Os novos remédios contra a obesidade alcançam cada vez melhores resultados e iniciam uma revolução no tratamento da doença.
Um estudo com o tirzepatida, medicamento já em fase de aprovação nos EUA, demonstrou 22,5% de perda de peso corporal entre obesos ou pessoas com sobrepeso.
Os resultados foram divulgados pela farmacêutica americana Eli Lilly. Cerca de 2,5 mil voluntários participaram da pesquisa durante um ano e meio.
A perda de peso entre pessoas que receberam o medicamento variou de 16% a 22,5%, a depender da dosagem utilizada.
O nutrólogo Roger Bongestab explica que o tirzepatida controla o metabolismo de glicose e, assim, induz a saciedade para proporcionar a redução da fome.
“A pandemia da obesidade é grave e mata milhões de pessoas no mundo. Temos vivido uma revolução no tratamento contra a obesidade com o avanço dos remédios”, pontua.
A endocrinologista Gisele Lorenzoni conta que o desenvolvimento de novos medicamentos contra a obesidade têm aumentado o sucesso do tratamento entre os pacientes.
“Os novos medicamentos têm menos efeitos colaterais e os pacientes obesos e com sobrepeso se adaptam melhor. Até pouco tempo, tínhamos uma limitação de medicamentos, mas os estudos avançaram nos últimos anos”.
A nutróloga Christian Kelly reitera que a obesidade é uma doença multifatorial e crônica e, por isso, o tratamento é prolongado.
“Os medicamentos que existem são efetivos, com perda de peso que pode chegar a 20%, se houver as mudanças do estilo de vida. Temos menores efeitos colaterais e maior segurança e, para mim, é uma grande evolução”.
O nutrólogo Roger Bongestab reitera, no entanto, que a cirurgia bariátrica para pacientes obesos com tal necessidade continua sendo o método mais eficaz de combate à obesidade.
“A cirurgia causa efeitos a longo prazo e é mais eficaz para o controle do peso e de comorbidades, para quem precisa. Os remédios são aliados e podem ajudar na melhora da qualidade de vida”.
A farmacêutica Eli Lilly deve solicitar o uso do medicamento tirzepatida nos Estados Unidos.
Orientação médica em busca de saúde
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A dona de casa Maribel Rasera, 53, conta que iniciou a ingestão de um medicamento para perder peso há cerca de 30 dias, por orientação médica.
Ela diz que sua ansiedade provoca compulsão alimentar e, por isso, ela precisa de um remédio para promover a sensação de saciedade e diminuir a ingestão de alimentos. O remédio já melhora sua qualidade de vida, segundo ela.
“Não tive efeitos colaterais, o que era um medo. Minha adaptação está tranquila e me sinto segura com o tratamento por ter buscado um médico. Agora, mantenho bons hábitos alimentares, caminho todos os dias e faço alguns exercícios físicos pela manhã, conforme a indicação médica”, explicou.
SAIBA MAIS
Efeitos
- Hoje, os medicamentos para o tratamento da obesidade estão mais efetivos, com perdas de peso que variam entre 7 a 15%, e menores efeitos colaterais, se comparados a medicamentos mais antigos, como anfepramona e fenproporex.
- Novos remédios, em fase de aprovação, de estudo ou já disponíveis, avançam na eficácia da perda de peso e prometem atingir redução de até 22,5% do peso corporal.
Novidades
- O Tirzepatida é um medicamento, já em fase de aprovação, considerado um grande avanço entre remédios contra a obesidade. Testes divulgados pela farmacêutica Eli Lilly constataram até 22,5% de perda de peso entre voluntários de um estudo com o medicamento. Ele é aplicado como injeção e ainda não está disponível comercialmente.
- A Semaglutida, liberada nos Estados Unidos para tratamento da obesidade sob o nome Wegovy, demonstrou excelente resposta no tratamento, com perda em torno de 15 a 17% na dose de até 2,4 mg, em sua forma injetável. No Brasil, o medicamento aguarda aprovação da Anvisa.
- O Contrave, remédio com junção de bupropiona e de naltrexona, foi liberado no Brasil no início deste ano e atua reduzindo o apetite e aumentando a sensação de saciedade.
- A Saxenda, nome comercial para o fármaco liraglutida, foi aprovada pela Anvisa em 2016. Análogo de um hormônio chamado GLP1, o remédio age no sistema nervoso central, levando à saciedade e à saciação.
Números
- No estado, 31,69% da população geral possui sobrepeso, enquanto 38,39% se enquadra em quadro de obesidade.
Fonte: Especialistas consultados, farmacêutica Eli Lilly, Sesa e Ministério da Saúde.