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AGRICULTURA

Capixaba vira “embaixadora” das plantas medicinais

Selene Tesch cultiva atualmente mais de 360 espécies de plantas medicinais. Ela já teve seu trabalho reconhecido pela ONU

Capixaba vira “embaixadora” das plantas medicinais
- Natural de Santa Maria de Jetibá, Selene Hammer Tesch diz que conseguiu recuperar uma muda em extinção

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A agricultora capixaba Selene Hammer Tesch cultiva atualmente mais de 360 espécies de plantas medicinais no alto de Santa Maria de Jetibá e teve o trabalho reconhecido internacionalmente ao se tornar embaixadora na Organização das Nações Unidas (ONU).  

Natural de Santa Maria de Jetibá, região serrana do Espírito Santo, Selene está à frente de duas organizações de agricultores familiares da região e de uma chácara que tem mais de 300 variedades de produtos, entre hortaliças e temperos, além de presidir a Cooperativa dos Agricultores Familiares da Região Serrana do Espírito Santo (Caf Serrana).

“Foram consultados vários trabalhos relevantes para indicação na ONU. Desde 2005 eu sou presidente da associação e, de 2015 para cá, gerencio a cooperativa. Ambos são  trabalhos de sucesso e eles procuraram  nomear alguém com uma trajetória parecida. Após a nomeação,  chegaram a me visitar com representantes da ONU na minha propriedade”, contou.

 A médica homeopata Henriqueta Tereza do Sacramento explica que  as plantas medicinais podem ser alternativas no tratamento de doenças, desde que haja acompanhamento médico.

Entre os sintomas mais comuns tratados com as plantas estão resfriado com tosse produtiva, gastrite, constipação intestinal, cólicas intestinais, ansiedade, dores articulares da artrose e  alergias da pele.

Nutricionista e terapeuta Ayurveda, Juliana Andrade pontua que,  antes de buscar plantas para reduzir qualquer sintoma, é importante entender a raiz do problema. 

“É importante saber a causa daquele incômodo, ajustar a alimentação e a hidratação e, principalmente, observar as interações dos medicamentos  já  consumidos”.

 Para quem deseja cultivar alguma planta medicinal, a médica Henriqueta  do Sacramento recomenda que o cultivo seja orientado, porque cada planta tem suas especificidades.

Selene Hammer Tesch – Agricultora:

“Trabalho 17 horas direto”


 – A Tribuna: Como começou essa jornada?

Selene: Em 1998 fiz um processo de agente comunitário de saúde e apliquei um questionário às famílias perguntando o que elas buscavam na área de saúde, por exemplo, caso  alguém se machucasse e 99% disseram que usavam primeiro as plantas que tinham  em casa e isso chamou minha atenção.  Aí comecei a catalogar plantas de onde fui fazendo visitas.

 – Como adquiriu conhecimento?

Fiz vários cursos e especializações na área.  Comprei sementes fora do Estado e até no exterior.  Tenho hoje  uma muda  que estava em extinção há muito tempo  e consegui este ano retornar com ela e colocar na banca que é a acelga.

– Como é a sua rotina?

Como lidero uma cooperativa, tenho as plantas e ainda faço feiras, há dias em que trabalho 17 horas sem parar. Também temos cursos na região para capacitação de mulheres e moradores para que o conhecimento não seja adormecido.

 













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MÉDICA É ADEPTA


A médica homeopata Henriqueta Tereza do Sacramento conta que faz uso de planta medicinal como a Rodhiola rósea e a Panax ginseng para reduzir o cansaço e melhorar a perfomance intelectual e a cognição.

“Também utilizo a ginkgo biloba, que é antioxidante, previne distúrbios circulatórios, como trombose venosa,  e melhora a cognição e a memória. Além disso, uso também a cúrcuma longa,  para dores articulares; e o própolis verde, na prevenção de gripes e resfriados, e chás de  camomila, erva-doce e gengibre”.


Especialistas alertam para o cuidado no uso das ervas

Antes de usar uma planta medicinal é preciso entender qual a função e a contraindicação de cada erva para o consumo seguro.

Nutricionista e terapeuta Ayurveda, Juliana Andrade alerta que é preciso buscar a procedência da planta, dando preferência a lotes orgânicos e que passam por processos de seleção e higienização.

“O descuido com a qualidade pode gerar processos alérgicos ou inflamação por contaminação”.

Juliana lembra ainda que, assim como os medicamentos, as plantas terapêuticas precisam de ajustes de doses e frequência. “Toda substância em excesso pode ter efeito oposto causando inúmeros malefícios à saúde”.

A médica homeopata Henriqueta Tereza do Sacramento alerta que entre os cuidados deve-se utilizar plantas medicinais conhecidas. Ela frisa também que nas áreas urbanas existem, hoje, muitas confusões e ofertas de produtos fitoterápicos que não são devidamente preparados e nem fiscalizados. “Lembro sempre que planta medicinal é medicamento”.

 













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