Dirigir sob estado emocional alterado pode aumentar em até 10 vezes as chances de envolvimento em acidentes de trânsito.
A informação, resultado de um estudo do Instituto de Transportes da Virginia Tech, nos Estados Unidos, é o mote da Semana Nacional de Trânsito deste ano, que acontece até domingo, dia 25, e acende o alerta para a importância de temas como saúde mental, inteligência emocional, autoconhecimento e estresse para a redução das estatísticas de acidentes e mortes nas estradas e nas ruas.
“Ansiedade, euforia, tristeza e raiva são exemplos de emoções que podem interferir no dia a dia do indivíduo como um todo, impactando sua vida familiar, as relações e os resultados no trabalho, o cumprimento da rotina e também sua atuação enquanto um agente no trânsito, seja ele motorista, motociclista, ciclista ou pedestre”, afirma a psicóloga e gestora de Comunicação, Meio Ambiente e Recursos Humanos da RodoSol, Márcia Guerrieri.
Outro dado também fortalece a tese de que preocupar-se com as emoções é importante para reduzir ou evitar ocorrências no trânsito.
Estatísticas indicam que falhas humanas são as principais causas de acidentes.
“Ao analisar essas falhas, a falta de atenção aparece no topo da lista. Muitos fatores podem gerar a desatenção, como o uso de telefones celulares no trânsito, mas não há dúvida de que as emoções podem afetar nossa capacidade de foco, concentração, reação e resposta”, afirma Geraldo Dadalto, engenheiro e diretor-presidente da RodoSol.
Ele revela que, depois da falta de atenção, aparecem no ranking de causas de acidente a desobediência à sinalização, a velocidade incompatível com a via e a ingestão de álcool, problemas por si só, mas que também podem ser relacionados às emoções.
“Alguém com raiva, impaciente ou sob forte estresse terá mais dificuldade de respeitar a sinalização, por exemplo. A questão da ingestão de álcool, por sua vez, pode ser a causa da desatenção e também gerar descontrole emocional. São exemplos de como essa discussão é importante na busca por um trânsito menos violento, mais humano e seguro”, reitera Dadalto.
Educação para o trânsito
A Suécia está entre os países mais seguros para dirigir e detém um dos mais baixos índices de mortes por acidente de trânsito do mundo.
São 2,8 mortes para cada 100 mil habitantes, enquanto, no Brasil, o número é de 22.
Especialistas apontam a educação para o trânsito como um dos mais significativos diferenciais do país nórdico.
Para se ter ideia, um sueco começa a aprender sobre segurança nas estradas a partir dos quatro anos e o tema continua em pauta na sua formação até a universidade.
“Formar a nova geração com consciência para o trânsito é fundamental para mudar os índices de acidente. É preciso que motoristas, motociclistas, pedestres e ciclistas entendam que cada um deve assumir sua responsabilidade em prol do bem-estar e da segurança de todos. Trânsito é rede, é uma construção diária e coletiva… Por isso, a educação tem um papel tão indispensável”, considera Geraldo Dadalto.
VALORES PARA UM TRÂNSITO MAIS HUMANO
I. Autoconhecimento
O autoconhecimento é importante para que cada um reconheça seus próprios limites e fortalezas.
Assim, é possível adotar uma postura mais consciente e responsável no trânsito. Se o motorista sabe que está mais ansioso, tenso ou cansado, por exemplo, pode optar por não assumir o volante naquele momento.
II. Controle das emoções
Diretamente ligado ao autoconhecimento, o controle das emoções é facilitado quando se tem consciência de si.
Estar centrado e equilibrado facilita a decisão lúcida e evita a impulsividade no trânsito. Relevar atitudes inadequadas de outros motoristas ao invés de buscar dar “o troco”; não buzinar excessivamente como reflexo da impaciência; entender que a agressividade pode ter consequências graves para si mesmo, para seus familiares e para os outros são comportamentos que farão a diferença no dia a dia.
III. Motivação
A motivação nos impulsiona rumo às metas. Uma forma de adotar um comportamento consciente e centrado é estabelecer metas que te motivem. P
or exemplo: “Estão me esperando em casa. Vou dirigir tranquilamente para chegar em segurança e me reencontrar com quem amo”. Ou então: “Quero chegar em casa para descansar. Se eu evitar o estresse do trânsito e me concentrar em pensamentos positivos, com certeza chegarei menos cansado e em segurança”.
IV. Empatia
A tão falada, mas nem sempre praticada “empatia” – o colocar-se no lugar do outro – nos ajuda a ser mais tolerantes, sensíveis, colaborativos e tranquilos no trânsito.
Ao ser empático, eu passo a assumir atitudes mais gentis como ceder a vez; ser respeitoso com aqueles que são mais vulneráveis (motorista em relação a motociclistas, ciclistas e pedestres, por exemplo) e até a entender que erros acontecem e não representam necessariamente agressões pessoais.
V. Espírito de equipe
Pensar o trânsito como um time em que cada “jogador” é fundamental para o todo nos permite ter noção da própria responsabilidade e desenvolver um olhar mais amigável para os demais componentes da rede, deixando de enxergá-los como “inimigos” ou concorrentes a se vencer.
A vitória é conjunta, de todos, e não de um sobre o outro. O excesso de competitividade dos nossos tempos gera agressividade, estresse e transforma o dia a dia do trânsito em uma “guerra urbana” que faz inúmeras vítimas todos os dias.