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Saúde Mental

Ansiedade e depressão põem casamentos em risco

Segundo especialistas, os problemas de saúde mental afetam o convívio no dia a dia e atrapalham a vida sexual

A ginecologista Lorena Baldotto explica que transtornos mentais impactam diretamente nos relacionamentos

Última atualização

Muito mais que  apenas sentimentos de tristeza ou medo, problemas como a depressão, ansiedade ou síndrome do pânico têm  provocado reflexos até mesmo em  casamento  de quem convive com os transtornos.

O médico psiquiatra Jairo Navarro explicou que  os transtornos mentais em geral,  assim como doenças crônicas, mudam  comportamentos.

“Pessoas ansiosas e deprimidas, por exemplo, têm alteração de humor, desânimo, diminuição da vida social, prejuízo no rendimento do trabalho e tendem a ficar mais irritadas. Com isso, há impactos na vida conjugal”.

Segundo o médico, esses transtornos geram prejuízos até mesmo no desejo sexual, além de alterações no peso. “Quem passa pelos transtornos tende a ter menos empenho no cuidado com a família e até no cuidado pessoal”.

Ele ressaltou que o marido ou mulher, que estão próximos, precisam entender que se trata de um adoecimento. “E como qualquer adoecimento, precisa de tratamento”.

A ginecologista, obstetra, especialista em sexualidade e colunista de A Tribuna, Lorena Baldotto, enfatizou que tanto a depressão quando ansiedade e síndrome do pânico afetam a vida sexual. “Uma pessoa com depressão, muitas  vezes, não tem disposição para nada, incluindo para o sexo. Isso afeta homens e mulheres e impacta diretamente nos relacionamentos”.

 













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Baldotto, que também atua com terapia de casal, ressaltou que constantemente recebe  pessoas com problemas no casamento. 

Para a psicóloga Rubia Passamai, os transtornos mentais influenciam não só na  vida de quem está doente, mas das pessoas que convivem com ela.

Ela reforçou a necessidade do acompanhamento com uma  equipe multidisciplinar. “O médico psiquiatra pode prescrever medicamentos, por exemplo, o psicólogo trabalha na ressignificação das vivências que servem de gatilho para transtornos. Quando a família se dispõe a fazer parte do tratamento, ele se torna  mais eficaz.”

A sexóloga e terapeuta de casais  Sirleide Stinguel salientou que, caso não seja tratado, o problema pode se arrastar por anos. “Atendo um casal que não tem relação sexual há 9 anos. Tudo começou após ela passar por depressão”.

Depressão cresceu 40% na pandemia

Apontada como um dos fatores que tem afetado relacionamentos, a depressão continua aumentando no País, em níveis alarmantes. 

 De acordo com a Pesquisa Vigitel 2021, do Ministério da Saúde,  em média 11,3% dos brasileiros relatam um diagnóstico médico da doença. 

O índice é  bem acima da média apontada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para o País, de 5,3%.  

O Vigitel é um levantamento anual sobre saúde nas capitais e, pela primeira vez,  traz números da depressão.

A pesquisa apontou também que, em média, há mais pessoas no Brasil com depressão do que com diabetes (9,1%). 

O trabalho revelou, ainda, que  a doença se mantém afetando  mais mulheres (14,7%) do que homens (7,3%).

“Já tínhamos um indicativo de que o problema estava aumentando e, por isso, decidimos incluir a depressão no Vigitel, que é feito com maior periodicidade”, explicou o coordenador do trabalho, o professor Rafael Moreira Claro, da Universidade Federal de Minas gerais. 

Os pesquisadores acreditam que o número expressivo de diagnósticos está agora relacionado à pandemia de covid-19.

Saiba Mais

Depressão

> É uma doença crônica. Nos quadros de depressão, a tristeza (que é natural por algo ruim que nos aconteceu), simplesmente não passa.  

> Sintomas: tristeza profunda, irritabilidade, alteração do apetite, com perda ou ganho de peso, desânimo e cansaço,   falta de eficiência e motivação, pensamento de morte e outros.

Ansiedade

> Quem tem transtorno de ansiedade sente uma preocupação e medo extremos em situações simples e de rotina. Alguns apresentam sintomas físicos, que atrapalham suas atividades cotidianas.

> Sintomas: inquietação, fadiga,  irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular, perturbação do sono e outros. 

Síndrome do Pânico

> São crises repentinas de ansiedade aguda, marcadas por muito medo e desespero, associadas a sintomas físicos e emocionais aterrorizantes. 

> Sintomas: medo de perder o controle, medo da morte ou de uma tragédia, dormência e formigamento nas mãos, nos pés ou no rosto, palpitações, desconforto, dores no peito, tremores e outros.

Fonte: Especialistas e pesquisa A Tribuna.

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