Conversas entre advogados acusados de atuarem levando informações e ordens a traficantes presos teriam mostrado a preocupação deles com investigações.
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Em tom de ironia, um deles, segundo denúncia do Ministério Público Estadual, chega a afirmar “qualquer coisa a gente abre uma boca (de fumo) depois e ‘vamo’ vender droga”.
Nas conversas por aplicativo de mensagem entre advogados, um deles teria dito que não precisavam ter medo. Já o outro, que prisão domiciliar seria tranquila.
Na mensagem seguinte, um advogado teria afirmado: “acaba com a nossa reputação e profissão”.
Eles ainda chamariam o administrador do grupo de “chefe da organização criminosa”, formada no WhatsApp, e teriam pedido a tarefa do dia a ele.
Nas mensagens que constam na denúncia do Ministério Público, uma familiar de um homem preso pediu a uma advogada para levar um recado ao criminoso.
A familiar teria perguntado quanto a advogada cobra pelo serviço e a resposta seria R$ 150. Segundo a parente, ela estaria tendo problemas com o advogado que costuma fazer o serviço.
Ao perguntar à advogada se ela poderia mandar tudo (o conteúdo da mensagem), ela teria respondido que “se não for para mandar matar ninguém, pode”. Em seguida, teria dito que era brincadeira.
A mesma advogada, segundo as investigações, teria falado para outro advogado acusado para que passasse o recado de um criminoso a outro, assim que recebesse a “ideia”.
Ela teria pedido para entregar à mulher de um dos presos cargas de drogas.
A investigação também aponta que um outro advogado seria responsável por transmitir mensagens criminosas entre membros da facção, mencionando “meta na favela da maconha, e que conversou com tio que falou que um tal de (nome de preso), que está na Máxima 2, está na posse de 10 pt (pistolas)”.
Haveria indicação de que mandou umas “ideias” pelo acusado sobre a favela e mais algumas coisas sobre o “pó” (cocaína), com cobrança de prestação de contas e emissão de ordens acerca do tráfico de drogas, com expressa exigência de que o acusado levasse o retorno.
As investigações também mostram diversos bilhetes enviados de um criminoso a outro, que seriam passados por meio de advogados, envolvendo conflitos no gerenciamento dos pontos de venda de drogas de regiões de domínio.