Com as temperaturas mais baixas, as doenças respiratórias têm atingido em cheio crianças e acendido o alerta em hospitais: cerca de 90% dos leitos de internação pediátricos da rede pública estão ocupados.
O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, explicou que essa é uma época de sazonalidade das doenças respiratórias, onde o aumento da pressão assistencial já é esperada.
No entanto, após dois anos de maiores cuidados por causa da covid-19, ele pontuou que as crianças estão suscetíveis aos vírus em circulação, com aumento de casos e de internações.
“Hoje temos uma ocupação de leitos pediátricos de enfermaria e UTIs variando de acordo com o dia, entre 88% e 92%. A maior parte dessas internações ainda é por causa de sintomas respiratórios”.
Ele reforçou, no entanto, que já houve uma queda se comparado há três ou quatro semanas. “Esperamos que ao longo do mês de junho possamos alcançar uma queda sustentável dos casos”.
Segundo o secretário, apesar da ocupação estar na faixa dos 90%, hoje a rede tem conseguido atender a todos os pedidos de internação, sem a possibilidade de colapso. “Estamos expandindo o número de leitos pediátricos na região Sul, além de mais leitos no hospital infantil de Vitória e Vila Velha”.
Na rede particular, pacientes também relataram recentemente a espera de mais de três horas por atendimento.
A pneumologista pediátrica Carolina Strauss Estevez Gadelha enfatizou que todo ano é esperado, entre abril e maio, o aumento das infecções respiratórias virais e internações por bronquiolite, asma e pneumonia.
“O maior causador dessas infecções virais em crianças pequenas é o vírus sincicial respiratório. Nesse ano, de forma inesperada, os casos aumentaram mais que o previsto. Entre as causas prováveis está o retorno ao ‘normal’ e esses vírus terem encontrado uma população, menor que 3 anos, sem imunidade para essas infecções.”
A infectopediatra Euzanete Maria Coser reforçou a necessidade muito importante que todos estejam vacinados contra gripe, covid e pneumococo conjugada. “Meningites têm acontecido e precisamos reforçar a vacinação”.
Espera para atendimento após crise
Depois de muito tempo sem ver a filha Anny Vitória da Silva, 9 anos, apresentar sintomas respiratórios, a auxiliar administrativo Eliane Gonçalves da Silva, 40 anos, teve de recorrer ao pronto-socorro de um hospital particular no último domingo. “Ela estava com uma crise de asma, com respiração ofegante e cansaço, então busquei atendimento”.
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Segundo Eliane, a filha teve de esperar quase três horas para ser atendida por um médico, já que o hospital estava bem cheio. “Chegamos às 19h e saímos à 1h. Muitas crianças e bebês gripados, tossindo.”
Segundo ela, a filha ainda está se recuperando, tomando medicação.
Fique por dentro
Leitos pediátricos estão lotados
Sobrecarga
> Especialmente entre os meses de março e maio, é esperado, todos os anos, o aumento das doenças respiratórias em geral, como gripe, asma, pneumonias e bronquiolites.
> Com a pandemia, em 2020 e 2021, esse aumento não foi expressivo, já que as medidas contra a covid-19 ajudaram a conter outros vírus.
> Este ano, com flexibilização de medidas, casos voltaram a aumentar.
> Médicos relatam que prontos-socorros e leitos de internação têm ficado lotados, tanto na rede pública quanto na particular.
> Nos prontos atendimentos, o aumento da procura também tem sido observado.
Internação
> A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirmou um número de casos e de internações maior este ano.
> Entre 88% e 92% dos leitos pediátricos de enfermaria e UTIs estão ocupados. A maior parte deles por causa de doenças respiratórias.
Doenças
> Entre os principais problemas nesta época está a circulação de vírus, como o vírus sincicial respiratório, influenza (gripe), covid e outros.
> Em muitos casos, quadros virais evoluem de forma mais grave, como pneumonias, em crianças, e bronquiolites (infecção nos bronquíolos, ramificações que conduzem o ar para pulmões), no caso de bebês.
> Nos casos mais graves, muitas vezes a internação é necessária.
> Quando é hora de buscar pronto-socorro
> Nas crises de falta de ar, com dificuldade e esforço respiratório.
> Febre alta nos menores de três meses, ou nos casos com crise convulsiva febril.
> Febre com duração de mais de 72 horas ou quando houver queda do estado geral, ou sinais de desidratação com diarreia e/ou vômitos intensos.
Fonte: Médicos consultados.