Os lanches prontos, a facilidade da entrega rápida e as comidas embaladas ajudam muitos jovens com a rotina agitada a ganharem tempo. Porém, a facilidade pode esconder um perigo que tem alertado médicos e nutricionistas: a má alimentação.
A consequência disso já tem sido evidenciada pelos números. Um levantamento do Observatório de Atenção Primária da Umane, com base em dados da pesquisa Vigitel do Ministério da Saúde, mostrou que os jovens entre 18 a 24 anos são os que mais se alimentam mal: 81,5% deles não consomem a quantidade recomendada de frutas e hortaliças.
Em Vitória, 74,6% jovens nessa faixa etária têm o mesmo perfil. Comportamento esse que preocupa porque, além da falta de nutrientes, pode levar à obesidade e aumentar o risco de várias doenças, como explica a nutricionista Scheila Ricardo.
“A má alimentação é a ingesta inadequada de alimentos que não trazem benefício algum para o nosso organismo. Geralmente, a alimentação desse grupo de idade são hambúrgueres, pizzas, cachorro-quente, e com muita frequência. São alimentos fáceis e práticos, mas não saudáveis”, ressalta.
Outros fatores que contribuem para a alimentação ruim dos jovens, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no Espírito Santo, Mário Sérgio Zen, são o ambiental e o comportamental.
“Hoje, os jovens se encontram para comer, deixou de ser uma necessidade biológica para ser um hábito, uma questão cultural. E frequentemente esses encontros têm alimentos que trazem prazer, que liberam endorfina. Que são carboidrato, açúcar e gordura”.
Não quer dizer que esse tipo de comida deve ser banido, como alerta a endocrinologista Jacqueline Rizzolli, diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso). “O problema é quando vira rotina esse tipo de alimento, o excesso”.
Somando tal comportamento com o sedentarismo, que também cresce, o resultado é o ganho de peso, que tem levado ao sobrepeso e obesidade. Segundo o levantamento da Umane, o índice de sobrepeso e obesidade aumentou em todas as faixas etárias, mas os maiores aumentos se deram entre os mais jovens: 71% entre 18 e 24 anos.
“Houve um aumento do sedentarismo, o lazer é sedentário, com mais tempo de tela: celulares, computador; as atividades laborais são sedentárias, contribuindo para o ganho de peso. Nosso ambiente moderno não favorece um estilo de vida saudável”, observa a endocrinologista Marina Pazolini.
“Tento balancear minha alimentação”
O dia a dia corrido entre faculdade e estágio é um dificultador para hábitos saudáveis na vida do universitário Victor Lima Cardoso, 23. Ele conta que sempre teve problemas com sobrepeso, por isso tenta manter uma alimentação mais balanceada, mas acha que pode melhorar.
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“Com a vida mais agitada, tento balancear mais minha alimentação. Tento evitar frituras, muito sal ou açúcares e incluir mais saladas nas minhas refeições. É bem complicado, como estudo, trabalho e ainda estou no final da faculdade, é uma loucura e não consigo fazer minhas marmitinhas saudáveis, mas me policio bastante!”, afirmou.
Os números
Alimentação
Pessoas que não fazem o consumo recomendado de frutas e hortaliças
18 a 24 anos : 81,5%
25 a 34 anos: 78,5 %
35 a 44 anos : 79,1%
45 a 54 anos : 78,2%
55 a 64 anos: 75,5%
65 ou mais: 75,4%
Consomem refrigerantes 5 vezes ou mais por semana
18 a 24 anos: 19,8%
25 a 34 anos: 17,9 %
35 a 44 anos: 12,5%
45 a 54 anos: 12,3%
55 a 64 anos: 9,1%
65 ou mais: 9%
Consumiram cinco ou mais grupos de alimentos ultraprocessados no dia anterior
18 a 24 anos: 27,9 %
25 a 34 anos: 23,4%
35 a 44 anos: 20,2%
45 a 54 anos: 13,7%
55 a 64 anos: 9,4%
65 ou mais: 9,2%
Aumento nos últimos 15 anos do excesso de peso (sobrepeso e obesidade)
18 a 24 anos: 71%
25 a 34 anos: 46%
35 a 44 anos: 30%%
45 a 54 anos: 17%
55 a 64 anos: 14%
65 ou mais: 17%
Obesidade
- A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de tecido adiposo (gordura) no indivíduo, gerando um impacto negativo em sua saúde global.
- Esta é uma doença de causa multifatorial, e está associada principalmente a fatores genéticos, ao consumo de alimentos não saudáveis (ricos em gorduras e carboidratos) e ao sedentarismo crônico.
Obesidade por idade
18 a 24 anos: 12,23%
25 a 34 anos: 20,77%
35 a 44 anos: 25,4%
45 a 54 anos: 26,2%
55 a 64 anos: 26,2%
65 ou mais: 21,8%
Sobrepeso
- É caracterizado quando uma pessoa está acima do peso considerado saudável e indicado pelo IMC, com valor igual ou superior a 25. A obesidade começa quando o IMC é igual ou superior à marca de 30.
18 a 24 anos : 35,7%
25 a 34 anos: 54,4%
35 a 44 anos: 62,38%
45 a 54 anos: 64,39%
55 a 64 anos: 64%
65 ou mais: 60,7%
Dados em Vitória
- 71,4% das pessoas em Vitória não consomem o recomendado de frutas e hortaliças.
- 17,9% das pessoas em Vitória são obesas. O menor percentual entre as capitais no Brasil.
Brasil
- 87% foi o quanto aumentou a obesidade em 15 anos no Brasil.
- 22,3% são obesos no Brasil.
IMC
- O índice de massa Corporal (IMC) é um dos parâmetros mais utilizados para classificar sobrepeso e obesidade em adultos. Ele é calculado a partir da divisão do peso (em quilos) pela altura (em metros) ao quadrado.
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Fonte: Vigitel, Observatório de Atenção Primária da Umane, Abeso e SBEM.