|
Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda: false
Alinhar à direita: false
Alinhar ao centro: true
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Estilo:
Nove capixabas estão em um documentário patrocinado pelo Ministério da Cultura que mostra a tradição do benzimento na região serrana do Estado. Com um ramo de ervas e ou um terço na mão, eles afirmam que rezam para melhorar problemas de saúde e até “mau-olhado”.
Profissionais de saúde revelaram que já foram curados de doenças após passarem pela prática tradicional, que é defendida até por terapeutas. E tem até benzedeira que atende a distância.
Uma das personagens do documentário que vai mostrar os benzedeiros capixabas é a Maria Jorgete Grassi, 77, a dona Jorgete, como ela é mais conhecida em Alfredo Chaves.
A aposentada garantiu que nunca cobrou atendimento para quem a procura em sua casa, no bairro Macrina. “Não cobro nada. Não posso negar atendimento para ninguém”.
Dona Jorgete contou também que benze amigos, conhecidos da família e até pessoas de outros municípios há mais de 30 anos. Tudo começou depois da morte de seu pai. “Foi meu pai que me ensinou a benzer. Ele quis deixar para mim porque nenhum dos outros filhos se interessou, só a minha cunhada. Mas ela não aprendeu, eu sim. E já benzo há 32 anos”.
Alguns pedidos de oração que chegam até ela possuem nomes bem característicos, como “mau-olhado”, que é a famosa inveja, o mal de simioto, nome popular para a desnutrição em bebês, e o “fogo selvagem”, o pênfigo (doença autoimune). Para a última, o benzimento é diferente: “Coloco a criança sobre o fogão a lenha e vou benzendo junto com a fumaça que sai dele”.
Quem garantiu que já curou um filho com benzimento foi a aposentada Celita Lima, 66, também de Alfredo Chaves.
“Hoje, ele tem 33 anos, mas meu filho mais novo nasceu com muitos problemas, como desnutrição. Ele gripava muito, vivia doente. Nós o curamos com os benzimentos”.
A idealizadora e produtora do documentário, a professora de História, Joana Francisco da Penha, 45, revelou que é uma das pessoas que procuram o benzimento de Dona Jorgete. E contou o objetivo da produção.
“O projeto ‘Benzedeirxs: a Arte da Cura Pela Fé’ desmistifica crendices sobre esse ofício e a associação a práticas malignas, apresentando toda a fé e religiosidade dessa tradição milenar”.