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Alunos da educação básica brasileira podem ficar sem professores até 2040, de acordo com dados de uma pesquisa divulgada pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior de São Paulo (Semesp).
O balanço do estudo aponta que os estudantes que cursam os primeiros anos escolares podem ter carência de cerca de 235 mil professores. Carreiras nas áreas de Biologia, Química e Letras figuram entre as mais ameaçadas.
A pesquisa também demonstra que com o passar dos anos foi registrado desinteresse de jovens em seguir carreiras de licenciatura. De 2010 a 2020, foi registrado um crescimento de 53,8% no ingresso em graduações que têm como carreira a licenciatura, enquanto nos demais cursos o aumento ficou em 76% no período.
Segundo a doutora em Educação, Cleonara Schwartz, existem alguns motivos que podem explicar a falta de interesse na licenciatura.
“Uma questão é a de salários baixos, já que o professor não é valorizado. Além disso, as condições estruturais das escolas não são boas”, explicou.
Segundo ela, políticas públicas de valorização dos professores podem ser uma solução para o problema.
Já o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, explica que para ele o ponto mais crítico é a violência nas escolas. “Isso tem afugentado muitos professores. Eles relatam que sofrem de saúde mental porque vivem em um ambiente muito violento”, disse.
O estudo do Semesp ainda apontou que de 2010 a 2020 o percentual de estudantes que terminaram os cursos de licenciatura aumentou apenas 4,3%.
Segundo Matheus Filipe, 22, estudante de Matemática da Ufes, é comum ver alunos desistindo durante o curso. “Os estudantes acreditam que a profissão não vale a pena e decidem migrar para Engenharia ou Computação, por exemplo”, contou.
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A falta de formação contínua também é motivo para que jovens não sigam a carreira. Segundo o professor e coordenador de Ciências Biológicas do Unisales, Danilo Camargo Santos, o currículo do profissional precisa de investimento. “Quanto mais as instituições investirem no professor com pós-graduações e outros cursos, maior a valorização”, defendeu.
SAIBA MAIS
Menos professores jovens
Baixo crescimento
De 2010 a 2020, foi registrado crescimento de 53,8% no ingresso em graduações que tem como carreira a licenciatura, enquanto nos demais cursos o aumento ficou em 76% no período.
Evasão
De 2010 a 2020, o número de estudantes que concluíram os cursos de licenciatura subiu para 4,3%. O valor é considerado baixo pelos especialistas.
Carreira
Entre 2009 e 2021, o número de professores em começo de carreira caiu de 116 mil para 67 mil. A diminuição corresponde a 42,4%.
Fonte: Pesquisa do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior de São Paulo (Semesp).
ANÁLISE
“Professor recebe menos que outras atividades”, Moacir Lellis Chanceler do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Estado (Sinepe)
“É uma situação preocupante. Já tenho dito que daqui a alguns anos as nossas escolas terão alunos e não teremos professores. Há desinteresse do jovem para a área de licenciatura e temos registrado redução da quantidade de alunos que ingressam nessa área. Nossas instituições de ensino no Estado já passam por dificuldades em encontrar professores. A remuneração é um dos principais quesitos para o problema, já que comparando, o professor no Brasil recebe menos que outras atividades. Às vezes é preciso trabalhar em duas ou três escolas para ter remuneração digna, por exemplo, então é muito cansativo. Os professores precisam estudar conteúdo, assimilar e fazer com que todos absorvam, e isso traz um desgaste físico e mental. Nós temos que entender que a educação é a base de tudo. Se nós resolvermos o problema da educação, iremos reduzir o índice de criminalidade, por exemplo. Precisamos reverter esse quadro e valorizar mais o profissional da área da educação”.