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Para realizar o sonho de morar em um lugar cercado de natureza e “viver da arte”, a advogada Paula Alencar, de 31 anos, deixou a vida de luxo que tinha em um um condomínio na Praia da Costa, em Vila Velha, para vender peças de cerâmicas em Alfredo Chaves, na região Serrana do Estado.
A decisão foi há um ano. “Nasci na Praia da Costa e morei lá 95% da minha vida. Minha formação é em Direito, tenho (carteira da) OAB. Segui na área acadêmica, iniciei o mestrado, mas não completei. Na cidade grande, vivemos para estar fora trabalhando, dormir e comer ultraprocessados, na maioria das vezes”.
Hoje, Paula não advoga mais e mora em uma casa de madeira em Cachoeira Alta, distrito famoso por receber turistas do mundo todo, às margens da Rodovia Giuseppe Cetto. No local, ela pensa até em abrir um ateliê para vender as xícaras, jogos de jantar e outras peças que ela confecciona artesanalmente.
“Eu e minha mãe começamos a fazer o jardim e sentíamos que nunca mais queríamos voltar para a cidade. Encarei vir para as montanhas, construir meu ateliê. É um lugar que eu posso produzir bem perto da natureza, e quem sabe no futuro ser um espaço para aprendizado, onde eu possa até ministrar cursos”, enfatizou.
Paula revelou que nos últimos quatro anos trabalhou em uma agência de publicidade em Vitória, onde fazia de contratos até a administração. Viver de arte, segundo ela, era um sonho de infância.
“Eu ganhava por venda, quando passei um tempo tendo uma média salarial alta, já havia quase dois anos fazendo cerâmica, cursando as aulas. Foi uma decisão minha reviver um sonho de infância de poder trabalhar com minha arte, perto de casa, construir uma família onde eu possa estar perto, presente”, completou.
A advogada disse também que sua arte é sustentável. “Terminei agora a instalação da energia solar porque a energia é uma parte muito significativa da cerâmica. A arte também é de existir, resistir de forma sustentável. E eu estou nesse processo, produzindo cerâmica, construindo o ateliê, terminando o jardim”, salientou Paula.