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DICAS

Especialistas dão dicas de como famílias podem ter mais tempo para o lazer

Pesquisa mostra que para conquistar a felicidade em família é necessário ter mais diálogo e tempo para lazer

Glaucia, Linda e Washington

Última atualização

A busca pelo equilíbrio necessário para conquistar a felicidade em família passa por dois sonhos específicos: ter mais diálogo e tempo para lazer. Foi o que mostrou a pesquisa realizada pelo jornal A Tribuna em parceria com a Empresa Júnior da UVV.

“As famílias encontram dificuldade de comunicação. Há pouco convívio e pouco diálogo. Vive-se muito tempo diante do celular”, destaca o psicólogo Cláudio Miranda, colunista de A Tribuna.

Ele aponta, ainda, outro motivo: “Ou  as famílias se ocupam demasiadamente com trabalho, escola e a casa se torna uma república sem interação entre as pessoas. Um pensamento que mobiliza esse comportamento é o envolvimento com o trabalho e a necessidade de fazer dinheiro”, completa Cláudio.

Ter mais diálogo em casa é o sonho de 54,3% dos entrevistados. E para o psicólogo Rodrigo Leal, o diálogo é justamente um dos fatores que determinam um ambiente harmônico, que por sua vez é a base da felicidade.

“É primordial que a família busque, em seu cotidiano, o que aproxima. Por exemplo, atividade física em grupo, estar presente no café ou almoço, ter o afeto  no dia a dia”.

Terapeuta e especialista em comportamento humano, William Sanches lembra que a pandemia deixou esse problema  mais evidente. “É o distanciamento familiar: filhos no quarto, pai na sala, mãe em outro cômodo. Na pandemia, foram ‘obrigadas’ a conviver e descobriram o quanto alguns relacionamentos eram fracassados e só se mascaravam como perfeitos”.

Ele completa: “A comunicação é a base do relacionamento. Somos únicos, e mesmo convivendo, nunca sabemos o que se passa na cabeça do outro. Por isso, é preciso criar momentos de conversa”.

Tempo

Mas e quando a falta de tempo é um problema? O psicólogo Luiz Bosco Machado, professor de Psicologia da Estácio, lembra que para ter mais tempo é preciso trabalhar menos. Isso requer dificuldades, como ter remuneração melhor e menos jornada de trabalho

“Trata-se de um problema econômico e social, antes de tudo. Buscar priorizar a vida familiar frente ao trabalho é um caminho, mas não é possível para todos. Então, o que fazer? Lembrar que menos é mais”, explica.

“Para se divertir, não é preciso atividades elaboradas. Basta estar junto e fazer algo com prazer. Ficar à toa, pôr as cadeiras na calçada e papear, deixar as crianças brincarem na rua. Precisamos retomar o simples”.

Depressão é preocupante

Quando a saúde mental não está bem, o impacto pode atingir todos da família, embora o principal afetado seja quem sofre do problema. Por isso, a depressão e a ansiedade são apontadas como os maiores desafios para 16,7% das famílias.

“São grandes desafios, pois tem aumentado muito o número de casos. Pessoas com ansiedade e depressão produzem e interagem menos, o que gera um problema familiar  grande. O trato entre os membros da família fica mais difícil, aparecem os conflitos, afeta o sonho que eles têm de felicidade”, afirma o psiquiatra Jairo Navarro.

O especialista, no entanto, ressalta: é totalmente possível superar o problema. “É importante buscar tratamento o mais rápido possível. E se perceber que algo não está certo com alguém da família, dê apoio, incentive a busca por tratamento”.

Sem tratamento adequado, as consequências podem ser duradouras e cada vez mais problemáticas, como destaca a psicóloga Ivana Cabral. “Pode levar à dificuldade em ter uma rotina tranquila e até mesmo saudável, gerando desavenças por coisas pequenas e banais, brigas  que no final acabam levando uma proporção muito maior do que o normal”.

A pandemia acentuou os casos de depressão e ansiedade, quando as pessoas se viram com medo e sem referência. Mas o problema persiste mesmo em outros momentos sem “anormalidades”, como ressalta o psicólogo clínico Rodrigo Leal. 

“Pessoas que desenvolvem ansiedade e crises, a partir daí podem desenvolver depressão, por se sentirem longe de seus familiares, mesmo estando próximos, onde não há diálogo, aconchego, carinho, atenção e afeto. Esses são aspectos importantes para a convivência social, o olhar para o outro”. 

Ele completa: “É possível melhorar e superar essas dificuldades com atenção, afeto, atividades em que os membros da família participem, além da procura de um profissional de saúde, em especial um psicólogo, para que a pessoa possa ressignificar, ou seja, ver a vida de outro modo, que temos todos novas possibilidades de termos prazer na vida”.

Superação com ajuda da família

 













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Glaucia de Moura, 39, sofreu com depressão pós-parto e ansiedade. Mas ela contou que  o marido, Washington de Moura, 42, e a filha, Linda,  3, foram seu porto seguro e a ajudaram a superar com amor e união, paciência e compreensão. 

“A depressão é um desafio não só para quem sofre, mas afeta toda família. Com a graça de Deus e do tratamento com médicos e a psicóloga, saí da crise e hoje tenho um trabalho social que ajuda mulheres, a associação Projeto Mulher”.

Confira as dicas

É ideal criar momento de conversa

> Faça atividades juntos

– Separe um tempo para atividades em família, dentro da rotina, seja um café da manhã, almoço ou jantar junto, ida ao parque ou praia no final de semana.

> Busque atividades simples

– Menos é mais. Para se divertir, não é necessário atividades super elaboradas. Basta estar junto e fazer algo com prazer.

– Separe momentos para ficar à toa; coloque cadeiras na calçada para papear, deixe as crianças brincarem na rua; crie encontros mais simples, seja durante um café ou na cozinha.

> Fortaleça os vínculos

– Busque manter o vínculo afetivo na família. Para o casal, crie momentos junto, converse, respeite o momento do outro e sinalize o que está sentindo. Evite brigas, principalmente perto dos filhos.

> Saiba o interesse do outro

– É importante buscar saber o interesse do outro, seja o filho, o companheiro, pai, mãe. Procure se aproximar, saber o que ele gosta de assistir e combine de ver junto, por exemplo.

> Aumente a comunicação

– A comunicação é a base para os relacionamentos. Crie momentos de conversas, fale sobre como foi o dia ou os assuntos do momento.

> Respeite as opiniões

– Tenha tolerância com opiniões diferentes. Não precisamos concordar com as opiniões do outro, mas precisamos respeitar seu direito de tê-las. 

> Combata o estresse e a exaustão

– Tenha compaixão consigo mesmo, se cobre menos e não ultrapasse seus limites.

– Pratique exercício físico e dedique ao menos uma hora do dia para fazer o que gosta, como ler um livro, assistir um filme ou série, cozinhar.

– Diminua o consumo de bebidas alcoólicas e nicotina.

– Pratique técnicas de relaxamento.

– Reflita sobre a qualidade dos seus relacionamentos.

– Saia de férias, se possível.

> Oriente o uso do celular

– Oriente os filhos sobre o excesso de celular. Busque e proponha fazer com eles atividades desconectadas. Faça uma autoanálise se você também não precisa utilizar menos.

> Realize sonhos juntos

Faça com que a pessoa que você ame compreenda seu sonho, confie e entre no seu projeto.

> Combata a depressão

– Busque ajuda profissional.

– Ao perceber alguém da família com sintomas, compreenda, dê apoio e incentive a busca por tratamento.

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