Insultos frequentes, ridicularização, exclusão social e perseguição. O bullying na infância causa sofrimentos profundos e mantém danos psicológicos no subconsciente das vítimas. Os efeitos dessa violência, de acordo com especialistas, podem durar a vida toda.
Tanto que, de acordo com um artigo recente da revista científica Harvard Review of Psychiatry, o bullying na infância causa 27 vezes mais chances de desenvolvimento do transtorno de pânico entre mulheres e 18 vezes mais chances entre os homens, isso no início da vida adulta.
De acordo com a neuropediatra Larissa Krohling, a exposição a agressões verbais, físicas e psicológicas contínuas na infância pode causar baixa autoestima, pensamentos paranóicos e, em casos graves, depressão e suicídio.
“O sofrimento da vítima se mantém no subconsciente e se manifesta na vida adulta, com prejuízos graves à saúde mental. Os efeitos podem aparecer em dificuldades de interação social, danos à vida profissional, dores psicológicas e abuso de álcool e de drogas, por exemplo”.
Já a neuropsicopedagoga Geovana Mascarenhas destaca que o bullying é uma violação aos direitos da pessoa humana e aponta que pesquisas comprovam um maior risco de desenvolvimento de problemas de saúde entre as vítimas.
“O bullying fere a premissa da dignidade da pessoa humana, a igualdade, a solidariedade e a liberdade, por exemplo. Pesquisas sugerem que os efeitos do bullying infantil podem durar décadas e podem aumentar o risco de problemas tanto de saúde física quanto mental”.
A psicóloga clínica Marina Miranda explica que, muitas vezes, o bullying reproduz preconceitos da sociedade e ataca características consideradas “inapropriadas” em grupos sociais.
“Na maior parte das vezes, são reproduções de preconceitos já existentes socialmente. Precisamos identificar o preconceito motivador em cada situação, porque os reflexos dessas violências são distintos nas pessoas, já que ocupamos diferentes posições de privilégios e de discriminação a depender de raça, gênero e orientação sexual”.
O apoio psicológico e médico é a principal forma de lidar com os efeitos do bullying e de impedi-los de se refletirem negativamente em ações da vida adulta, apontam as especialistas.
|
Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda: true
Alinhar à direita: false
Alinhar ao centro: false
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Estilo:
ajuda da terapia
Os momentos de interação durante os recreios escolares eram um pesadelo para o então pequeno Helder Vieira, vítima de bullying na infância. O comportamento introspectivo era alvo de ofensas verbais, psicológicas e até físicas.
Com o início da puberdade, a descoberta da homossexualidade o tornou mais suscetível ao bullying e resultou em um quadro de depressão, aos 17 anos.
Aos 36, Helder descobriu o motivo de sua diferença na socialização: ele possui o transtorno do espectro autista (TEA). Agora, professor, Helder conta que, com a psicoterapia, superou a experiência do bullying.
“Os traumas do passado fazem parte da minha história, porém não influenciam mais a minha vida”.
Pais devem ensinar como lidar
Amor, raiva, felicidade, tristeza e medo. São tantas emoções para conviver desde cedo que as crianças podem não saber gerir o que sentem. Lidar com os sentimentos pode parecer algo natural, mas, na verdade, os pais devem conduzir os filhos nessa tarefa, dizem especialistas.
O problema é que, à vezes, nem mesmo os adultos foram ensinados a enfrentar esse desafio e, dessa forma, não sabem como abordar essa habilidade em casa, explica a neuropediatra Larissa Krohling.
“Os pais devem ser exemplo e precisam ensinar os filhos a lidar com os sentimentos. As crianças estão aprendendo a gerenciar as emoções e as relações sociais e, por isso, é importante estar próximo, brincar, ouvir, dialogar e acolher em todas as situações”.
Para a especialista, o diálogo, com escuta ativa e conexão com os filhos é o caminho para ensiná-los a lidar com os sentimentos.
Em alguns casos, no entanto, as famílias podem não saber lidar com os sentimentos provocados nas crianças pelo bullying e, nessas horas, é preciso buscar ajuda, explica a psicóloga clínica Marina Miranda.
“São comuns os casos em que a família, também abalada (com o bullying), não sabe como agir. Nessa situação, é importante que se busque ajuda psicológica”.
sinais do bullying e o que fazer
Sinais
Alguns comportamentos podem chamar a atenção de pais e de outras pessoas próximas às crianças e adolescentes.
Entre os sinais na vida escolar estão não ter vontade de ir à aula, além de perdas de objetos e de efeitos negativos no desempenho escolar, por exemplo.
Os filhos podem apresentar quadros de insônia, ansiedade, perda de apetite, tristeza, desânimo, desmotivação e comportamentos que fogem do habitual.
É preciso se atentar a sinais físicos, como machucados no corpo e aparecimento frequente de aftas.
Como lidar
Os pais precisam dialogar abertamente com os filhos, manter uma relação próxima e de confiança, além de acolher os sentimentos demonstrados pelas crianças e pelos adolescentes.
Buscar apoio psicológico para os filhos é uma forma de fortalecê-los e ajudá-los a lidar com os sentimentos da exposição ao bullying.
Os responsáveis devem comunicar a escola sobre a violência, para que a instituição informe e medie a situação com os familiares de crianças que causam a violência.
Fonte: Especialistas consultadas.