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SONHO DA IMIGRAÇÃO

Dez cidades capixabas têm 2.532 deportados dos Estados Unidos

Mantenópolis lidera o ranking da deportação com 525 registros, seguida de Serra, Alto Rio Novo, Barra de São Francisco e Vila Velha

Americanos e imigrantes se misturam nas ruas dos Estados Unidos: país é o preferido de 40% dos brasileiros

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Do sonho à frustração. Essa é a situação de  2.532 capixabas que deixaram as  suas casas no Estado, em 10 cidades, viajaram para os Estados Unidos, mas foram deportados por causa de irregularidades.   

Mantenópolis, na divisa com Minas Gerais,  é o município com mais moradores deportados dos Estados Unidos: 525. Em segundo, vem a Serra, com 359, seguido de  Alto Rio Novo,  Barra de São Francisco,  Vila Velha,  Pancas, Cariacica, Colatina, Vitória e Água Doce do Norte.

 Os dados foram fornecidos pelo delegado Guilherme Helmer, chefe da Delegacia de Defesa Institucional da Polícia Federal no Espírito Santo e referem-se ao período de 2019 a fevereiro deste ano.

Em nível nacional, o número de brasileiros deportados dos EUA atingiu seu maior patamar nos sete primeiros meses de 2022, com 2.423 cidadãos expulsos pelo governo americano, segundo os dados mais recentes da Polícia Federal. 

O volume é comparável ao total de brasileiros deportados daquele país no ano passado: 2.447.  Em 2021, a média foi de 204 deportados por mês. Até julho deste ano, ficou em 346, uma alta de 69%.

“O Brasil sempre vai dar o passaporte para seus cidadãos. Pediu passaporte, vai ter. O que ocorre é que vão sem visto, para países próximos que não exigem visto para a entrada. Hoje, o México, onde antes a solicitação poderia ser feita pela internet, exige o visto por meio de entrevista presencial”.

Guilherme Helmer esteve à frente de investigação deflagrada ano passado sobre a atuação de quadrilhas e  o esquema de emissão de passaportes em Mantenópolis, cidade que tem o maior número de deportados no Estado. 

“Ainda está em andamento, continua em investigação, por isso, não posso detalhar”, disse.

 Advogada, capixaba de Vitória, e que mora   nos Estados Unidos Anita Mignone trabalha com legalizações. Ela afirma que, desde novembro de 2020, os Estados Unidos têm acelerado os processos de deportação para desestimular a imigração ilegal.

Essa aceleração ocorre, por exemplo, com a contratação de mais juízes de imigração e a realização de audiências online.

DRAMA DE BRASILEIROS

> Passou fome e foi detida

 Por intermédio de um coiote que atuava no Estado, uma paulista de 30 anos  foi atravessar a fronteira dos EUA com o filho, que ela ainda amamentava. 

“O marido ficou no Brasil e lá os coiotes a colocaram para atravessar com um homem solteiro, como se fossem um casal, para ‘baratear’ a travessia para ela e o marido, que iria depois”, disse o delegado federal Guilherme Helmer.

Segundo o delegado, a mulher reclamava para o marido que os coiotes mexicanos a deixavam com fome. Ela foi detida no ano passado e o marido não conseguiu ir para os EUA, segundo o delegado.

> Abandonado no deserto

Um homem de 45 anos, de tantas vezes que havia tentado atravessar ilegalmente a fronteira do México para os EUA, acabou aprendendo a falar espanhol. O que poderia ser uma vantagem, acabou se tornando um problema: ele foi forçado pelos coiotes mexicanos a ser tradutor para grupos de brasileiros.

“Ele foi levado por este coiote que atuava no Estado, Minas e Mato Grosso. Um  dia, ele foi abandonado no deserto. Teve que sair da fronteira com os EUA andando, pedindo ajuda e carona, até a cidade do México, na Embaixada do Brasil. Quando chegou ao Brasil,  foi agredido por outro coiote”, disse o delegado Guilherme Helmer.

ENTENDA














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> Ação dos coiotes

Para entrar nos estados Unidos, imigrantes ilegais recorrem a quadrilhas de coiotes mexicanos e brasileiros.  

De R$ 53 mil a R$ 106 mil são os valores cobrados por coiotes  para atravessar o imigrante da fronteira do México para os EUA.

Entre as táticas está a conhecida como “Cai, cai”, quando a mulher atravessa com filhos e um desconhecido solteiro, simulando formar uma família, e se entrega às autoridades para entrar automaticamente em processo de deportação.

“Vêm com filhos, pois foi informado  que não fica em detenção, mas é um mito. Por isso, aconteceu uma crise humanitária no governo Trump”, diz a advogada Anita Mignone.

> Crimes sexuais

Além dos casos de detenções e deportações, há registros de crimes sexuais contra mulheres, crimes contra crianças, fome e mortes durante a travessia da fronteira. 

Desde agosto, brasileiros que desejarem visitar o México para fins turísticos, comerciais ou culturais devem apresentar o visto impresso. Antes, era preciso só o  eletrônico.

A Medida visa  frear imigração ilegal   para os Estados Unidos.

> Pandemia

Com a pandemia da covid-19, aumentou o número de brasileiros que tentam entrar ilegalmente nos EUA.

A fronteira terrestre do Sul dos EUA com o México tem  3,2 mil km  entre os estados da Califórnia,  Arizona,   Novo México e do Texas.

> Deportações

A maioria das deportações é feitas pelo Título 42 — implementado durante a pandemia e que prevê que pessoas que cruzarem a fronteira sem autorização legal e sem uma base para permanecerem no país (como pedido de asilo válido) serão deportadas prontamente.

A aceleração nas deportações ocorre, por exemplo, com a contratação de mais juízes de imigração e a realização de audiências online.

Outro exemplo é a finalização dos processos  que não são de alta prioridade, como   ações   de ampliação de permanência com visto de turista, para priorizar as deportações.

Fonte: Polícia Federal, adv. Anita Mignone e pesquisa AT.

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