Doenças com alto risco de mortalidade, como a poliomielite, a difteria e a meningite, ameaçam voltar ao País devido à cobertura vacinal infantil abaixo das metas de órgãos de saúde. No Estado, nenhuma meta de vacinação para crianças foi atingida em 2021.
A queda nos índices de vacinação já é averiguada nos últimos seis anos no Estado, mas se intensificou com a pandemia, de acordo com a coordenadora do Programa Estadual de Imunizações e Vigilância das Doenças Imunopreveníveis da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Danielle Grillo.
Ela explica que a meta de cobertura das vacinas aplicadas na infância é de 95%, com exceção da BCG e da vacina contra o rotavírus (VORH), que têm meta de 90%.
No ano passado, por exemplo, a proteção geral contra a poliomielite atingiu apenas 76,83%, de acordo com dados da Sesa.
“Com o advento da pandemia, a situação piorou. Muitas famílias não foram até o serviço de vacinação, houve interrupção das estratégias de vacinação nas escolas e, ainda, o ambiente de fake news sobre vacinas se intensificou. O sarampo voltou em 2019 e alerta para a volta da poliomielite, da difteria, da meningite e outras”.
A infectologista Rúbia Miossi lamenta o retrocesso na cobertura vacinal infantil e adverte que os efeitos da vacinação abaixo do recomendado podem estar próximos.
“Se continuarmos com esses índices, o risco de termos pessoas com deficiência devido a doenças evitáveis por vacinas, como a poliomielite, se tornará real. Tivemos um surto de meningite no interior do Estado recentemente e temos a vacina disponível e de graça contra a doença pelo SUS”.
A pediatra e especialista em imunização da Clivped Fabiana Frasson analisa que, com a ausência das doenças devido à intensa vacinação no passado, a população tem a falsa impressão de que elas não existem mais. Sem comprometimento com a vacinação, no entanto, todas voltam.
“É inadmissível ver uma pessoa morrer ou adoecer gravemente por uma doença imunoprevenível. Fico horrorizada em pensar que eu possa ver uma criança com sequelas de poliomielite. O controle da doença impede a disseminação e, ainda, que ocorram novas formas e evolução de gravidade”.
“É importante vacinarmos as crianças”
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A pequena Heloísa, de 1 ano e cinco meses, está com a caderneta de vacinação em dia e protegida contra doenças comuns na infância, como a poliomielite, a meningite e o sarampo, por exemplo.
A mãe, Thaís Ferreira, 25, conta que se preocupa em garantir a saúde de Heloísa e, por isso, não deixa nenhuma vacina da menina atrasar.
“É importante vacinarmos as crianças. As vacinas garantem a saúde e evitam doenças. Fico mais segura e entendo que as vacinas existem para ajudar”.
Ela lamenta, contudo, que outros pais não tenham essa visão sobre a vacinação infantil. “Muitos pais caem em fake news. Enquanto tiver vacina, precisamos vacinar as crianças”, ressalta.
Saiba Mais
Nenhuma meta foi atingida
Metas
> A meta de cobertura das vacinas aplicadas na infância é de 95%, com exceção da BCG e da vacina contra o rotavírus (VORH), que têm meta de 90%.
> A meta para de cobertura vacinal infantil contra a covid-19 e a influenza é de 90%.
Números
> Nenhuma meta de vacinação para crianças foi atingida no Estado em 2021.
> A proteção contra a poliomielite atingiu apenas 76,83% no Estado, porcentagem similar à Tríplice Viral (D1), que atingiu 78,35%.
> Até mesmo a BCG, vacina aplicada ao nascer e que protege contra a tuberculose, está abaixo da meta: 79,12%.
> Para crianças de 4 anos, a cobertura vacinal do reforço para a poliomielite é de apenas 59,38%.
Vacinas
> Tuberculose: A vacina BCG protege contra a tuberculose e é a primeira vacina da Caderneta de Vacinação Infantil. O índice de cobertura está abaixo do recomendado no Estado.
> Difteria e meningite: A vacina pentavalente, que protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, meningite e outras infecções, tem três doses, aos 2, 4 e 6 meses de vida, respectivamente. Há reforço contra a difteria na adolescência e em adultos.
> Poliomielite: A vacina contra a poliomielite é aplicada aos 2, 4 e 6 meses de vida. Depois, com 1 ano e 3 meses e com 4 anos de idade.
> Sarampo: A vacina contra o sarampo, a caxumba, a rubéola e a varicela (SCRV tetra viral) é aplicada em dose única, com 1 ano e 3 meses de idade.
Fonte: Sesa e especialistas consultados.