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Crimes Virtuais

“Sequelas vão ficar para a vida toda”, diz pai de vítima de crime virtual

Ela está entre as 30 crianças e adolescentes abusadas por universitário de 29 anos

Pai da vítima relata sofrimento e preocupação com as consequências da agressão vivida pela filha

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Abalado e chorando muito, o pai da estudante capixaba que foi vítima dos abusos contou em entrevista ao jornal  A Tribuna como tudo aconteceu. Ele tem 41 anos e não está sendo identificado para preservar a filha, que é menor de idade. 

A TRIBUNA –  Como descobriu?

PAI DA VÍTIMA – Eu sou separado e a mãe dela é casada com um cara muito atencioso para essas coisas. Eu tive sorte do padrasto da minha filha  ter sido maravilhoso nesta questão. Certo dia ele estava do lado do celular dela, quando chegou uma mensagem de uma menina perguntando: ‘Cadê os nudes? Ele  logo estranhou. 

No primeiro momento, a minha filha teve medo, mas logo contou que o cara estava chantageando ela e que começou como uma brincadeira, mas já estava grave.

Qual foi a reação do criminoso?

Logo quando o padrasto respondeu a mensagem, o cara do outro lado já ficou nervoso, mas começou a responder falando assim: ‘Ela é minha princesa’, ‘Não faz mal pra ela, não bate nela, entendeu?’ Como se ele fosse algo dela ou se nós fôssemos os vilões. 

Depois ele começou as ameaças, mas aí já estávamos em contato com a polícia. Na época, eu estava morando no Rio de Janeiro, mas procurei contato direto com alguns policiais federais do Estado. 

Ele foi identificado?

Eu procurei a polícia e o padrasto também chegou a levar todas as provas para a investigação, mas na época, ele não foi identificado. Durante três anos a polícia fez um trabalho intenso para identificá-lo. 

Só que dois anos depois, ele voltou a procurar a minha filha, agora já com 15 anos. Ele descobriu WhatsApp  e Instagram dela, meu, do namorado e de toda família. O cara pegou uma foto minha no meu Instagram e mandou para ela ameaçando que ia mandar os vídeos para a família.

Como sua filha ficou?

Depois de sofrer na primeira vez, ela já estava recebendo atendimento psicológico. A criança, às vezes, acha que  é  culpada, só que ela é só a vítima de um monstro que  usa da sua inocência para poder manipulá-la. 

A gente já tinha preparado ela depois de tudo que aconteceu. Quando ela recebeu essa ameaça de novo, entrou em contato direto com a mãe e procuramos a polícia. 

Ele chegou a ameaçar  de morte em algum momento?

Não. As ameaças foram no intuito de divulgação dos vídeos que ele tinha. Ele pegou bastante vídeos dela fazendo coisas  que você não consegue nem imaginar. Foram vídeos muito pesados. De início, ele usou uma amiga da escola para convencer minha filha.  

Na época, ele se apresentava como mulher, aí ele pegou vídeos íntimos dessa amiga e mandou para minha filha que se sentiu à vontade e achou natural quando viu os vídeos da amiga. 

Como ficou nesse tempo em que ele estava solto?

Infelizmente, não consegui defender ela de tudo, por mais que a gente tenha zelo, carinho, amor, respeito, a gente não pode proteger nunca 100% as pessoas que a gente ama,  mas aí eu jurei a ela que  eu não ia descansar  enquanto não conseguisse pegar esse cara. Eu vi o quanto o brilho se perdeu nos olhos dela, por medo de ir à escola, por medo de namorar e medo de brincar.

Como está sua filha hoje?

Na época, além de todo abalo, ela perdeu todas as provas, mas nós conversamos na escola. Ela vai ter outra chance porque quando ela achou que estava vivendo novamente, tinha até arrumado um namoradinho e  do nada esse cara apareceu. Agora, estamos levando a vida, pelo menos, ajudamos a salvar outras vidas. Espero que esse monstro seja punido como deve ser, infelizmente no Brasil não é o que acontece. As sequelas na nossa família vão ficar para a vida toda

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