissional de saúde teria acesso e iria saber a medicação que esse paciente já tomou. Seria um controle mais rigoroso.
É possível conciliar o uso responsável e saudável?
Não podemos colocar esses medicamentos como demônios, não é por aí. Existem muitos medicamentos para dor, cada um com seus prós e contras. Os analgésicos simples, anti-inflamatórios como dipirona e ibuprofeno, são ótimos e não causam dependência, mas tem uma potência limitada contra dores mais fortes e podem causar lesão renal.
Já os analgésicos opioides têm uma potência alta e causam dependência, mas sem problema renal. Todos têm vantagem e desvantagens. O ideal é fazer o uso racional e tratar a causa do problema.
Farmacêuticos pedem ação conjunta
Diante de tantos casos de automedicação e venda de remédio sem prescrição, o Conselho Regional de Farmácia do Espírito Santo (CRF-ES) afirma que está reforçando a importância da venda correta e das práticas legais.
“Infelizmente, ainda existe essa prática da busca pelo medicamento sem prescrição médica. Temos trabalhado muito na informação, tanto para a população quanto para os profissionais que atuam nessa área, quanto aos riscos da prática. Mas, sim, ela ainda é comum”, reconheceu o presidente do CRF-ES, Leandro Rodrigues Passos.
O presidente do conselho também ressaltou a importância dos cuidados pelo profissional farmacêutico.
“O profissional farmacêutico é o profissional capacitado e habilitado para estar à frente das farmácias, cuidando da dispensação de medicamentos, ato privativo desse profissional. Com isso, conseguimos minimizar a prática da automedicação e da compra sem a prescrição médica”.
Para coibir irregularidades, Rodrigues cita a necessidade de ações conjuntas, junto à vigilância sanitária.
“Lembramos que medicamentos da portaria 344, quando vendidos sem receita, configura crime, podendo ser enquadrado como tráfico de drogas. Temos um código de ética que prevê crimes desse tipo”.
Para o presidente do CRF-ES, também é muito importante que se façam denúncias em casos de estabelecimentos farmacêuticos que não tenham a presença do farmacêutico, ou que façam a venda de medicamentos sem receituário médico.