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ECONOMIA

Erros no sistema do INSS atrasam aposentadorias em até dois anos

Segurados e advogados relatam problemas com o cadastro de dados sociais, o CNIS, o que causa demora de até 2 anos para liberação

MEU INSS

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Usuários e advogados que utilizam o sistema do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) relatam problemas recorrentes na plataforma do órgão. Como consequência dessas falhas estão as perdas de prazos e os atrasos de até dois anos na liberação de aposentadorias.

Recentemente, surgiram relatos de usuários que não estão conseguindo atualizar seus dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), sistema no qual são registradas entradas e saídas de empresas, benefícios e contribuições previdenciárias.

A atualização é possível de ser feita pela plataforma “Meu INSS”,  disponível como site e aplicativo. Segundo queixas, em alguns episódios, as informações inseridas não ficam registadas no CNIS, o que leva ao sistema a entender que não existem documentos que comprovem o direito ao benefício e assim a concessão deles é atrasada.

“Eu não consegui anexar o vínculo manualmente e existe essa possibilidade no sistema. Já tive problemas com documentos anexados e não encontrados”, conta o advogado Nei Moreira.

Além dele, a advogada Renata Prado relata que em 80% das vezes sofre com problemas na plataforma. Segundo ela, alguns são indeferimentos equivocados por ausência de informação no CNIS.

“Mesmo juntando a documentação  da existência do vínculo ou da data do término, muitas vezes os documentos são ignorados. Nesse caso, ou entramos com ação judicial ou com recurso administrativo. O que atrasa o recebimento em, pelo menos, dois anos”, conta Renata.

Ainda assim, as campeãs entre esses problemas são as instabilidades que atingem o sistema do “Meu INSS”. Todos os advogados ouvidos reclamam que usualmente a plataforma sai do ar. 

“Semana passada foi a semana inteira fora do ar, inclusive a questão de recurso. Ninguém conseguiu entrar no sistema de recurso para olhar nada”, conta Renata.

Coordenadora do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), Maria Regina Uliana afirma que só não sofre com atrasos maiores porque logo ingressa com ação na Justiça para dar andamento aos pedidos administrativos.

O INSS Nacional foi procurado pela reportagem, mas não retornou até a publicação da matéria.

Saiba mais 

Meu INSS

> É a central de serviços do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Por meio dela é possível realizar os principais serviços do instituto, como:

> Pedir um benefício ou serviço e acompanhar o andamento do pedido.

> Solicitar aposentadoria.

> Calcular quanto tempo falta para a aposentadoria.

> Tirar extratos como imposto de renda, pagamento de benefícios, contribuição no CNIS e empréstimos consignados.

> Solicitar declaração de recebimento de benefício do INSS.

> Agendar perícia médica.

> Atualizar dados de cadastro.

Problemas recorrentes

> Não é de hoje que a plataforma é alvo de queixas de usuários e profissionais que a utilizam para trabalho, como advogados previdenciaristas.

> A principal queixa sobre a plataforma envolve a grande frequência com que ela sai do ar.

> Problema clássico é como descreve o advogado Nei Moreira.

> “Dificuldade em acessar o sistema para fazer qualquer coisa. O sistema vive saindo do ar ou dando erro”, relatou.

Robôs do INSS

> O Jornal A Tribuna já mostrou, por exemplo, como a inteligência artificial (também conhecida como robôs do INSS) é utilizada para desafogar a fila de espera e acabou provocando novos problemas.

> Muitos advogados relataram negativas equivocadas devido aos robôs do INSS.

Erro na atualização do CNIS

> Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) é onde estão todas as informações sobre os vínculos profissionais do trabalhador, isto é, os registros de  trabalho,  as contribuições e as remunerações.

> As informações do CNIS são essenciais para que o trabalhador consiga dar entrada no seu pedido de aposentadoria.

> Em caso de erros existe a possibilidade de se corrigir as informações do CNIS pela plataforma do Meu INSS.

> Muitos usuários e advogados vêm relatando problemas na hora de atualizar as informações do CNIS.

> Usuários afirmam que anexaram documentos via Meu INSS que comprovam vínculos empregatícios que não estão no CNIS, mas posteriormente perceberam que os dados não foram atualizados na plataforma.

> A consequência do problema pode ser o atraso nos pedidos de aposentadoria.

> Levando em consideração o tempo de deferimento dos processos e a lentidão de reavaliações, advogados afirmam que os atrasos nas aposentadorias podem chegar a dois anos.

Fonte: Advogados citados.

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