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Poucas criações humanas influenciam tanto a alegria e o desejo pela vida quanto o esporte e a música. Essas atividades transformam pessoas e se tornam protagonistas de histórias de superações. Tanto que, para muitos capixabas, a felicidade é escrita com notas musicais e espírito esportivo.
Em alguns casos, as atividades são até aliadas no combate a problemas de saúde mental, como acontece com a bióloga Giselle Sobroza, 48. Diagnosticada com ansiedade em 2015, Giselle perdia noites de sono e nunca teve afinidade com exercícios físicos.
Em 2018, ela começou a praticar corrida de rua e, desde então, diz que é mais feliz e alegre. “Agora, tomo a dosagem mínima da medicação. A corrida é como uma terapia. Me supero a cada dia, faço muitos amigos e aprendo a controlar a ansiedade. Descobrir essa paixão transformou a minha vida”, comemora.
Assim como a amiga Giselle, a funcionária pública Rosiane Sieiro, 47, encontrou uma nova paixão quando começou a praticar corrida de rua, há cerca de um ano. Hoje, ela costuma se exercitar junto a Giselle, perdeu 16 quilos e já até saiu do sobrepeso.
“Foi minha última tentativa de emagrecer e, dessa vez, deu certo. A corrida faz parte da minha vida e renovou o meu ciclo de amizades e a minha autoestima. Sinto liberdade, prazer e alegria ao correr”.
Quem pratica exercício físico regular vive com mais qualidade, adoece menos e aumenta a imunidade, reforça o médico cardiologista Emílio Junior. Para a saúde cardiovascular, a união entre alimentação saudável e exercício físico personalizado é central, explica.
“Os benefícios são físicos e emocionais. A atividade aumenta a frequência cardíaca, queima calorias e controla a pressão arterial. Com isso, a pessoa evita arritmias, acúmulo de gordura nas artérias e até previne cânceres”.
O psicólogo e terapeuta familiar Cláudio Miranda explica que, com a música e o esporte, é possível vencer um dos principais reflexos da ansiedade e da depressão: o isolamento.
“Aqueles que conseguem a ressocialização por meio da música e dos esportes melhoram rapidamente do problema. A pessoa, de fato, terá mais motivação e bem-estar físico e mental no dia a dia”.
Musicoterapia contra a depressão
A música pode ser uma forma poderosa de desenvolver habilidades sociais, emocionais e até cognitivas. Tanto que, em muitos casos, a musicoterapia é utilizada em tratamentos para depressão e ansiedade.
Os efeitos no tratamento incluem melhora na imunidade e ativação de memórias afetivas, de acordo com especialistas.
O médico neurocirurgião da Medquimheo Bruno Nunes Bortolott esclarece que a função auditiva está localizada em uma região do cérebro chamada lobo temporal, que é a zona responsável pelo processamento e armazenamento das memórias. A musicoterapia pode trabalhar nesta área e produzir efeito imunológico, explica.
“Ativando a área auditiva através da musicoterapia, é possível estimular memórias afetivas, proporcionando sensações agradáveis. Estudos têm mostrado que a terapia através da música pode agir na modulação imunológica, auxiliando nas defesas do organismo”.
A música pode ainda potencializar a saúde mental e melhorar as relações sociais, explica o psicólogo e terapeuta familiar Cláudio Miranda.
“A música tem uma ação terapêutica fora do comum. A pessoa passa a se sentir mais realizada e importante nas relações de troca de afeto e de atenção. O bem-estar aumenta à medida que começa a interagir, dando e recebendo elogios no acolhimento grupal”.
“Me sinto mais calmo”
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O profissional de marketing, cantor e compositor Felipe Pelissari, 32, convive com a música desde pequeno, por influência do pai e do tio. Quando foi diagnosticado com depressão, aos 22 anos, ele enfrentava um dos momentos mais difíceis de sua vida e foi na música que encontrou refúgio e desenvolveu seu talento.
“Mesmo que tenham percalços, eu amo e não sei viver sem música. Me sinto mais calmo, menos ansioso e com um propósito de vida”.
Escolha deve considerar o ambiente e o objetivo
A escolha por um esporte prazeroso pode ser difícil para muitas pessoas, principalmente quando o estilo de vida é sedentário. Com a rotina atarefada, a opção deve considerar o ambiente da prática e a rotina.
Se a motivação é maior ao ar livre e em coletivo, o cross training, o beach tênis e o vôlei de praia são boas opções. Agora, se a preferência é por práticas individuais, a natação, o surfe e até a musculação atendem melhor às expectativas.
O educador físico Bruno de Almeida explica que o autoconhecimento dificulta uma desistência. Para ele, adaptar a prática à rotina é um dos segredos para vencer o sedentarismo.
“O segredo é manter uma regularidade. Quando se mora perto do local de prática, é mais difícil desanimar. Uma das dicas é fazer exercício físico perto do trabalho”.
Uma avaliação de check-up pré-participação pode orientar o paciente à melhor escolha, explica o cardiologista Emílio Junior.
“A prática de exercícios aeróbicos, como natação e corrida, é muito benéfica, em geral. Com avaliação médica, o paciente pode realizar a melhor escolha dentro do seu objetivo”.
Saiba mais | Pesquisas
A prática frequente de exercício físico pode estar relacionada com a capacidade de encontrar propósito na vida. Pesquisadores americanos e britânicos demonstraram que há uma relação mútua entre o senso de propósito de vida e a atividade física.
A capacidade de assimilar informações também é maior entre pessoas fisicamente ativas. Um estudo demonstrou que a performance cognitiva de pessoas que praticam esporte regularmente é mais elevada.
O ideal é de que haja de 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada a vigorosa por semana para todos os adultos. Para crianças e adolescentes, o mínimo de é 60 minutos semanais.
Já a música é associada ao melhor aprendizado da linguagem, quando tocada para bebês ainda no útero.
Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS), Universidade de Harvard, Universidade de Warwick, Universidade de Granada e Universidade de Helsinki.