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DIA DE FINADOS

Renascimento após viver o luto

Especialistas afirmam que todo o processo de separação precisa ser vivenciado para que se possa reorganizar a vida diante das perdas

A dona de casa Rosiene Campista da Rocha, 42 anos, de Cariacica, participou do projeto AcholheDor, da Ufes, que oferece atendimento para pessoas que tiveram perdas diversas

Última atualização

Como amenizar a saudade? Vivendo o luto. Especialistas são unânimes em afirmar que  todo o processo de separação precisa ser encarado e vivenciado, para que se possa renascer, mesmo diante das perdas.

 
















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E ressignificar o luto implica em dar novo sentido à vida, com a ausência daqueles que amamos. É o que explica  Luciana Bicalho Reis, professora do Departamento de Psicologia da  Ufes, doutora em Psicologia e coordenadora do Projeto AcolheDor.

“As teorias mais modernas não trabalham com ideia de fases  porque se tem a ideia de que o luto acaba, o que é uma ideia equivocada. O luto é um processo individual, em que o enlutado sofre oscilações”, afirma a especialista. 

Ela diz que, no início do processo, a pessoa vai ter maior foco na perda. Com o passar do tempo, terá maior foco na restauração da vida.  

“O que não significa que, em dados momentos, a pessoa não possa revisitar a dor. É uma ideia equivocada a de que a pessoa nunca mais vai chorar sua perda. E não há nada de errado em chorar por quem se foi”, observa.

A psicóloga Paula Jenaina Costa acredita que é preciso falar mais sobre todas as perdas. “Falar mais sobre a morte, sobre separações, perda de vínculos afetivos, que perder dói. E como podemos ressignificar isso, sem paralisar a vida”.

 A psicóloga destaca a importância do acompanhamento em saúde mental adequado. “O luto tem sintomas como apatia, tristeza, dificuldade para dormir ou acordar. Quando esses sintomas se agravam, indicamos o acompanhamento médico”, explicou.

Ela lembra que o acolhimento é muito importante, assim como não minimizar a dor do outro. 

Segundo Luciana Bicalho, o acompanhamento psicológico da pessoa em luto  envolve “tarefas”.

A primeira é reconhecer e aceitar a perda. A segunda é  entrar em contato com a dor que a perda provoca. Depois, é conseguir se refazer do ponto de vista interno e social dessa perda.  Por fim,  conseguir construir um laço continuado com quem morreu, de uma outra natureza. 

“Cada um encontra seu caminho de uma maneira. Mas um exemplo pode ser cultivar um jardim, se a pessoa que morreu gostava de flores”, destaca a professora.

“Novo sentido para a vida”

A dona de casa Rosiene Campista da Rocha, 42 anos,  de Cariacica, participou do projeto AcholheDor, da Ufes, que oferece atendimento  para pessoas que tiveram perdas diversas.

A mãe de Rosiene, Elizete Maria Campista,  morreu em fevereiro, aos 68 anos, devido a cardiopatia e diabetes. “O amor de Deus me faz seguir todos os dias. A maioria fala:  ‘Você tem que parar de sofrer’”, conta.

Ela diz que participar do projeto fez toda a diferença. “Poder falar e  ouvir. Você pode buscar um novo sentido para a vida. Estou buscando um novo significado”.


Atendimento de graça para viúvas


Atendimento gratuito a quem teve perdas distintas,  mulheres que perderam bebês até 30 dias de vida e viúvas. Criado no contexto da primeira onda da pandemia de covid-19 pelo Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o Projeto AcolheDor   continua ajudando pessoas em luto.

Segundo Luciana Bicalho Reis, professora do Departamento de Psicologia da  Ufes,

 
















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doutora em Psicologia e coordenadora do projeto, na primeira semana de outubro foi aberto o grupo presencial, de perdas distintas, que tem oito participantes. Há ainda os grupos online de luto: perinatal  e   viúvas.

“No grupo de perda perinatal, elas falam do quanto é importante ter um espaço de fala. Pois relatam uma certa insensibilidade das pessoas que tentam ajudar e dizem: ‘Ah, você é jovem, logo vai ter outro filho’. Elas falam sobre como foi importante estar em um lugar em que a perda delas era reconhecida em um espaço de validação”.

As viúvas, nos grupos, têm o espaço de falar do papel social e da experiência de não ter o companheiro, de conduzir a criação dos filhos sozinhas, segundo Luciana.

 “A potência do grupo não está somente no mediador da academia. Mas em estar com outras pessoas que passam pela mesma experiência e constroem estratégias de enfrentamento ao problema.”

As inscrições estão abertas permanentemente pelo e-mail [email protected] ou no Instagram @acholhedor.projeto. 

“A pessoa vai receber um link com o formulário de inscrição. Será avaliado o histórico da perda e   saúde mental   e ela será chamada para algum grupo. Mas não é chamada imediatamente”, observa.


O que dizer e o que não dizer?

Buscar ser confortado

A psicóloga clínica Sarah Barros Rodrigues Duarte destaca que sentir saudades no luto é normal e saudável. “Sofrer a dor e se confortar é um movimento saudável no luto”, observa Sarah.

A especialista listou cinco frases sobre o que dizer e o que não dizer a pessoas que estão enlutadas e como as palavras podem afetar quem  passa  por este processo.

O que dizer?

“Sinto muito”: Frase simples que expressa sinceridade.

“Ele (A) não será esquecido (A)”:  O maior medo de quem perde alguém é esquecer este amor e momentos vividos, portanto esta frase apazigua o coração.

“O amor não morre”:  A frase ajuda a pessoa a entender que o que ele ainda sente,  amor, pode continuar em seu coração, não é preciso deixar de amar.

“Posso te abraçar?”: Às vezes, o toque físico é a linguagem necessária a ser usada.

 
















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Mas lembre-se, se não tiver intimidade com a pessoa, peça autorização, por exemplo: “Me permite te abraçar?”.

Contar alguma história verdadeira e bonita e que mostre o caráter de quem morreu. 

O que não dizer?

“Ele descansou”: A maioria dos enlutados entende isso como diminuir sua dor, porque pela lógica o ente querido poderia ter descansado aqui mesmo.

“Foi da vontade de Deus” ou “chegou a hora dele”: São frases que não ajudam por você não conhecer a espiritualidade da pessoa.

“Não chore”: Constranger a pessoa a não manifestar os seus sentimentos não ajuda em nada.

“Não vamos mais falar nele (a)”:  Afim de que a pessoa não sofra é desrespeitoso. No luto é saudável falar e expressar a saudade que se sente de quem morreu.

“Eu sei como é, vai passar”:  Na dor mais aguda do luto é impossível que a pessoa entenda que esta dor vai diminuir em algum momento.

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