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“A fé me salvou”, diz segurança que ficou 3 dias perdido no mar

O segurança Ervando Andrade da Silva, que ficou mais de 80 horas perdido no mar após problema no barco, conta como sobreviveu

“A fé me salvou”, diz segurança que ficou 3 dias perdido no mar
- Ervando Andrade observa o mar ao lado do netinho Nicolas: rever a família após susto era o que ele mais pedia.

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Um problema mecânico no motor do barco que o segurança Ervando Andrade da Silva, de 57 anos, saiu para pescar na semana passada fez com que ele passasse mais de 80 horas perdido no mar. 

A saída de casa foi na madrugada do dia 1º e Vandin, como é conhecido, só foi encontrado às 9h30 do último dia 4. Ele retirou  água de dentro do barco, bebeu água da chuva e não se alimentou.

O segurança perdeu 10 quilos no mar. Para ele, só resta uma certeza: a de que a fé o salvou. 

A Tribuna – Como começou essa situação?

Ervando  da Silva – Eu saí para pescar no meu dia de folga, era de madrugada, e eu pretendia voltar antes do almoço para casa. Pesquei alguns peixes e na hora de voltar o motor do barco não ligava mais, o tempo fechou e começou um vento Sudoeste, acompanhado de uma chuva muito forte. 

Foi assim todos os dias, vento e chuva fortes que enchiam o barco de água, eu não podia nem descansar, senão o barco afundava. Era dia e noite com o balde na mão jogando água para fora. 

A Tribuna – Você ficou sem água e sem comida todos esses dias. Como conseguiu aguentar?

Ervando  da Silva – Eu tive muita fé e aproveitei da minha experiência no mar. Desde pequeno eu pesco e vou ao alto-mar, então eu sabia que não adiantava me desesperar, estava muito longe para tentar nadar e com o tempo fechando as coisas iriam piorar. Não pude comer os peixes que pesquei, então descartei eles, mas na questão da água eu aproveitei a chuva e bebi o que eu pude, não era muito, mas consegui o suficiente para continuar a sobreviver. 

A Tribuna – É a primeira vez que algo assim acontece?

Ervando  da Silva – Não. Há 10 anos, enquanto eu pescava embarcado com meus irmãos, aconteceu algo semelhante. Nosso barco parou de funcionar e não tinha ninguém perto para oferecer resgate. Dessa vez eu pulei no mar e nadei por umas três horas, até que cheguei em Meaípe e lá achei uma pessoa que pôde nos ajudar.

A Tribuna – O que passou pela sua mente enquanto ficava dias à deriva?

Ervando  da Silva – Nunca faltou fé. Eu pensava na minha família, queria vê-los novamente. Minha família é a melhor do mundo e eu sabia que voltaria para eles. Diversas vezes eu ia para o canto do barco, onde me abrigava da chuva forte, e orava para Deus pedindo ajuda, pedindo resgate e pedindo para ver novamente minha família.

A Tribuna – Após esse sufoco, vai voltar ao mar?

Ervando  da Silva – Claro! Pescar para mim é a melhor coisa do mundo. Faço isso desde criança e pretendo continuar fazendo, claro que eu fico com alguns lembretes daqui pra frente e alguns cuidados extras que eu vou tomar para impedir que ocorra isso novamente. Dessa vez Deus me livrou. 

A Tribuna – Fica a certeza de que sua oração foi ouvida?

O ensinamento que tiro disso tudo é que vale muito a pena viver e com Deus tudo é melhor. Eu não tenho dúvidas, a fé me salvou.

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